sábado, 2 de abril de 2016

Florescer ou murchar

O professor e psicólogo chileno, Marcial Losada, dedicou a sua vida a entender o que faz um indivíduo, uma equipa ou uma organização florescer ou murchar. Autor de um estudo polémico que defendia a necessidade de um rácio de três acontecimentos ou pensamentos positivos para a superação de um só negativo, supostamente aplicou as ciências sociais o rigor dos modelos matemáticos, nomeadamente os estudos do chaotic atractor do sistema de Lorenz. Durante anos, ele observou grupos de executivos em discussões estratégicas, destinadas a tomar decisões fundamentais para os negócios. Pacientemente, anotava e filmava o comportamento, os gestos e as palavras dos participantes, apostando na qualidade da decisão final. Ele descobriu que a qualidade das decisões tomadas estava ligada a um fenómeno, que chamou de conectividade. Segundo Losada, ele segue três parâmetros: - A equipa de executivos passa muito tempo dedicando-se a assuntos externos e internos, ou seja, exploram e trabalham tanto as questões relativas ao mercado, clientes e contexto estratégico quanto os assuntos internos, como a dinâmica do grupo, a cultura da empresa e outros desafios organizacionais. - O grupo gasta tanto tempo a explorar as questões (problemas) quanto a concluir ou a discordar. As discussões estratégicas serão fracas se todos concordarem sempre, ou ficarem "trocando repetidos" sem concluir nada, e estarão bloqueadas se cada um tentar impor a sua visão, excluindo a dos outros. - É possível perceber na equipa de executivos a ocorrência de três a cinco vezes mais comportamentos agregadores de valor do que comportamentos tóxicos.

Por falar de um admirável mundo novo

Aldous Huxley escreveu pelo menos dois livros em que a frase "admirável mundo novo" aparece. Um deles, introdutório, Brave New World, Admirável Mundo Novo, trata das utopias e da sua realização. Por isso, mais uma vez, trago aqui a este espaço de informação e troca de ideias o conceito dos "Excelentes lugares para trabalhar" que está relacionado com o constructo organizações autentizóticas criado por Kets de Vries (2001). Em livros como Coach and Couch e The Leader on the Couch, Kets de Vries sugere que as organizações devem ser o que ele chama de autentizóticas. Com base nas palavras gregas authenteekos (autêntica) e zoteekos (vital para a vida), ele refere-as como organizações em que "a pessoa se sente realmente viva" e que são uma "bandeira para mostrar que estas são as melhores empresas para se trabalhar". Uma análise profunda dessas empresas revela que elas estão baseadas em valores humanos, tais como a confiança, a diversão, a sinceridade, a capacitação e respeito pelo indivíduo, a justiça, o trabalho em equipa, a orientação para o cliente, a responsabilidade, a aprendizagem contínua e a abertura Ã* mudança. Essas empresas são também diferentes por serem amigas das famílias. Estas características explicam de forma cabal o sucesso de muitas organizações aprendentes, com visão de futuro, elencadas na revista Fortune. Na interseção do comportamento interpessoal com o funcionamento organizacional podem ser encontrados os alicerces de uma nova perspetiva de análise da saúde física e psicológica dos trabalhadores nas organizações em que dá prazer trabalhar. As organizações autentizóticas serão aquelas em que as pessoas tenham gosto de participar, ativamente, no engrandecimento da organização através do seu trabalho.

A Serra da Leba

A Serra da Leba
A sombra das luzes