quinta-feira, 18 de abril de 2013

Basta

Estamos na hora de dizer basta. As lideranças que nos tentam influenciar já não o conseguem. A sua autenticidade é fraca e não augura nada de bom. Depois de tanto tempo para aprender, estas lideranças, que só nos fazem sentir órfãos, continuam agarradas ao poder pelo poder. Não há pinta de visão para com a vida dos seguidores. As decisões são puro exercício de estratégias individuais e de manutenção de prerrogativas. Bom. A inércia mental e, sobretudo, espiritual já cansa de tão recessa, isso mesmo, podre como o pão quente vinte e quatro horas depois de ter sido confecionado. Temos que mudar de ideias e de lideranças de curto prazo. O futuro está inteirinho ligado à visão estratégica, a de longo prazo, e ganha dimensão com líderes autênticos que tenham referenciais de valores que influenciem a vontade dos seguidores. O futuro é o “back to roots”, o voltar às raízes, à pureza da natureza humana. Não sobrevivemos sozinhos, só bem acompanhados.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Uma mentalidade em cheio

Quando pretendemos fazer as coisas bem e quase tudo dá errado, devemos parar e pensar com cuidado. Quando fazemos o que temos de fazer de acordo com a nossa mente e quase tudo vai mal, temos de parar e verificar a lógica da nossa forma de pensar. Face à realidade, se nós não pararmos e pensarmos, nem sequer verificarmos a forma de pensar, estamos completamente fora das nossas mentes. Isso é o que está a acontecer. Os titulares do poder tem uma mentalidade em cheio e não desistem. Ou será que estamos perante uma agenda escondida?

quarta-feira, 20 de março de 2013

Aprendizagem organizacional

É uma das muitas abordagens feitas à procura dos melhores caminhos na busca de chegar mais além. SENGE (1990) tinha consciência que a sua teoria necessitava de ser bem estruturada para não ser considerada uma moda e rapidamente abandonada. Para Manuela Teixeira (2008), a análise organizacional deve considerar os contributos das teorias organizacionais que perduram e, também, entender tais teorias nos contextos em que foram geradas. O que é uma OA? Imaginem uma organização em que todos falam e todos ouvem. Imaginem uma organização capaz de aplicar novas teorias, novas técnicas de acompanhar a mudança. Temos que ver a escola não como o espaço em que uns ensinam e outros aprendem, mas como o espaço em que todos aprendem uns com os outros. Toda a aprendizagem começa quando as nossas ideias confortáveis são consideradas inadequadas. Por exemplo, foi confortável, durante muitos anos, a aplicação da Teoria da Reprodução às escolas. Aprender nas organizações significa: - testar continuamente a experiência. Ex.: Darmos a aula, todos os anos, da mesma maneira? Não. É preciso adaptarmo-nos à realidade. - Transformar essa experiência em conhecimento * Acessível a toda a organização * Relevante para a sua finalidade nuclear (o sucesso). Uma Escola Aprendente (EA) é uma escola que: - Reflete sobre o seu próprio trabalho (resultados, métodos e modo); - Avalia o seu próprio trabalho; - Utiliza essa avaliação do trabalho realizado como fonte de conhecimento relevante para todos. A avaliação faz parte integrante de uma EA. O insucesso é um fenómeno plurideterminado. No entanto, faltam critérios novos na caracterização da relação afetiva, emocional que conduz ao insucesso. De facto, quando o aluno não aprende não pode esquecer-se que na relação havia duas pessoas. Sebastião da Gama dizia que dar uma boa aula é “fazer com que os alunos se esqueçam que era melhor estar lá fora”. Motivos para construir uma EA Uma EA é: *Mais inteligente; *Menos burocrática (os objetivos superam as regras); *Menos elitista; *Menos hierárquica e autoritária (continua a haver hierarquia e autoridade); *Mais comunicante; *Mais participativa; *Mais distribuidora de poder entre todos. A escola não pode continuar a gerar insucesso sob pena de se auto extinguir por incapacidade. Quando o aluno não aprende, a culpa não é só dele. Uma EA: *Tem melhores resultados (ela é que conhece os alunos, ela é que dita o sucesso); *Gera equipas dinâmicas (todos envolvidos vamos pôr-nos de acordo, os dirigentes devem dar espaço para fazer coisas novas); *Promove mais diálogo e abertura; *Tem maior capacidade de gerir a mudança. O´BRIEN membro do MIT e da SOL (Society for Organizational Learning) estabelece quatro condições para cooperar com a mudança: 1 – Delegação de poder; 2 – Visão sistémica (é preciso fazer reformas, mas é preciso compreender para onde) Vai-nos ajudar a compreender tudo, vai-nos ajudar a aceitar a mudança, compreender o passado e projetá-lo para o futuro; 3 – Dominar arte da conversação (eliminar mecanismos defensivos); 4 – Não impor ideias, mas arranjar voluntários (visionários que acreditem que é possível).

