domingo, 30 de junho de 2013
A coragem de ter medo
A nossa vida é, rotineiramente, uma sucessão de equilíbrios/consensos que nos vão mantendo mas que podem, fatalmente, voltar-se contra nós.
Não assumimos as nossas diferenças porque temos medo que nos coloquem fora do grupo onde assumirmos ser alternativos. O ensino e a aprendizagem da sensibilidade e do direito à diferença estão ausentes dos currículos e das práticas das escolas. Quase sempre, são encarados como traços de caráter ou de preocupação valorativa de professores envolvidos na transformação positiva das personalidades.
De uma forma geral, treina-se, ensina-se e lidera-se, para a unanimidade. A importância da diferença como fator de desenvolvimento e de progresso é facilmente confundido com concorrência e inimizade. As diferenças são vistas, pelos que mandam, como males a eliminar e, raramente, como possíveis fatores de melhoria.
Assim, não se queixem aqueles que, neste preciso momento, se agarram aos equilíbrios e não refletem no que se passa, verdadeiramente, à sua volta. Enquanto é tempo, assumam as diferenças como fatores positivos e decisivos na solução dos problemas. Aceitem a crise como oportunidade de criar um futuro menos cinzento e mais amigável.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Faz de conta 2
O poeta é um fingidor,,,(Fernando Pessoa)
Quando Pessoa escreveu este poema, ainda os negócios se fechavam com um aperto de mão entre as duas partes. Pessoa foi um viajante no tempo. Estava adiantado à sua geração e só foi entendido pelas gerações seguintes, após trabalho árduo dos que dele não se esqueceram.
O fingimento é um dos elementos da nossa matriz cultural. - Não vi, não aconteceu, não estava presente! Não sei de nada!
Fazer de conta é um estado de normalidade normalmente aceite como normal. Quer dizer, quem é que nunca errou? Quem é que nunca fez de conta que não era nada consigo?
Eu não estou a fazer jogo de costumes ou de valores. Eu estou a assumir que também já fiz de conta e que também fingi. Só que estou a transmitir-vos o resultado do aumento da minha auto-consciência: eu quero mudar, deixar de ser e de fazer o que já fiz de menos correto.
- Mas caro amigo, "errar é humano"!, repete-me a consciência. De facto, até isso está a mudar. A frase feita, com tanto fingimento à mistura, passou a conjugar-se: ERRAR É GASPAR....
terça-feira, 4 de junho de 2013
Prometer é contrair uma dívida
Nestes tempos de swaps, de défices excessivos e de dívidas públicas de três dígitos, é importante não esquecer os valores. Sim, o que vale acima do seu valor material de curto prazo, o valor do intangível referente ao longo/eterno prazo.
Quando se faz uma promessa, por simples que seja, há que a cumprir. Vivemos um tempo de tempos em que as promessas não se cumprem e não acontece nada.
A culpa é do contexto, do mercado ou do clima que estão em permanente inconstância. A culpa nunca é de quem prometeu porque, ou a promessa foi vã, ou já não era para se cumprir.
Tal estado de coisas configura a situação ilustrada no barómetro 2013 da Eldelman Trust no que se relaciona com a opinião sobre os governantes: só 36% são confiáveis. Ainda a partir do mesmo relatório podemos extrair que existe um diferencial enorme (média de 28%) entre a confiança na instituição governo e a confiança nos membros do governo que falam verdade.
Quem prometeu que pague a dívida.
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