sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Um líder vulnerável vale por dois
As pessoas, à semelhança da maior valorização com que encaram os aspetos negativos da vida, referem-se mais à desconfiança do que à confiança, principalmente, porque se sentem traídos ou abandonados pelos outros.
A confiança é como o ar puro. Só nos apercebemos da sua falta quando desaparece. De facto, precisamos dela para sermos saudáveis.
Na essência da confiança estão os valores fundamentais do relacionamento humano: a honestidade, a integridade e o respeito pelos outros. Depois, numa escala de inferência, ganha sentido a existência de valores organizacionais e constitucionais.
Cabe aos líderes das organizações e aos líderes políticos porem em prática os valores fundamentais, pois as realizações implicam mais do que palavras escritas.Mas a maioria dos políticos, banqueiros e líderes atuais falharam na prática dos valores fundamentais, criando um ambiente de desconfiança nas instituições e nas leis que as regulam.
A incerteza, a vulnerabilidade e a confiança estão relacionadas. A colaboração e a ajuda mútua são necessárias para se poder aceitar os riscos que caraterizam a nossa atual forma de viver. Daí que a aposta no restabelecimento da confiança seja o maior desafio atual das pessoas, das organizações e das sociedades/civilizações.
A confiança é uma sensação positiva, enquanto o medo e a raiva, sensações negativas, são o sinal da confiança traída nas nossas relações e contextos. Todos nós precisamos de previsibilidade e de boa vontade para nos aceitarmos na nossa vulnerabilidade face aos outros.
A previsibilidade resulta do equilíbrio existente no contexto em que evoluímos. A boa vontade gera os relacionamentos positivos. A aceitação da nossa vulnerabilidade é uma sensação regeneradora da nossa capacidade de confiar.
Em tempos de incerteza, os líderes têm vindo a focar-se nos números, nos indicadores económicos e financeiros, mostrando extrema frieza relativamente aos erros, às emoções e às demonstrações de incerteza. Tudo isso porque temem perder o controlo da situação e também porque não aprenderam a atuar em contextos caórdicos.
Os líderes têm que ser corajosos e aceitar a sua própria vulnerabilidade face aos outros. A aceitação da vulnerabilidade é o caminho para renovar as capacidades de inovação, de mudança e de criatividade, pois não nos diminui nem fragiliza, potencia a recuperação da confiança e torna-nos mais felizes.
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