A ESCOLA e a aprendizagem organizacional

O conceito de aprendizagem organizacional refere-se às organizações que estão em constante processo de aprendizagem, ou seja, às organizações que aprendem. No sentido de perceber este conceito e beneficiar das suas sinergias colocam-se duas questões a que tentaremos responder. A primeira questão é: poderão as organizações aprender a aprender? A segunda será: as escolas, enquanto modelos organizacionais específicos, poderão ser consideradas como organizações que aprendem? Senge (1990) considera que, partindo do pressuposto que a aprendizagem organizacional compreende os princípios e práticas que permitem a absorção do conhecimento nas organizações, as quais estimulam a aprendizagem contínua de seus colaboradores, visando a incorporação de novos conhecimentos nos processos de trabalho, é necessário que as organizações estejam atentas ao processo evolutivo. Tais princípios levam as organizações a adoptarem estratégias, procedimentos e práticas de questionamento da sua actuação. Esse posicionamento conduz à implementação de políticas adequadas de administração da informação, avaliação do desempenho, aprendizagem no trabalho e atitudes que estimulem a criatividade e a inovação. O conceito de aprendizagem organizacional surgiu da necessidade que as organizações têm de conquistar vantagens competitivas e de transpor os momentos desfavoráveis e/ou as mudanças. Isso é possível através da adaptação, transformação e criação de processos e actividades. Entretanto, os processos melhorados só surgem através da aquisição, partilha, transformação e armazenamento do conhecimento, e consequentemente de novos padrões de raciocínio. O resultado esperado desse processo é uma organização que viva para sempre. E aqui coloca-se a segunda questão e a aplicação destes princípios à escola. Para Senge as organizações que aprendem são instituições onde as pessoas expandem continuadamente a sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam, onde surgem novos e elevados padrões de raciocínio, onde a aspiração colectiva é livre e onde as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo. “As organizações só aprendem através de indivíduos que aprendem”. (Senge, 1990, p. 11). Ou seja, a aprendizagem individual não é suficiente para garantir a aprendizagem do todo organizacional, mas sem um conjunto de aprendizagens individuais não existirá aprendizagem organizacional. A escola que é um espaço de encontro e de produção de conhecimento reúne todas as condições para ser considerada uma organização que aprende. Para que esse objectivo seja alcançado é necessária a existência de pessoas que desejem e sejam capazes de "aprender a aprender". Senge (1990, p.41 e seguintes) procura organizar o processo de aprendizagem individual sugerindo cinco “disciplinas” (disciplines). Ele considera que “disciplina” é um conjunto de práticas de aprendizagem, através das quais a pessoa se modifica, adquirindo novas habilidades, conhecimentos, experiências e níveis de consciência. As cinco disciplinas da aprendizagem organizacional são: domínio pessoal, modelos mentais, visão partilhada, aprendizagem