domingo, 3 de março de 2013
Fundamentos de Educação 6
24/05/2008
Perante um mundo global e único, depende só de nós a construção do nosso futuro. Face à experiência profunda e universal temos dois caminhos:
- Reconhecimento e respeito pela dignidade humana e teremos condições para viver em harmonia e paz rumo à felicidade humana;
- Desprezo pela dignidade de todos os elementos da família humana e isso conduzirá à guerra e à destruição.
Tudo o que está a acontecer é global.
Criar condições é criar o mundo físico para nutrir, alimentar a capacidade de construir uma pessoa.
Educar é criar as condições de desenvolvimento da pessoa humana.
Dignidade = [DEK DAK] dar e receber.
A dignidade humana é algo que todos recebemos e é igual para todos. O Presidente da República tem tanta dignidade como o indigente. O condenado tem tanta dignidade como o papa. Se o condenado for executado continua a ter dignidade humana, ou seja, não deixa de ter os direitos inerentes à dignidade humana.
O advento de um mundo de respeito pela dignidade humana é o mundo dos valores que só se consegue pela educação e com fé/compromisso em que venha esse mundo dos valores. A dignidade humana é um ideal comum de todos os povos do mundo (Preâmbulo da DUDH).
O ensino faz parte da Educação. O sistema de EI + EA deveria redundar num processo de educação ao longo da vida.
A criança dos 0 aos 18 está a crescer em toda a sua amplitude. O adulto dos 18 até ao final da vida já pode abrir o seu próprio caminho. Devem ser criadas condições para que o adulto procure, ele próprio, a maturidade e a autonomia (AUTONOMUS = a lei já nasce de mim).
A educação comunitária envolve a solidariedade entre todos nós.
A educação ecossistémica envolve todos os componentes (físico, afectivo, intelectual, moral, ético) de toda a família humana.
Como educar?
Precisamos de uma visão global do ser humano. Pedagogia (crianças) – Andragogia (homens) – Antropagogia (todo o ser humano).
A Pedagogia, remontando ao étimo IE*, significa abrir caminho para a vida.
Os animais é que controlam o mundo. Atravessam-no de um lado ao outro para procriarem. Tudo isto de crescer tem a ver com a transmissão da vida.
Nos seres humanos tudo isto tem a ver com a consciência e liberdade, com a compreensão e as relações humanas.
Agora tudo passa pelo amor. Amor primeiro – amor filial – amor dos nossos pais que tudo nos deram e que se deram todos. O amor filial é receber. Nenhum de nós é sem ser amado.
GEN = gerar.
Educar é apoiar a vida/estimular á vida/é andar com a vida para a frente.
No trabalho final deve-se ter em conta:
- Educar e saber educar;
- Simplicidade e utilidade;
- Deve debruçar-se sobre a experiência de educandos e educadores de cada um de nós;
- Pegar em tudo o que é educar e saber educar das aulas;
- Pôr em confronto/apreciação crítica/análise crítica a experiência e os fundamentos da educação. Andamos a fazer melhor ou pior? O que é que eu posso melhorar nas minhas práticas?
- Desde os nossos princípios como filhos até à nossa actualidade.
DIMENSÃO GNOSEOLÓGICA DE PEDAGOGIA
Falar mais de saber é uma atitude de bom senso intelectual.
SAP = saborear.
Ver Introdução p.11 e a recensão bibliográfica p.12 sobre a evolução da história.
Na escola começamos por estudar a história de Portugal mas, o que é que sabemos da história da China, da Índia ou da América? Sabemos uma história regional.
A UNESCO organizou uma História da Humanidade donde foi erradicada a palavra primitivo.
Na disciplina vamos distinguir 3 períodos da história mundial para podermos entender o conhecimento/o saber: MITO, FILOSOFIA e REVELAÇÂO.
MITO
É a primeira fase dos grupos humanos (tribo). A humanidade foi-se libertando da animalidade. Os nómadas foram-se autonomizando. Pelo milénio 10º AC assistiu-se à sedentarização, pelo milénio 1ºAC ocorre a fase final dos mitos.
