quarta-feira, 17 de julho de 2013
É preciso acreditar
Deixem-me colocar-vos uma pergunta. Porque é que as pessoas acreditam mais nos colegas do que nos líderes?
A resposta é que, provavelmente, tais líderes, sejam do setor público ou do privado, apesar da sua retórica, não se têm esforçado para construir a confiança com os interessados, incluindo empregados, clientes, admiradores ou comunidades.
Pensavam, erradamente, que não iam precisar da confiança de ninguém para nada. Bastava mandar e pronto! Não sabiam ou não queriam saber que existe uma relação, quase umbilical, entre a confiança e o envolvimento no trabalho, a retenção de talentos e a eficácia organizacional.
Por isso, aos líderes não basta mandar, é preciso que os seguidores acreditem, cedendo a sua vulnerabilidade, nas mãos da competência, da abertura, da fiabilidade e, já agora, na bondade do mando.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Todos os momentos que vivemos são de liderança
Quando escolhemos viver - e isso acontece a partir do momento em que somos projetados, literalmente deixados cair, para o que se passa por aqui - temos que começar logo a liderar a nossa vida. Se no princípio somos apaparicados e lideramos sem esforço, mais tarde vamos ter de o fazer com outra atitude. Isso significa que vamos ter de estar preparados para fazer sacrifícios, ensinar, aprender, permanecer abertos a um feedback honesto e jamais pressupor que podemos fazer tudo sozinhos.
É por isso que, quando escolhemos liderar a nossa vida, a toda a hora, sem com isso ficarmos obsessivos, temos de desenvolver um relacionamento muito especial com os outros. Essa relação está nos antípodas da sintonia permanente. Passa mais pelo conflito construtivo, com criatividade e inovação, e pela confiança, sempre em construção.
Quando escolhemos liderar a nossa vida, estamos a preparar o futuro vivendo um presente autêntico e corajoso.
terça-feira, 2 de julho de 2013
O epitáfio de um ser distante
Veio de nada ser conhecido. Não se deixou conhecer. Vai, novamente, passar despercebido.
Quando virmos, algures, este epitáfio, político, desconheceremos a quem se refere. É aproveitar, enquanto o corpo, político, está quente, para lhe fazermos, na tumba, o que gostaríamos que o cão fizesse. Aliviemos as nossas necessidades de indignação com líquidos já que as vaias vão deixar de fazer sentido.
Não nos esqueçamos mais do tempo e do modo em que ele entrou nas nossas vidas e do que nos fez, politicamente.
A avalanche dos austeros
Numa sociedade do conhecimento, o dito não se esconde, partilha-se e dissemina-se.
Quando o conhecimento é, por sua vez, ideológico, então vale quase tudo. Os políticos de todos os quadrantes esmeram-se na sua subordinação e no controlo da sua utilização.
O conhecimento, apesar de ser o principal fator de crescimento e de desenvolvimento das sociedades, é irrepetível e, ainda, não se consegue copiar o conhecimento de ninguém.
Com a atual avalanche dos praticantes da austeridade, vai-se assistir a uma nova, mas sempre mesquinha, apropriação do conhecimento e das suas conclusões.
Como não há dinheiro, não há disseminação do conhecimento. Iremos pagar, com juros, esta falha do modelo dos austeros. Se fosse a primeira...
domingo, 30 de junho de 2013
A coragem de ter medo
A nossa vida é, rotineiramente, uma sucessão de equilíbrios/consensos que nos vão mantendo mas que podem, fatalmente, voltar-se contra nós.
Não assumimos as nossas diferenças porque temos medo que nos coloquem fora do grupo onde assumirmos ser alternativos. O ensino e a aprendizagem da sensibilidade e do direito à diferença estão ausentes dos currículos e das práticas das escolas. Quase sempre, são encarados como traços de caráter ou de preocupação valorativa de professores envolvidos na transformação positiva das personalidades.
De uma forma geral, treina-se, ensina-se e lidera-se, para a unanimidade. A importância da diferença como fator de desenvolvimento e de progresso é facilmente confundido com concorrência e inimizade. As diferenças são vistas, pelos que mandam, como males a eliminar e, raramente, como possíveis fatores de melhoria.
Assim, não se queixem aqueles que, neste preciso momento, se agarram aos equilíbrios e não refletem no que se passa, verdadeiramente, à sua volta. Enquanto é tempo, assumam as diferenças como fatores positivos e decisivos na solução dos problemas. Aceitem a crise como oportunidade de criar um futuro menos cinzento e mais amigável.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Faz de conta 2
O poeta é um fingidor,,,(Fernando Pessoa)
Quando Pessoa escreveu este poema, ainda os negócios se fechavam com um aperto de mão entre as duas partes. Pessoa foi um viajante no tempo. Estava adiantado à sua geração e só foi entendido pelas gerações seguintes, após trabalho árduo dos que dele não se esqueceram.
O fingimento é um dos elementos da nossa matriz cultural. - Não vi, não aconteceu, não estava presente! Não sei de nada!
Fazer de conta é um estado de normalidade normalmente aceite como normal. Quer dizer, quem é que nunca errou? Quem é que nunca fez de conta que não era nada consigo?
Eu não estou a fazer jogo de costumes ou de valores. Eu estou a assumir que também já fiz de conta e que também fingi. Só que estou a transmitir-vos o resultado do aumento da minha auto-consciência: eu quero mudar, deixar de ser e de fazer o que já fiz de menos correto.
- Mas caro amigo, "errar é humano"!, repete-me a consciência. De facto, até isso está a mudar. A frase feita, com tanto fingimento à mistura, passou a conjugar-se: ERRAR É GASPAR....
terça-feira, 4 de junho de 2013
Prometer é contrair uma dívida
Nestes tempos de swaps, de défices excessivos e de dívidas públicas de três dígitos, é importante não esquecer os valores. Sim, o que vale acima do seu valor material de curto prazo, o valor do intangível referente ao longo/eterno prazo.
Quando se faz uma promessa, por simples que seja, há que a cumprir. Vivemos um tempo de tempos em que as promessas não se cumprem e não acontece nada.
A culpa é do contexto, do mercado ou do clima que estão em permanente inconstância. A culpa nunca é de quem prometeu porque, ou a promessa foi vã, ou já não era para se cumprir.
Tal estado de coisas configura a situação ilustrada no barómetro 2013 da Eldelman Trust no que se relaciona com a opinião sobre os governantes: só 36% são confiáveis. Ainda a partir do mesmo relatório podemos extrair que existe um diferencial enorme (média de 28%) entre a confiança na instituição governo e a confiança nos membros do governo que falam verdade.
Quem prometeu que pague a dívida.
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