em equipa e pensamento sistémico, que são detalhadas a seguir. O domínio pessoal põe a tónica nos indivíduos e implica continuamente esclarecer e aprofundar a nossa visão pessoal, concentrar as nossas energias, desenvolver a paciência de cada um e percepcionar a realidade de forma objectiva. Como tal, é a pedra de toque essencial para a organização que aprende – o querer acreditando. A capacidade e o comprometimento de uma organização em aprender têm de corresponder às dos seus integrantes. Esta disciplina radica na matriz humanista judaico-cristã. Os modelos mentais são compostos por imagens, histórias e preceitos que o indivíduo utiliza como referência acerca do que as coisas são e como funcionam. Constituem verdadeiros mapas mentais cognitivos que influenciam a forma como cada um de nós vê o mundo e as suas relações. Os modelos mentais de cada indivíduo são nutridos por crenças e valores que se sistematizam desde o nascimento e que se desenvolvem ao longo da vida de cada um. Consoante a maturidade as pessoas passam a reflectir e melhorar continuamente a imagem que têm do mundo, objectivando novos modelos para os seus actos e decisões. O sucesso de algumas equipas de trabalho assenta na existência de crenças e aspirações comuns. As pessoas só passam a empenhar-se em conjunto e de livre vontade quando percebem que cada qual tem um papel importante para alcançar o objectivo comum. A partir daí elas compreendem que o desenvolvimento de inteligência e de habilidades colectivas são maiores do que a soma das inteligências e habilidades individuais. Senge considera que, assim como as visões pessoais são retratos ou imagens que as pessoas têm na mente e no coração, também as visões partilhadas são imagens que pertencem às pessoas que fazem parte de uma organização. A aprendizagem em equipa é a aliança perfeita das aptidões colectivas com o pensamento e com a comunicação no sentido de que as equipas possam desenvolver inteligência e capacidade maiores do que a soma dos talentos individuais. Essas pessoas desenvolvem um sentido de comunidade que premeia a organização e dá coerência às diversas actividades. O pensamento sistémico é a disciplina que integra as outras, fundindo-se num corpo coerente de teoria e prática. De acordo com Senge, se não existir uma orientação sistémica, não há motivação para analisar as “inter-relações” entre as disciplinas. É vital que as cinco disciplinas se desenvolvam como um conjunto. Isso é desafiador, pois é muito mais difícil integrar novas ferramentas do que simplesmente aplicá-las separadamente. Ampliando cada uma das outras disciplinas, o pensamento sistémico lembra-nos continuamente que a soma das partes pode exceder o todo. Mas as recompensas são enormes. É esta quinta disciplina aliada à perspectiva estratégica que permitirá à escola moldar o seu sistema com maior eficácia e agir mais de acordo com as envolventes social e económica. Nota bibliográfica: SENGE, Peter, 11. ed., A Quinta disciplina – arte, teoria e prática da organização de aprendizagem. São Paulo: Best Seller, 1990.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A perspetiva sistémica