Esta fase de economia de subsistência caracterizada por uma sociedade sem classes, excepto o género e a idade, em que o poder pertence ao macho alfa/ ao mais forte/ ao patriarca/ ao chefe.
É uma civilização dependente da terra. A cultura é mitológica.
[FERNANDO PESSOA] O mito é um nada que é tudo.
3 definições de MITO:
- Mentira no sentido da não verdade;
- Verdade indirecta (através do que se diz pretende-se dizer outra coisa). Persefona, filha de Meter, vivia no Olimpo. Um dia foi apanhar flores e os deuses das cavernas raptaram-na. Houve guerra. Houve armistício. Persefona ficou a viver na Primavera e Verão com os pais. No Outono e Inverno vivia nas cavernas.
- Verdade a 100% (porque corresponde à verdade transmitida pelos antepassados).
A mentalidade primitiva abrangia:
1 – O ser;
2 – O conhecer;
3 – O agir.
1 – No princípio existiram os antepassados. Os antepassados eram dotados de MANÁ (força extraordinária que os levava a fazer tudo da forma mais perfeita). Daí o dogma da capacidade dos antepassados que nos ficou sob a forma de talismã, do amuleto (a casa tem maná, o templo tem maná, a aldeia tem maná, a cidade santa).
2 – Como eles fizeram tudo, só nos resta recordar o que eles fizeram. A capacidade de conhecer reside na memória. Conhecer é recordar = MITO.
3 – Agir é repetir o que eles fizeram = RITO.
Viver é recordar e repetir. [MIRCEA ELIADE] defende que os mitos e os ritos são mecanismos de muitos de nós.
No entanto, [EZÍODO – Livro das Idades], vimos a assistir à degradação da experiência.
Quando havia excesso de produção guardava-se para a festa /a orgia. A orgia significava o fim da degradação e o recuperar da perfeição da “idade de ouro”. Recupera-se o tempo original.
O tempo é um círculo. O passado é perfeito, o presente é degradado e o futuro não existe.
Nesta época existia uma contradição entre a máscara física e a máscara psicológica. Convém lembrar os ídolos – recordar, repetir e imitar.
Em termos de educação temos ensino (recordar e repetir). Damos-lhe o protótipo, o arquétipo e repitam.
FILOSOFIA (século VII AC)
Outras civilizações surgiram que consideraram os antepassados como deuses. Dos mitos avançou-se para as religiões. Os Sumérios e os Egípcios vão nesta linha. Com a escrita os ritos passam a ser leis.
Não aparece em todo o planeta. Do Egipto até à China, passando pela Índia, surgiram as civilizações dos grandes espaços e dos grandes rios.
Há até uma coincidência entre as ideias que as caracterizam: Confúcio e Lao-Tsé, Buda, Zaratustra e os primeiros filósofos gregos (pré-socráticos). Surgem as filosofias.
Os sacerdotes dominavam as leis, a economia e o poder. Eram a classe dominante.
Os militares começaram a contestar os desatinos dos sacerdotes e colocam a primeira questão do ateísmo: haverá deuses?
A filosofia nasce da procura do conhecimento através do raciocínio das pessoas. Os antepassados não interessam. O que interessa sou eu.
Qual é a atitude dos pré-socráticos?
O que é tudo isto? DEFINIÇÃO.
E porque é tudo isto? CONCEITOS (Sócrates)/IDEIAS (Platão)/NÚMEROS (Pitágoras)/ FORMAS (Aristóteles)/ESSÊNCIAS (Medievais)/IDEIAS (Kant).
No princípio era o caos [ANAXIMANDRO].
O que é o universo? O que é o homem? O que é Deus?
O ser humano o que é? É o eu que pergunta (SUJEITO). Tudo o resto é OBJECTO. Na evolução do pensamento o sujeito opõe-se ao objecto.
Isto gera confusão e é impossível viver. [SARTRE] colocou bem esta questão – Eu sou livre? Mas como é que isto é possível?
A tragédia é que cada um é sujeito e os outros são objectos. O egoísmo/o egocentrismo/o egotismo( em grego = autismo)/o narcisismo (forma não violenta de egotismo – só se vê a ele).
