sexta-feira, 27 de abril de 2012

A confiança, apesar de ser virtude social

A confiança é, muitas vezes, confundida com a utopia. Como algo que, na situação presente, não passa de um desejo de alguns líricos e, ainda, é aceite como virtude social. Sejamos claros, a maioria das transações económicas só se concretizam porque as pessoas confiam umas nas outras. Apesar de existirem alguns “lugares comuns” como, por exemplo, “Anda meio mundo a enganar outro meio”, “só se fia a maiores de oitenta anos acompanhados pelos respetivos avós”, “Vale mais um pássaro na mão que dois a voar”, eles sinalizam a falta de cooperação espontânea, sinal de confiança, que vai caraterizando a nossa vida coletiva. Nos negócios, como nas outras relações humanas é fundamental existir confiança. O Banco Mundial aponta a confiança como um indicador da saúde económica de um país. Pode comprovar-se exatamente isso nos sucessivos casos de bail-out com vista a evitar o default da Grécia. Os credores não têm grande confiança na capacidade de honrar compromissos por parte da Grécia, por isso os juros associados à expetativa de incumprimento são muito elevados. Os próprios gregos não confiam nos outros e cada vez menos acreditam em si próprios. Estamos a passar por isto em Portugal e quase não nos apercebemos que a confiança está em default. No que se relaciona com o comportamento humano, a confiança é uma situação de vulnerabilidade associada à segurança e ao exercício das liberdades individuais. Nas organizações funciona como um mecanismo de coordenação e controlo. Numa das teorias da liderança, a teoria LMX – Leader Member Exchange, uma das caraterísticas é a existência, dependente do líder, de dois grupos distintos, o “grupo in” e o “grupo out”. A diferença entre os dois grupos radica nas relações de confiança entre o líder a as pessoas que fazem parte dos grupos. No grupo interior existe confiança, logo cresce a probabilidade de trocas e partilha de informação, reduzem-se os conflitos e aumenta a satisfação e a motivação geral. No grupo exterior as relações entre os seus membros são reguladas por instrumentos burocráticos, controlos, regras e procedimentos formais.

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