No livro “The Fifth Discipline”, Peter Senge (1990, p.231) escreve: “A Visão pinta o retrato do que queremos criar. O Pensamento Sistémico revela como criamos o que nós temos atualmente”. Depois, ainda na mesma página, escreve algo muito pouco português: “A Visão torna-se uma força de vida apenas quando as pessoas acreditam verdadeiramente que podem dar forma a seu futuro. O simples fato é que a maioria dos gestores não experiencia o que está a contribuir para a criação da sua realidade atual. Assim, eles não veem como podem contribuir para mudar essa realidade. Os seus problemas são criados por alguém "lá de fora" ou pelo "sistema”. São “ELES” e nunca eu ou nós. É este “Ai Portugal, Portugal! Que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera e outro no fundo do mar! Ai Portugal, Portugal” (Jorge Palma – Acto Contínuo - 1982 ), em que temos de procurar o melhor que nele existe, que deve ser refundado e, sobretudo, liderado com visão e pensamento sistémico.

domingo, 3 de março de 2013

Fundamentos de Educação 8

21/06/2008 TRABALHO: ANÁLISE CRÍTICA E CIENTÍFICA AO LONGO DE TODA A MATÉRIA. Conceito de EDUCAÇÂO: - A dignidade e os direitos do homem; - O ideal da humanidade; - Reconhecimento da mais alta aspiração humana; - Ideal a atingir através do ensino e da educação. Educação não é ensino. Ela implica o desenvolvimento de todas as dimensões do ser humano (vontade, liberdade, sentimento e respeito). A Educação não é uma questão de razão e de inteligência. A questão essencial não é a ciência, é a ética. Saber para quê? Para termos mais coisas? Não. É para sermos melhores. Isso implica uma revolução total. O saber mais não chega. Mais ciência, mais ciência não nos torna melhores como pessoas humanas. Educar não é ensinar. A educação é tudo. É o desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões. Somos todos educadores e educandos. Educação ecossistémica – muito respeito pela casa. Se deixarmos perverter os valores ninguém se entende. PEDAGOGIA = ajudar, empurrar a vida de todos no seu todo. As migrações dos animais ajudam-nos a ser os verdadeiros cidadãos do mundo. O saber, a vida e o amor completam-se, não se excluem ou diminuem uns aos outros. DIMENSÃO AXIOLÓGICA Procurar o ideal da humanidade, a dimensão do EU no SER. O que é a nossa vida neste ciclo de 15 milhões de anos? Nós nem somos, nem estamos, passamos de…para, vamos…O verbo que nos define é o verbo IR de…para… Daí a importância do que está para além do que somos. Comer para trabalhar ou trabalhar para comer? Ter, saber, poder é diferente de ser. Os valores têm hierarquias. Há valores do espírito, valores morais e valores pessoais. Os valores morais são transcendentes, ilimitados e imateriais (verdade, justiça, honestidade, bondade). Os valores pessoais e os valores materiais (os que podem ser objecto de partilha) são limitados. Não podemos orientar a nossa vida para recursos limitados. O BEM E O MAL Vivemos para os valores (os fins alcançados). Tudo o que nos realiza e que nos causa bem-estar é BEM. MAL é tudo aquilo que não nos proporciona o BEM. BEM é tudo aquilo que todos queremos. MAL é o que nos traz o contrário. Agir bem ou agir mal é o nosso livre arbítrio. Uns de nós utilizamos bem a liberdade. Outros não. Podemos orientar as nossas acções ao serviço de cada um de nós. Os EU’s procuram colocar todo o serviço nas suas mãos. São os que não respeitam ninguém (egotistas). Este mundo, assim, é uma selva. Há mais solidariedade entre os bandidos. Educar é procurar ser cidadão, humano, direito e honesto. Os seres humanos são maus quando cada um só pensa em si (egoísmo, egotismo). Mais do que o bem e o mal o que é importante é o comportamento das pessoas. TOMÁS MORO (inglês) – jurista de renome chegou a chanceler de Inglaterra no tempo de Henrique VIII que o prendeu e mandou matar. Para Moro tudo o que era mau acontecia na ilha da Inglaterra. Assim, convidou o grande aventureiro NICLODEU e juntos criaram uma “nova” ilha onde todos seriam felizes. Só que não existia nenhuma ilha