Deus é o absoluto, o que abarca tudo, o infinito. A filosofia ao considerar o sujeito e o objecto, considera Deus como um erro. [GABRIEL MARCEL – La Teodissé c’est l’ateisme].
O filósofo chega à conclusão de que não sabendo nada, logo vai é tratar de si. A filosofia grega levou a que a educação grega fosse voltada para cada um (PAIDEIA – trata-se de eu crescer; ARETHÉ – esforço por ser o melhor, o campeão).
Fundamentos de Educação 5
10/05/2008
A dignidade humana é o fundamento de todos os valores. O mundo dos valores é a mais alta aspiração do homem. A ONU declarou a sua fé no mundo dos valores. No entanto, a fé, o ideal não é fácil de atingir. O caminho para atingir o ideal é o ensino e a educação.
DUDH – A educação é o desenvolvimento global da personalidade humana. A educação ao longo da vida.
Convenção dos Direitos das Crianças foi aprovada pela maioria dos países do mundo. Definição da criança como “todo o ser humano menor de 18 anos”.
Melhor que se fale de Educação da Adolescência:
O tempo: até aos 18 anos;
O lugar: na família (os estados ajudam as famílias):
Metodologia: orientar e aconselhar os filhos; respeitar as fases de crescimento;
Critério fundamental: atender ao máximo interesse, interesse supremo, superior interesse da criança.
Educação de adultos:
O tempo: dos 18 anos até ao fim;
O lugar: o mundo todo/ a universalidade:
Metodologia: não é fornecer, é indagar, perceber as necessidades e as aspirações dos adultos. Equipas de trabalho com generalistas e especialistas;
Critério fundamental: A universalidade tornou-se o motor da educação de adultos. A realização do ser humano no mundo dos valores. A satisfação das nossas necessidades e das nossas aspirações.
A educação ao longo da vida de cada um ou de nós todos?
O que existe é a comunidade humana. A DUDH fala da família humana. Justifica-se a Educação Comunitária. A família verdadeira é a comunidade, a comunhão e a comunicação. Somos uma família humana global.
OIKOS + LOGIA + SISTEMA + MÉNICO O planeta Terra é a nossa morada mas o Universo é que é o OIKOS. A Ecologia surge na década de 70 do século passado. Existem ecossistemas locais e globais.
Ver pp 18-19 do Capítulo I – Todos os recursos, todos os seres humanos, todas as dimensões. Plena realização.
QUESTÕES DE PEDAGOGIA
A Pedagogia é a Ciência da educação, ou seja, saber educar. Só a partir dos anos 60 é que surgem as ciências da educação.
O método utilizado implica ter visão de conjunto (amplitude), visão do processo (longitude) e visão em altitude (profundidade).
A palavra Pedagogia, não no sentido logos (verbo) como sinal de realidade que representa alguma coisa (na prosa é assim). Também não no sentido parabolé (parábola) como símbolo mais subtil (poesia). Mas no sentido etimológico (étimo = nome verdadeiro/originário/natural das coisas = o que significava nas origens/raízes).
(grego) Pais, Paidos = criança + (grego) Agogia = orientação, arrastamento, condução = orientação, condução da criança
Todas as ciências, a partir do século XIX – Positivismo, foram reduzidas a ciências experimentais, baseadas na experiência e na lógica da razão. Assim a ciência foi-se subdividindo em várias. Conduziu à especialização e aos compartimentos estanques.
Ver pp. 9-16 e as especializações da história. Ver pp. 21-29 – [A realização do ser humano].
EDGAR MORIN e o pensamento complexo.
Como é que se desenvolveu o estudo da GEO = terra:
- Geografia – estudo descritivo da Terra; - Geometria – estudo das formas/divisões da Terra;
- Geologia – estudo da constituição da terra; - … (não se chega ao arrastamento da terra).
Como é que se desenvolveu o estudo da criança? Avançou-se directamente para a Pedagogia.
A educação hoje já não é só de crianças, ela hoje é a Educação ao longo da vida (ELV). Logo a Pedagogia deixou de ter sentido. ANDRAGOGIA = condução do homem. (Grego) Aner, Andros = homem varão. ANTROPAGOGIA = condução do ser humano. COMUNITAGOGIA = condução da comunidade.
