“Era uma vez uma pessoa que acreditava nas outras pessoas”.
Era assim uma espécie de “karma”, ou seja, de “cruz” a carregar durante a vida inteira. Quem acredita sempre alcança. No entanto, o ditado é bem diferente.
Estou, como já devem ter reparado, a ironizar com a actual situação de um reino que será país sempre que o desejarmos.
A manhosice que se preza assume-se por inteiro. A manhosice, enquanto projecto de vida, é uma atitude psicológica associada ao sucesso.
Voltemos à nossa estória.
“As pessoas viviam umas com as outras em harmonia e respeito. Existia segurança e tudo o que as pessoas desejavam acontecia.
Era um reino tranquilo, em que a vida se facilitava a ela própria. Tudo corria bem, todos eram felizes. Um dia, algo de estranho aconteceu…
O sol trazia menos luz do que era costume. Todas as pessoas se interrogaram.
– O que terá acontecido? Quem terá ficado com o resto?
Rapidamente todos aceitaram o que aconteceu e a vida continuou, no dia seguinte.”
Se estivéssemos no tal país a que me referi, a explicação existiria. Tinha sido uma pessoa que tinha ficado com a outra parte da luz do sol e ninguém tinha descoberto. Conseguiu fugir porque tinha informação privilegiada sobre a forma de atuar das forças policiais e, fundamentalmente, continuava a fazer a sua vida normal, sempre a queixar-se.
Era um(a) manhoso(a), conhecia toda a gente da rua dele(a) e, muito importante, procurava saber da vida toda dos outros. Para além disso, conhecia a prima do padrinho do avô da esposa do Ministro da Segurança a quem tinha oferecido um leitão na última Páscoa.
Quem o via assim a subir na vida começou a ter inveja do seu sucesso e, passou a fazer o mesmo…
O reino da manhosice virou então um reino de sucesso a nível interno. Tornou-se o reino dos que, enganando-se uns aos outros, sobreviviam a partir da atitude de ser manhoso, a qual passou a ser entendida como um valor seguro.
“- Olha o sol está cada vez menos luminoso!
- Deixem lá que é assim em todo o lado.”
Moral da estória: a máxima expressão da manhosice ficou conhecida como “chico espertismo” e, na maioria dos casos, confundiu-se com a política.
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