assim: UTOPIA. Se considerarmos os étimos de UTOPIA ( U = não, TOPIA = lugar) rapidamente percebemos o significado da palavra. Já que as ilhas não existem vamos planificá-las nós: SOCIALISTAS UTÓPICOS. Os homens têm que ser bons, ou a bem ou a mal. Actualmente, ninguém está contente com a sua sorte. Dois autores reflectiram sobre a sociedade actual e disso resultaram dois livros paradigmáticos: - O admirável Mundo Novo – ALDOUS HUXLEY; A sociedade decidiu acabar com os nascimentos normais. Tudo passou a ser tratado em laboratório. Cada ser humano era programado geneticamente para a tarefa. Todos ficariam contentes com a sua sorte. Dois deles fugiram à normalidade e começaram a dar que fazer e a falar de amor. - O triunfo dos porcos – GEORGE ORWELL. [NICOLAU BENDIEF] As utopias podem realizar-se. Temos que nos prevenir. As utopias e as contra-utopias. No século IX AC ZOROASTRO preocupou-se com a incompatibilidade entre o bem e o mal. Tinham de existir dois deuses: um do bem (ORASD) e outro do mal (ANIMED). No século III AC MANÉS deu origem ao Maniqueísmo. Existem dois deuses que estão permanentemente em guerra. SANTO AGOSTINHO foi, desde jovem, influenciado pelo maniqueísmo. Mais tarde proclamou que a fronteira entre o bem e o mal passa pelo meio de nós todos. Só podemos acabar com esta situação acabando connosco todos. A raiz do bem e do mal é a nossa liberdade. Nós temos liberdade de usar só o bem ou de usar só o mal. Assim, a única maneira de acabar com o mal é acabar com a liberdade humana. Moral da história: o que é que preferimos, acabar com o mal ou continuarmos livres? SÓCRATES defendia que ninguém faz o mal por querer. Todos fazem o mal por ignorância. Não será bem assim porque existe muita sabedoria maldosa. Apesar de tudo, este mundo é o melhor de todos. CHESTERION conta a história de um casal inglês cansado da ilha. Meteram-se num bote e foram à procura de outra ilha. Quando a encontraram, estavam outra vez na Inglaterra. Devemos procurar fazer sempre o bem. Aceitar o que os outros nos fazem de mal. Não no sentido de aceitar o que é mau mas, em nome do supremo valor da liberdade, temos de aceitar o que há de mal. Não aceitar leva à revolta, à destruição do EU e dos outros. Aceitar pertence à educação. Se não aceitarmos estamos à mercê da ventania. Aceitar a manutenção do livre arbítrio implica aceitar todo o bem e todo o mal. Não somos, passamos de e para. Qual é o caminho que devemos trilhar? A formação deve inclinar-se mais para o lado do bem. Na verdade e na mentira criam-se hábitos. Se disser sempre a verdade, a verdade será um hábito. Um hábito é uma sequência de actos. A conjugação de hábitos constrói o carácter. O carácter é a maneira de ser. Um hábito mau será um VÍCIO. Um hábito bom será uma VIRTUDE. (grego) ÉTHOS = hábito, (grego) ÊTHOS = carácter. (latim) AMORAL = não tem consciência da liberdade, (latim) IMORAL = moral negativa, (latim) MORAL = moral positiva, (latim) MORES = hábitos. A ÉTICA é o domínio/sítio dos princípios. A MORAL é o domínio/sítio dos costumes/hábitos/tradições DRAMA Portar-se bem é comportar-se de acordo com as leis (JUS = caminho direito). Tudo o que é direito respeita a justiça. Nos tempos primitivos a justiça era dura (pena de TALIÃO, Código de HAMURÁBI) = olho por olho, dente por dente. Foi evoluindo nas civilizações clássicas. AGAMENON era casado com CLIDMENESTRA que o mandou matar. O filho de ambos matou a mãe. As ERINIAS iam matar o filho. A deusa ATENA parou o processo e surgiram os tribunais. No Conselho de Justiça – dar a cada um o que lhe pertence. Assim nasce o conceito de justiça actual. A economia é uma desgraça. No Livro de Jó diz-se: Deus o deu, Deus o levou, bendito seja Deus, bem haja Deus. No século XIX dá-se a revolução proletária. Surgem no século XX as encíclicas papais que defendem que se deve dar a cada um o que precisa. A vida traz-nos situações raras. Muitas vezes temos que dar o que somos e o que temos. Racionalmente cometemos atitudes estúpidas que são consideradas heroicidades. Valeu a