Não tem interesse andar a mudar frequentemente de designação. Não há problema se remontarmos mais no étimo de pedagogia.
IE* (bh=f) BHEU – BHU = crescer. (grego) phuio, phuisis = física, fisiologia, fitologia, futuro.
Mas abramos o leque de hipóteses, alarguemos o contexto.
IE* Pu = pequeno rebento de planta, pequena cria de animal.
(grego) pais, peidos = “ + (grego) agem (acompanhar, bater).
(latim) puer, pueri.
Vamos pegar nas plantas. Ou no mundo físico. Ver (pp. 21-29, o.c.).
O nosso OIKOS é o universo todo. A unidade de medida é o ano-luz. O tempo conta-se pelo Big-bang. A vida apareceu há 4000 milhões de anos, fundamentalmente sob a forma de vírus e bactérias. Não nos esqueçamos que os animais são os verdadeiros cidadãos do mundo. As migrações das aves e dos salmões. A epopeia da vida para perpetuar a espécie.
(Latim) Pullulus que originou (Castelhano) Pollo e o (Francês) Poule e as palavras portuguesas poleiros e pusilânime.
Se olharmos para o étimo rebento da Pedagogia temos a Pedagogia actual. Se considerarmos o étimo pequeno acolhemos a pedagogia tradicional.
Fundamentos de Educação 4
26/04/2008
Mundo dos valores Edu Infância + Edu Escolar
Mundo das pessoas EDUCAÇÃO Edu Infância + Edu Escolar + Edu Adultos
Mundo das coisas ELV = Edu adolescentes + Edu Adultos
Educação Escolar é mais instrução que educação.
Os políticos tratam estes temas mas nada como os teóricos.
PAULO FREIRE (1970) começa os seus estudos e experiências no nordeste brasileiro. Para ele o ser humano é livre, consciente e imperfeito/inconcluso.
Desumanização Humanização.
Há duas classes de revolução:
- A violenta (inverter a situação);
- A pacífica (humana, cultural e pedagógica).
Todos os violentos são reaccionários porque querem obter resultados à força (contra a natureza humana que passa pela liberdade).
Todos os violentos são sectários, não procuram a resolução dos problemas de todos, só os da sua clique. Estão fechados na sua verdade. São sedentos de poder.
Há que distinguir dos radicais, que são aqueles que querem chegar até às últimas consequências da mudança: acabar com os opressores e os oprimidos. Todos nos libertamos em conjunto.
“Um dia, queira Deus, que a omelete vire. Os pobres comerão o pão e os ricos comerão merda”. (Ciganito cantador]
PAULO FREIRE distingue:
- A pedagogia bancária (dos violentos);
- A pedagogia problematizadora.
Na primeira há professores com o banco de dados para ensinar os alunos. Na segunda não há professores nem alunos.
A pedagogia problematizadora opera com a ação conscientizadora e com o diálogo. Ela é anti dialógica.
Precisamos avançar com a REVOLUÇÃO PEDAGÓGICA.
Num grupo de diálogo (não mais de 15 elementos) o analfabeto inicia o seu processo de conscientização a partir de palavras geradoras (palavras que mexem com todas as pessoas) para iniciar a soletração.
PAULO FREIRE pretendia a alfabetização funcional e a conscientização do mundo que o rodeia e chegar ao universo intersubjectivo que cria com os outros.
OBJECTO SUJEITO.
Passam a não ouvir somente o que os outros pares lhe dizem e passam a ter uma palavra.
O adulto torna-se sujeito de igual valor.
O adulto torna-se actor, coautor e autor.
A educação de adultos é a outra parte do sistema educativo. A educação é um processo que se opera no sentido de criar condições para que o processo de desenvolvimento humano desde o nascimento até à morte aconteça.
Em 1989 foi assinada a Convenção sobre os Direitos da Criança.
Numa convenção os estados-partes acordam sobre aquilo em que há consenso. 181 Estados aprovaram por unanimidade. 155 Estados apresentaram projecto de aplicação.
O lugar fundamental é a família. A escola é complementar. O hospital é complementar.
O adulto é aquele que já é crescido, MAGISTER (mestre) = o mais.
