domingo, 26 de janeiro de 2014

Em quem eu confio, nem às paredes confesso

Hoje trago-vos mais algumas reflexões sobre um tema que reputo de mágico: a confiança. Em Portugal somos quase todos influenciados pela matriz judaico-cristã de pensamento. São as virtudes, os pecados, os mitos e, sobretudo, são os esqueletos no armário. Daí que, não admire que o grupo de três possíveis tipos de confiança, que estabelecemos entre nós, comece pela confiança-temor. Sim aquela que se baseia no medo de represálias no caso de a confiança deixar de existir, tão comum, infelizmente, nos casos de violência doméstica. Depois, vem a confiança baseada no conhecimento, a confiança-racional, que não é mais do que o comportamento previsível que deriva de um historial de interações. Se sempre confiei é lógico que continue a confiar. Finalmente, aquele tipo que é mais caro, entenda-se difícil, a confiança-relacional. Ou seja, a confiança baseada na compreensão mútua das intenções dos outros e na apreciação das vontades e desejos de todos os intervenientes na relação. É por isso que estamos como estamos. Não preservamos as relações e não confiamos em quase ninguém. Às vezes nem em nós próprios.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Um líder vulnerável vale por dois

As pessoas, à semelhança da maior valorização com que encaram os aspetos negativos da vida, referem-se mais à desconfiança do que à confiança, principalmente, porque se sentem traídos ou abandonados pelos outros. A confiança é como o ar puro. Só nos apercebemos da sua falta quando desaparece. De facto, precisamos dela para sermos saudáveis. Na essência da confiança estão os valores fundamentais do relacionamento humano: a honestidade, a integridade e o respeito pelos outros. Depois, numa escala de inferência, ganha sentido a existência de valores organizacionais e constitucionais. Cabe aos líderes das organizações e aos líderes políticos porem em prática os valores fundamentais, pois as realizações implicam mais do que palavras escritas.Mas a maioria dos políticos, banqueiros e líderes atuais falharam na prática dos valores fundamentais, criando um ambiente de desconfiança nas instituições e nas leis que as regulam. A incerteza, a vulnerabilidade e a confiança estão relacionadas. A colaboração e a ajuda mútua são necessárias para se poder aceitar os riscos que caraterizam a nossa atual forma de viver. Daí que a aposta no restabelecimento da confiança seja o maior desafio atual das pessoas, das organizações e das sociedades/civilizações. A confiança é uma sensação positiva, enquanto o medo e a raiva, sensações negativas, são o sinal da confiança traída nas nossas relações e contextos. Todos nós precisamos de previsibilidade e de boa vontade para nos aceitarmos na nossa vulnerabilidade face aos outros. A previsibilidade resulta do equilíbrio existente no contexto em que evoluímos. A boa vontade gera os relacionamentos positivos. A aceitação da nossa vulnerabilidade é uma sensação regeneradora da nossa capacidade de confiar. Em tempos de incerteza, os líderes têm vindo a focar-se nos números, nos indicadores económicos e financeiros, mostrando extrema frieza relativamente aos erros, às emoções e às demonstrações de incerteza. Tudo isso porque temem perder o controlo da situação e também porque não aprenderam a atuar em contextos caórdicos. Os líderes têm que ser corajosos e aceitar a sua própria vulnerabilidade face aos outros. A aceitação da vulnerabilidade é o caminho para renovar as capacidades de inovação, de mudança e de criatividade, pois não nos diminui nem fragiliza, potencia a recuperação da confiança e torna-nos mais felizes.

A Serra da Leba

A Serra da Leba
A sombra das luzes