pena? Valeu o sacrifício? Sacrifício = oferecer, dar-se. Sacrilégio = tirar a Deus. A forma mais sublime de amar é darmo-nos. Começamos por receber tudo o que temos e o que somos. Acabamos por nos dar todos. Educação é o percurso que vai do receber tudo até ao dar tudo e darmo-nos todos. No fundo de tudo está o amar. FORMAÇÃO DE EDUCADORES ALDOUS HUXLEY – o pensador das anti-utopias, considera que as utopias funcionam bem até à impossibilidade de as aplicar. Depois da 2ªGM, no “Admirável Mundo Novo”, 2ªEdição, no prefácio, A. H. diz que foi criticado por intelectuais “por ser um deplorável exemplo de crise”. Um monumento aos professores deveria ser construído nas estripadas cidades europeias e japonesas. Na sua base a seguinte frase: “Se andas à procura do monumento, ele é este mas olha à tua volta. Em memória dos professores”. Como é que com tantas chamadas de atenção as guerras continuam a subsistir? [EDGAR FAURE] – “Aprender a ser”. A profissão de ensinar só terá futuro se se adaptar às novas estruturas de ensino. A função de educar ganha cada vez mais importância face ao instruir. A dimensão fundamental não é a do conhecimento. Sabe-se muito porque se ama. Porque se interessa/ama pelo/o ser humano. É fundamental estarmos dispostos a sacrificarmo-nos pelos outros. Na acção educativa não basta cumprir o programa. Esta é só uma das partes da educação. Não basta encher a memória. É dando toda a força à hierarquia dos valores. Educar não é apenas ensinar. O principal é criar condições para que o ser humano cresça em todas as dimensões. Criação endógena. Tudo o que é bom tem de nascer de dentro. Em liberdade. A formação de professores não pode continuar a ser altamente especializada. A educação era educação escolar. Hoje é necessário orientar a liberdade para a prática do bem, no seio da família humana e dignidade inerente. Atenção ao “soft power” da ONU [BANK i MOON]. 191 Estados aceitam posturas básicas sobre a formação moral. Nenhum de nós recebeu onerosamente a dignidade humana. Por isso, devemos respeitar a dignidade dos outros. Recebemos tudo o que temos e tudo o que somos pelo facto de sermos seres humanos. Devemos retribuir uns aos outros aquilo que nos foi atribuído. O acesso ao poder devia ser substituído por acesso ao serviço. (latim) MINISTRO = servente. O grande tema da filosofia: ser isto ou ser aquilo. Filósofo é o que pergunta sobre as coisas. Filosofar é gostar da filosofia. APEIRON = o ilimitado confuso. Tudo se confundia com tudo. Nada se distinguia de nada. O que é tudo isto? O grande problema é isto tudo! Na filosofia podemos utilizar dois grandes métodos para chegar à luz: - MAIÊUTICO = levar os outros a dar à luz as respostas; - IRÓNICO = perguntar, perguntar… PLATÃO perguntou: O que é cada coisa? A resposta que deu foi: a ideia. Para ARISTÓTELES a resposta era: o conceito. Perdemos a visão do todo: o ser. Na nossa vida é fundamental a interacção entre todos os aspectos que a compõem: - Saber crescer fisicamente; - Saber crescer intelectualmente; - Saber crescer moralmente. Dar aos outros o que precisam é bem. A educação é criar condições para que as pessoas se orientem para o bem, no sentido da realização dos valores. Ver [ÁLVARO GOMES – A aula]. EDUCAÇÃO é o processo em que utilizando COISAS (recursos/meios) [criação de condições], se vão transformando as PESSOAS (fins) [desenvolvimento em todas as dimensões] no sentido dos VALORES [plena realização]. TRABALHO: reflexão crítica da experiência pessoal à luz das grandes orientações/matéria que foram sendo abordadas. No trabalho final deve-se ter em conta: - Educar e saber educar; - Simplicidade e utilidade; - Deve debruçar-se sobre a experiência de educandos e educadores de cada um de nós; - Pegar em tudo o que é educar e saber educar das aulas; - Pôr em confronto/apreciação crítica/análise crítica a experiência e os fundamentos da educação. Andamos a fazer melhor ou pior? O que é que eu posso melhorar nas minhas práticas? - Desde os nossos princípios como filhos até à nossa actualidade.