A nossa língua deriva do Indo-Europeu que abrange línguas desde a Península Ibérica até ao BanglaDesh com excepção do Húngaro (Magiar), do Estónio (Finlandês) e o Basco.
IE* AL, OL = alimentar, crescer.
Aluno = escravo que era alimentado em casa.
ADOLESCÊRE = crescer [ADOLESCO, ADOLESCENS, ADOLESCÊRE, ADULTUM]
O “coco” em adolescêre deveria ser concavo e obriga à acentuação da sílaba anterior.
Segundo Ribeiro Dias a educação de adolescentes deveria juntar a educação de todos até aos 18 anos.
O objectivo da escola e dos professores é ensinar a criança a saber ser.
EDUCA, EDUCES, EDUCI, EDUCERE = conduzir (não é este o étimo de educação).
EDÛCO, EDUCAS, EDUCARE = alimentar, nutrir.
A educação é então criar condições para que a criança se desenvolva e cresça.
O dicionário HOUAISS lembra a similitude entre educação e alimentação.
Fundamentos de Educação 3
19/04/2008
A educação:
- Vamos procurar perceber o que é a educação;
- Vamos recorrer à nossa experiência global e ter em conta a história dos últimos 50 anos.
À partida pressupõem-se dois mundos, o dos valores e o corrente. A transição entre eles processa-se através da educação. Essa educação funda-se na EI + EE (1º+2º+3º ciclos) + E. Secundário + E. Superior.
A passagem de um mundo para o outro baseia-se na educação.
As ciências não nos falam do mundo dos valores.
Temos que procurar uma concepção comum de direitos humanos. Só através da fé é que poderemos atingir tal ideal.
A perspectiva da estrutura de educação acima apresentada está ultrapassada.
A partir de década de 40 do século XX começaram as reformas dos sistemas educativos. Tais reformas tinham, como vimos atrás, 3 objectivos fundamentais: económico, social e cultural.
A partir da década de 60 deu-se início à escola de massas [EDGAR FAURE].
O nível de desenvolvimento educativo tornou-se superior ao do desenvolvimento económico.
Estas reformas eram do ensino, não eram para criar condições para que as pessoas se desenvolvam (EDUCAÇÃO).
A escola deixou de ser de elites e passou a ser de massas. As reformas foram quantitativas – dar mais do mesmo a mais gente. As reformas devem ser qualitativas – mudança.
EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA
Até ao século XIX não existia EI. Em Portugal só em 1920 é que foi implementada.
As crianças eram educadas pelas mães. Quando as mães começam a trabalhar (Rev. Industrial), a própria estrutura social procura resolver o problema e foram criados “armazéns” para ficar com as crianças e contratadas pessoas para as entreter. Depois houve outras pessoas contratadas para as ensinar mas não deu resultado.
Rousseau não conheceu os seus próprios filhos mas escreveu muito sobre educação infantil. No entanto, os responsáveis pelos “armazéns” adoptaram Rousseau.
Para Platão as ideias são perfeitas, as coisas não. Não há seres humanos perfeitos, a ideia é.
A criança nunca foi aceite como ser humano. As crianças eram “coisinhas”. A criança não sabe nada. Não são e não sabem, logo não se conduzem sozinhas.
Os adultos têm de ser, ensinar e conduzir as crianças.
A criança não é? A criança é como qualquer semente, tem que ser apoiada no seu crescimento. É tudo o que vai ser. Ela é tudo aquilo que poderá vir a ser.
A criança não sabe? Sabe tudo. A criança conduz toda agente, ela apropria-se do destino de todos. Passa-se do adultocentrismo para o puerocentrismo.
Aparecem os pedagogos.
[MARIA MONTESSORI] As deficiências das crianças derivam da vida que as obrigam a fazer. As doenças das crianças, na sua maior parte, derivam da educação. Esta autora defendia a liberdade de actuação das crianças nos “armazéns”.
Assiste-se à luta entre a educação velha e a “educação nova” (1920). Ela consistiria em “criar condições de espaço, tempo, clima e ambiente para que a criança se desenvolva em todas as dimensões”. Uma das condições é a orientação.
