terça-feira, 2 de julho de 2013
O epitáfio de um ser distante
Veio de nada ser conhecido. Não se deixou conhecer. Vai, novamente, passar despercebido.
Quando virmos, algures, este epitáfio, político, desconheceremos a quem se refere. É aproveitar, enquanto o corpo, político, está quente, para lhe fazermos, na tumba, o que gostaríamos que o cão fizesse. Aliviemos as nossas necessidades de indignação com líquidos já que as vaias vão deixar de fazer sentido.
Não nos esqueçamos mais do tempo e do modo em que ele entrou nas nossas vidas e do que nos fez, politicamente.
A avalanche dos austeros
Numa sociedade do conhecimento, o dito não se esconde, partilha-se e dissemina-se.
Quando o conhecimento é, por sua vez, ideológico, então vale quase tudo. Os políticos de todos os quadrantes esmeram-se na sua subordinação e no controlo da sua utilização.
O conhecimento, apesar de ser o principal fator de crescimento e de desenvolvimento das sociedades, é irrepetível e, ainda, não se consegue copiar o conhecimento de ninguém.
Com a atual avalanche dos praticantes da austeridade, vai-se assistir a uma nova, mas sempre mesquinha, apropriação do conhecimento e das suas conclusões.
Como não há dinheiro, não há disseminação do conhecimento. Iremos pagar, com juros, esta falha do modelo dos austeros. Se fosse a primeira...
domingo, 30 de junho de 2013
A coragem de ter medo
A nossa vida é, rotineiramente, uma sucessão de equilíbrios/consensos que nos vão mantendo mas que podem, fatalmente, voltar-se contra nós.
Não assumimos as nossas diferenças porque temos medo que nos coloquem fora do grupo onde assumirmos ser alternativos. O ensino e a aprendizagem da sensibilidade e do direito à diferença estão ausentes dos currículos e das práticas das escolas. Quase sempre, são encarados como traços de caráter ou de preocupação valorativa de professores envolvidos na transformação positiva das personalidades.
De uma forma geral, treina-se, ensina-se e lidera-se, para a unanimidade. A importância da diferença como fator de desenvolvimento e de progresso é facilmente confundido com concorrência e inimizade. As diferenças são vistas, pelos que mandam, como males a eliminar e, raramente, como possíveis fatores de melhoria.
Assim, não se queixem aqueles que, neste preciso momento, se agarram aos equilíbrios e não refletem no que se passa, verdadeiramente, à sua volta. Enquanto é tempo, assumam as diferenças como fatores positivos e decisivos na solução dos problemas. Aceitem a crise como oportunidade de criar um futuro menos cinzento e mais amigável.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Faz de conta 2
O poeta é um fingidor,,,(Fernando Pessoa)
Quando Pessoa escreveu este poema, ainda os negócios se fechavam com um aperto de mão entre as duas partes. Pessoa foi um viajante no tempo. Estava adiantado à sua geração e só foi entendido pelas gerações seguintes, após trabalho árduo dos que dele não se esqueceram.
O fingimento é um dos elementos da nossa matriz cultural. - Não vi, não aconteceu, não estava presente! Não sei de nada!
Fazer de conta é um estado de normalidade normalmente aceite como normal. Quer dizer, quem é que nunca errou? Quem é que nunca fez de conta que não era nada consigo?
Eu não estou a fazer jogo de costumes ou de valores. Eu estou a assumir que também já fiz de conta e que também fingi. Só que estou a transmitir-vos o resultado do aumento da minha auto-consciência: eu quero mudar, deixar de ser e de fazer o que já fiz de menos correto.
- Mas caro amigo, "errar é humano"!, repete-me a consciência. De facto, até isso está a mudar. A frase feita, com tanto fingimento à mistura, passou a conjugar-se: ERRAR É GASPAR....
terça-feira, 4 de junho de 2013
Prometer é contrair uma dívida
Nestes tempos de swaps, de défices excessivos e de dívidas públicas de três dígitos, é importante não esquecer os valores. Sim, o que vale acima do seu valor material de curto prazo, o valor do intangível referente ao longo/eterno prazo.
Quando se faz uma promessa, por simples que seja, há que a cumprir. Vivemos um tempo de tempos em que as promessas não se cumprem e não acontece nada.
A culpa é do contexto, do mercado ou do clima que estão em permanente inconstância. A culpa nunca é de quem prometeu porque, ou a promessa foi vã, ou já não era para se cumprir.
Tal estado de coisas configura a situação ilustrada no barómetro 2013 da Eldelman Trust no que se relaciona com a opinião sobre os governantes: só 36% são confiáveis. Ainda a partir do mesmo relatório podemos extrair que existe um diferencial enorme (média de 28%) entre a confiança na instituição governo e a confiança nos membros do governo que falam verdade.
Quem prometeu que pague a dívida.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Faz de conta
Algumas pesquisas realçam que os líderes são fundamentais para a construção de confiança nas organizações, e essa confiança na liderança está significativamente relacionada com uma série de atitudes, comportamentos e resultados de desempenho. Na sua meta-análise de amostras independentes, 106 amostras, Dirks e Ferrin, (2002, p. 618) concluíram que a confiança na liderança estava relacionada positivamente com uma variedade de resultados, incluindo o desempenho do trabalho, os comportamentos de cidadania organizacional, o comprometimento organizacional e a satisfação no trabalho, enquanto se relacionava negativamente com a intenção de sair da organização.
Num tempo de desconfiança instalada, em que nem sequer quem tem de dar exemplos o consegue, temos o desempenho "entornado". Alguém responsável se esqueceu que a confiança acelera relacionamentos e negócios. O "momento do investimento" pode ser mais um dos momentos de "faz de conta".
segunda-feira, 27 de maio de 2013
A rico não devas. A pobre não prometas.
O primeiro segredo da confiança é honrar as promessas. A confiança depende das promessas e do seu cumprimento ou daquilo a que os advogados chamam contratos. Poucos percebem que as demonstrações de resultados das empresas consistem em promessas e não em dinheiro. Não há "dinheiro real" quando nos referimos aos lucros e perdas; em vez disso, a base de reflexão são as contas a receber e as contas a pagar as quais são meramente promessas de pagamento pelos bens e serviços já vendidos ou recebidos.
Para construir a confiança também devemos estar dispostos a fazer promessas e esta é a segunda etapa. Um dos mais difíceis desafios de gestão é fazer com que os seguidores usem uma linguagem direcionada para os objetivos. Muitas vezes supomos que se não fizermos promessas nunca teremos que nos preocupar com a sua quebra. Assim podemos esconder-nos atrás do "Vou tentar", em vez de "Eu vou fazer" tentando passar ao lado da responsabilidade através da ambiguidade e da conversa “fiada”.
O terceiro segredo para estabelecer confiança é prometer pouco e realizar mais do que se prometeu. Prometer demais é o outro lado do prometer de menos e ambos são prejudiciais. Negociar antecipadamente é muito mais eficaz na criação e manutenção da confiança do que as desculpas inevitáveis que surgem quando uma promessa não é cumprida. Nós envolvemo-nos demais porque queremos que as outras pessoas gostem de nós, mas a melhor maneira de arruinar um relacionamento é não cumprir as nossas promessas.
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