Fundamentos de Educação 7

07/06/2008 1 - A educação ao longo da vida de cada um de nós não se pode pensar sem ser efectuada em comunidade. A educação de adolescentes (Convenção dos Direitos da Criança art.º 1º) e a educação de adultos deve ser integrada na educação comunitária. Os meus filhos dependem de mim, dependo dos meus colegas e eles dependem de mim. Todos dependemos de todos. É a educação ecossistémica. Educação é contribuir para que as coisas sejam utilizadas para criar condições para que todos os seres humanos se desenvolvam e cresçam dentro de um referencial de valores. 2 – A pedagogia tem de evoluir para a antropagogia. Partindo dos étimos (PAI, PEIDOS = condução das crianças e PU = fazer impelir o rebentar da vida) não pode continuar a ter o sentido antigo da condução das crianças. É preciso compreender o processo da VIDA, não esquecendo os MITOS, as FILOSOFIAS e as REVELAÇÕES. A mentalidade primitiva não permite esquecer o passado, os antepassados, os mitos e os ritos. A mentalidade primitiva privilegia o passado e tudo se resolve com festas (eleições?). Os antepassados existiram? Sim. No seio dos grandes grupos de pessoas e civilizações processou-se a estratificação social, surgiram ideais filosóficos (Confúcio, Lao Tsé, Buda, Mahaira, Zoroastro, 1ºs Filósofos pré-socráticos) e colocou-se a primeira questão ateísta: haverá deuses? Surgiu também a distinção entre o SUJEITO (aquele que pergunta) e o OBJECTO (aquilo sobre o que se pergunta). Do universo a Deus, passando por nós devemos saber tudo o que possa ser importante. Como não temos capacidade de saber tudo, sabemos sempre pouco. Então o melhor é que cada um trate de si. Como é que eu consigo ser, ser… E cá temos o egoísmo, o narcisismo e o egotismo (em grego = autismo). Cada um a abrir o seu caminho = selva. Assim, surge naturalmente a (grego) KALOCAGATIA = EDUCAÇÃO, baseada na PAIDEIA (desenvolvimento da criança no sentido da ARETHÊ = o melhor, o número um, o máximo, o ARISTOS), ou seja, na competitividade. KALOS = belo, CAI = e, AGATÓS = bom, GYMNOS = jovem adolescente, MUSHICÉ = teatro, música, todas as artes. REVELAÇÕES O budismo é uma filosofia, não é uma religião. Aparece no Médio-Oriente. As revelações surgem em culturas ligadas aos povos e não às terras. O Judaísmo é a revelação ao povo de Israel. O Cristianismo é a revelação ao povo de Cristo. O Islamismo é a revelação ao povo do Islão. A cultura reduz-se à revelação. O profeta diz que recebeu uma mensagem da revelação de DEUS. A cultura vem toda das revelações. A ideia de Deus aparece de novo. Deus é um ser absoluto/infinito, tem um saber/conhecer infinito e tem um amor infinito/absoluto. Desaparece a distinção entre objecto e sujeito. Não há base para a competitividade e sim para a solidariedade. O universo inter-subjectivo da família humana é que é importante. Só pode funcionar se nos abrirmos uns aos outros. Depois ou acreditamos ou não acreditamos. Tudo o resto tem de estar ao nosso serviço. O que eu preciso para me movimentar é conhecer os outros. O que ele pensa e o que ele quer. A grandeza do ser humano é ser inviolável do ponto de vista da sua individualidade. EMETE (Amén na liturgia) = rocha. Na Grécia o que é evidente é luminoso. O critério da verdade sobre as coisas é a luz. No entanto, a escola tem que evoluir no sentido da fé. A família humana deve dar mais prioridade àqueles que mais precisam. A diversidade de origens, a riqueza cultural resultante do dinamismo das origens é importante no processo que conduz as pessoas à sua total realização (EDUCAÇÃO). DIMENSÃO AXIOLÓGICA Esta parte da matéria trata do desenvolvimento da pessoa no sentido dos valores. (grego) AXIOS = valor. Temos que nos debruçar sobre os princípios/origens/fontes. Mas nunca podemos deixar de percepcionar os fins/metas/alvos (a última parte do ser de uma coisa/o que é que queres ser quando fores grande? O mais ser a que puder chegar). Colocam-se questões como a de Fernão Capelo Gaivota: as gaivotas voam para comer? Ou comem para voar? O mais forte é o fim último. Valor deriva do (grego) AXIOS e do (latim) VALES, VALERE que significa ter saúde/ força vital/coragem. Todas as coisas são valores de utilidade para… Nós não somos coisas para usar…Não me tratem como objecto…A pessoa é o fim de todos os meios e não o meio para qualquer fim = VALORES PESSOAIS. Verdade, solidariedade, amor = VALORES TRANSCENDENTAIS/ESPIRITUAIS. Há que viver para… Podemos sintetizar tudo no verbo TER: - Ter haveres; - Ter conhecimentos; - Ter poder. Os valores do ser são de natureza qualitativa X Os valores do ter são de natureza quantificável. Os valores do ser são da ordem do ilimitado X Os valores do ter são da ordem do limitado. Os valores do ser são da ordem da participação X Os valores do ter são da ordem da partilha. Conta-se uma história daquela mulher que tinha um filho, um bolo e o seu amor. O filho tinha cem por cento do bolo e do seu amor. A mesma mulher com cinco filhos, um bolo e os seu amor. Os filhos tinham cem por cento do seu amor mas só um quinto do bolo. Ler Capítulo Variações sobre a Utopia.

A Serra da Leba

A Serra da Leba
A sombra das luzes