A Psicologia desenvolveu-se na segunda metade do século XIX. Entretanto, surgiu PIAGET, biólogo e filósofo, que investigou como é que se desenvolve a inteligência no ser humano. Foi ele que criou a Psicologia do Desenvolvimento.
Estudou a criança e considerou-a tão importante como as outras fases. A infância é uma fase de desenvolvimento rápida e de adaptação ao meio [(ASSIMILAÇÃO e ACOMODAÇÃO) e EQUILÍBRIO].
FREUD também defendeu o equilíbrio.
PIAGET definiu fases (medidas estatisticamente):
- Sensório-motora (18 meses);
- Simbólica-semiótica [passa do sensorial ao mental] (6/7 anos);
- Operatividade concreta [juntar, separa, somar e multiplicar] (11/12 anos);
- Operatividade abstracta [números de números] (15/16 anos).
Em 1930 PIAGET acrescenta um problema. Que educação é que vai ser precisa? A EDUCAÇÃO NOVA. Mas acontece um cataclismo: a EDUCAÇÃO NOVA é confiscada pelos regimes ditatoriais.
Só em 1948, com a D.U.D.H., é que as ideias de Piaget se consolidam. Ele próprio foi convidado e fez um comentário: “as crianças necessitam de escolas em que a educação seja aquela que está prevista na DUDH”. Ou seja, seja adoptada a pedagogia da EI.
Em 1980 dá-se a 2ª revolução da EI.
EDUCAÇÃO DE ADULTOS
Há 50 anos quem falasse disto era considerado maluco.
Há 35 anos a Suécia e a Inglaterra começaram a preocupar-se com a EA.
Sempre houve EFA. As pirâmides, as igrejas, as peregrinações e o teatro são a prova, mas não se falava disso.
Após a 2ªGM inicia-se um período de utilização massiva das comunicações no espaço, no tempo (aceleração da mudança), na ciência e na técnica.
A UNESCO (Educação, Ciência e Cultura) toma consciência dos adultos se encontrarem ultrapassados pelas situações (1949). Realiza-se uma conferência sobre EA.
É sugerida a reciclagem/aggiornamento que implicava esforço de actualização profissional. Aparece a formação profissional/formação contínua versus formação inicial.
Em 1960 realiza-se a Conferência de Montreal – Canadá constituída por uma maioria de países do 3º Mundo.
A EFA é a educação básica = a alfabetização.
Em 1960 surgem dois factores civilizacionais incontornáveis:
- A conquista do espaço;
- A Guerra Fria/energia nuclear = holocausto e destruição nuclear.
Nesta época é preciso ter consciência que ou nos salvamos todos ou morremos todos.
A Declaração de Montreal dizia que se ia acabar com o analfabetismo em poucos anos.
Em 1965 realiza-se a Conferência de Teerão – então capital da Pérsia, hoje Irão.
O analfabetismo continuava a existir e transforma-se em analfabetismo regressivo.
Era necessária a alfabetização funcional. A AF não estava a conseguir servir aos seres humanos para se libertarem da sua subordinação aos sistemas económicos e aos modos de produção.
Em 1972, em Tóquio - Japão dá-se ênfase ao desenvolvimento integrado das populações em função do desenvolvimento integrado de cada ser humano.
A educação encaminha-nos para o mundo os valores.
Em 1975, em Persépolis, no auge do choque do petróleo aborda-se a AF como acto político de desenvolvimento integrado de todas as dimensões do ser humano de modo a contribuir para o aumento do nível civilizacional. O nível de vida é diferente da qualidade de vida.
O crescimento vai depender do desenvolvimento.
A utilização da bomba de neutrões erradicava a cultura embora deixando intacta a civilização.
Educação de adultos é criar condições para que todo o ser humano adulto se desenvolva em todas as dimensões (física, fisiológica, corporal, mental, artística e moral). Aqui a alfabetização funcional pode ser entendida como a capacidade dos adultos de se movimentarem como pessoas (seres conscientes e livres) nos diferentes sistemas em que se encontrem envolvidos/inseridos.
A EA é a de todos nós. Não podemos continuar a pensar na EA como a dos “desgraçados” que não acabaram os cursos.
