terça-feira, 27 de abril de 2010

A necessidade da leveza

Existem pessoas que têm sempre peso a mais.
Podem ser magras e fibrosas que não se safam. Têm sempre peso a mais.
É da influência dizem outros. Talvez...
Os castelhanos consideram que são chatos os que são pesados. Ou seja, por muito que se queira ser magro pode não se ser leve.
O momento de impacto de uma relação ou de uma palavra será medido enquanto ponto de contacto com as outras pessoas. O peso passará pela importância que se der aos acontecimentos.
Daí que é preciso não perder peso nos momentos da verdade, sem contudo, constituir peso para ninguém.
Ser leve é ter a capacidade de fluir entre as preocupações e de falar claro.
Ser leve é acrescentar ao discurso sem o tornar redondo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O choque cultural

Que este país está a precisar de abanões ninguém duvida.
Há quem lhe vá chamando choques. As palavras valem o que valem mas o que interessa é o seu resultado. De facto, Guterres brindou-nos com a "paixão da educação" e abanou-nos de tal forma que o seu, então, Secretário de Estado do Ambiente se transformou, rapidamente, em Primeiro Ministro e desfez tudo o que tinha sido feito. Depois veio o abanão da "tanga" que depressa se transformou em fato e gravata Louis Vuiton e carro de alta cilindrada da Comissão Europeia. Intrépido corredor de fundo chega o choque tecnológico de Sócrates que nos trouxe pérolas como o Magalhães e a banda larga em todo o lado. Até à crise chegar, houve que a ir adiando o mais possível sem outra solução que o apertar de uma cintura já de si delgada.
Está, acreditem, na altura do choque cultural. O futebol já não congrega ninguém, até é factor de divisão e perturbação da ordem pública. O fado ainda não é património cultural da humanidade porque é ainda demasiado bisonho, localizado e fechado sobre si próprio. Fátima é cada vez mais dinheiro, cera e make-up e está longe de se poder constituir um elemento cultural de agregação.
Marcelo Rebelo de Sousa veiculou a ideia de Scolari de colocar a bandeira à janela como elemento de identificação mas também isso foi passageiro.
Muitos falam da Língua Portuguesa como o traço distintivo e congregador. Só que a língua é quotidiano, é contacto, é convívio, enfim, é partilha. Não temos nada para partilhar uns com os outros. Não existe um chimarrão de mate que nos consiga unir num círculo de qualidade. Há que o descobrir porque as civilizações e as sociedades morrem quando deixam de ter interesse para quem nelas sobrevive.

A Serra da Leba

A Serra da Leba
A sombra das luzes