terça-feira, 24 de junho de 2014
A dádiva
A ciência e a técnica não conseguem equacionar a dádiva. O Estado não a pode taxar e o mercado tenta, mas não consegue, reduzi-la a mercadoria/bem ou serviço.
A dádiva é, simultaneamente, anárquica e acrática. No entanto, carrega consigo o peso da tradição e da sabedoria ancestral. Pode ser entendida, mas não encerrada, num corpo de conceitos. Como se diz atualmente, ela é quântica, no sentido do não-linear, do indeterminado, do difuso e do incerto.
A dádiva está em campo oposto ao coeteris paribus, à acumulação, à eficiência, à produtividade e à utilidade. Como elemento paradoxal da nossa existência, a dádiva enforma o que nos preocupa e amedronta nas obrigações, nas perdas, nas diferenças, nas dívidas, nas trocas e nas relações.
A dádiva é a demonstração cabal da nossa primitividade positiva.
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