Nos E.U.A. 10% da população é constituída por analfabetos funcionais (pessoas que não conseguem obter mais do que o 5º ano da escolaridade obrigatória).
IVAN ILITCH afirma que, em Nova Iorque, é indispensável possuir o 11º ano.
Ser-se alfabetizado ultrapassa o sistema escolar. A LITERACIA é a capacidade de utilizar os conhecimentos adquiridos no sistema escolar para resolver os problemas da vida.
ALFABETIZAÇÃO = nº de códigos em que se está iniciado = conhecer o alfabeto (código de linguagem escrita) = estar iniciado nos códigos.
Somos uns ignorantes porque não sabemos tantos códigos assim. A nossa ignorância é muito elevada face à ciência e devemos assumi-la para progredir no conhecimento.
Em 1972 foi tomada a decisão mas, só em 1976 – Nairobi são tomadas as conclusões de considerar a EFA como o conjunto de processos que visa criar condições para que todos os adultos se tornem capazes, eles próprios, de procurarem respostas para as suas necessidades e aspirações.
Os objectivos eram:
- Tudo aquilo que contribua para o desenvolvimento pessoal;
- Tudo aquilo que contribua para o desenvolvimento social;
- Tudo aquilo que contribua para a formação cultural.
Os métodos eram:
- Se todos somos educadores não há distinção entre formandos e formadores. Somos simultaneamente educandos e educadores. Não há quem aprenda nem quem ensine;
- Não devemos guardar os segredos;
- Temos que nos olhar como iguais. Não pode haver complexos de superioridade;
- Temos que atender à sensibilidade dos outros;
- Temos que atender à susceptibilidade dos outros;
- A avaliação não se rege por critérios correntes (criar um ambiente que continue a existir) = honestidade e transparência da pessoa.
Fundamentos de Educação 2
05/04/2008
O ideal a atingir deve acontecer sem ser pela força do direito nem pelo direito da força. Ele deve ser alcançado pelo ensino e pela educação.
Após a 2ª GM encetaram-se profundas reformas dos sistemas educativos. É na Inglaterra e na França que se dão os primeiros passos. Os E.U.A. iniciaram a reforma em 1958 após o lançamento do Sputnic pela U.R.S.S..
Em Portugal só nos anos 60 é que a reforma se iniciou ao nível do sistema escolar.
Universidade {séculos XII/XIII – Clérigos};
Liceu {século XVI – Colégios Jesuítas};
Escola Primária {século XVI – países protestantes; século XVII – países católicos; século XIX – Portugal/Marquês de Pombal};
Educação de Infância – século XIX.
A reforma do sistema educativo é uma reforma da pirâmide.
Uma 1ª preocupação era económica. Nas prioridades da reconstrução do pós-guerra estavam os recursos humanos.
A 2ª preocupação era social: a igualdade. A escola primária para todos, o liceu para alguns e a universidade para poucos.
A 3ª preocupação era cultural.
{EDGAR FAURE} – “Aprender a ser” veiculou a avaliação da situação da educação. Pela primeira vez na história o nível de desenvolvimento educativo ultrapassou o nível de desenvolvimento económico. Isso faz surgir uma nova classe: a juventude. Com ela surge a contestação à sociedade em que ela se insere (Maio de 68).
A crise mundial da educação implica a preparação da juventude para mundos que ainda não existem.
IVAN ILITCH fala da desescolarização da sociedade.
A reforma do sistema educativo era, afinal, a reforma do sistema escolar, do ensino. Preocupava-se com o ensinar sem ir ao fundo do educativo. Era dar mais do mesmo.
Foram falsas reformas. Deve-se começar a reformar pela educação de infância e pela educação de adultos.
Fundamentos de Educação 1
Não consegui resistir a publicar as minhas notas pessoais sobre as fabulosas aulas do Professor Doutor Ribeiro Dias no Mestrado em Administração Educacional do Instituto Superior de Educação do Porto, biénio 2007/2009.
29/03/2008
Para que estamos aqui?
No século XII existiam poucas divisões de conhecimento, no fundo existiam as Artes, a Teologia, a Medicina e o Direito.
Os objectivos do mestrado antigo (1983/84/85):
1 – Aprofundar uma determinada área da licenciatura. Relacionar/articular aprofundadamente uma área da licenciatura com outra área da educação.
2 – Exercitar-mo-nos/treinar-mo-nos na investigação (vestígio - pegada). Habituar-mo-nos a procurar conhecimentos novos.
A avaliação terá em conta as classificações das disciplinas. Mas a avaliação da dissertação é que mandará. A dissertação demonstrará a capacidade de investigação. O objectivo vai ser treinar-mo-nos para a investigação.
A tese de doutoramento vai ter que apresentar algo de novo.
A educação de adultos tem estratégias de ensino – aprendizagem específicas. Todos devemos unir esforços para descobrir soluções para os nossos problemas.
Fundamentos de educação (a base, o terreno de apoio):
- sector de investigação da razão de ser, da explicação da educação;
- regra, norma, lei, direito da educação;
- essencial, insubstituível, absolutamente necessário, não pode falhar;
- fundamento = princípio intelectual.
O que é essencial em educação?
Educação confunde-se, a maior parte das vezes, com ensino.
Mas será que ensinar é diferente de educar?
Os pais são os responsáveis pela educação global. Os educadores são os pais. Os pais estimulam e contribuem para criar condições para o desenvolvimento.
Ninguém desenvolve ninguém.
As diversas partes do organismo vão-se desenvolvendo.
Os pais conhecem a maneira de educar porque amam as crianças ou amam de tal maneira que possam educar?
Os pais sabem porque amam ou porque sabem?
O saber vem do amar.
Educar significa na sua essência NUTRIR. Educar é criar condições para que as crianças se desenvolvam.
A educação de uma criança começa 20 anos antes de a criança nascer [Napoleão].
Educar não é dar tudo. Educar é amar. Educar é amar (Ágape), não é amar (Eros).
Se o Ministério da Educação gastasse o dinheiro na educação de adultos (dos pais) era muito mais eficaz.
{Análise do texto de GILBERT, R.}
Para Durkheim é preciso impor à criança tudo o que a sociedade pretende dado que a criança não tem capacidade de aí chegar espontaneamente. E não tem outro destino social senão aquele a que já pertence. A sociedade é tudo.
Já Montaigne dizia que não queria cabeças cheias, queria cabeças bem feitas.
Educar é criar condições para o ser humano se desenvolver no seu todo [dar a cana para pescar].
Ensinar é parte integrante do educar e integra a transmissão de conhecimentos (encher as cabeças)[dar o peixe], impor/inculcar (mal) as ideias dominantes e criar condições para que se desenvolva a inteligência do ser humano.
A educação é a formação de dentro para fora, é criar condições para que se expanda/desabroche a capacidade/personalidade humana.
Toda a obra de arte é um acto de formação.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Barcelos, Portugal 2013 Capital Europeia das Ideias
Barcelos, Portugal 2013
Capital Europeia das Ideias
Nas situações de desconfiança e de desalento, a imaginação e a criatividade tornam-se cúmplices no processo de mudança que a humanidade ansiosamente espera.
Temos que entrever o futuro em bases que ainda estão por definir mas que podemos pensar, parando o tempo suficiente para partilhar uma ideia: projetar um mundo no qual nos sintamos bem uns com os outros.
É possível encontrar pessoas felizes com poucos recursos disponíveis. Nós, que somos seres humanos, estamos a viver uma fase de sermos “teres humanos”. Os bens materiais são dívidas para com o nosso equilíbrio. Temos querido o que nos ultrapassa e desejado o que os outros têm.
O equilíbrio continua a estar na natureza e há muito que a abandonámos como fonte de sabedoria. Virámo-nos para a nossa pequena e egótica dimensão pessoal, mantendo-nos, assim mesmo, com o instinto de sobrevivência adormecido.
As dúvidas são poucas. Temos que mudar de vida, de líderanças e de consciência. O que for preciso para nós tem de ser pensado em conjunto. Pensar a verdadeira democracia, a de cada um dentro de si próprio para poder respeitar a dos outros.
Daí a Capital Europeia das Ideias, que nunca chega tarde e pode servir a quem o desejar.
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