Finalmente conseguimos!!
Esta frase ilustra a superação de uma fase das vidas de pessoas normais e simples. Quando se pensa no que já passou constata-se que se está “noutra”. O ditado popular “Quem espera sempre alcança” só tem sentido se for conjugado com o sucesso. E, às vezes, já é tarde mas, “mais vale tarde que nunca”. Enfim, eles tinham conseguido aquilo que já não valorizavam como no início.
O projecto arrastou-se tanto tempo, os avanços e recuos sucediam-se com tal ritmo, que se correu o risco de perder muito mais a oportunidade individual do que a colectiva.
Nesses dias, a velocidade dos meios de comunicação não os penetrava com a pressão do “acontece ontem”. O tempo ia passando e moendo as suas vontades. Foram longos meses de espera, com a burocracia a dar forma à falta de interesse em aceitar a diferença.
O projecto era objectivo e exequível. Uma ONG (Organização não Governamental) portuguesa, com contactos preferenciais na recém (12 de Julho de 1975) designada República Democrática de São Tomé e Príncipe, comprometeu-se a criar uma espécie de Escola do Magistério Primário na cidade-capital São Tomé.
No entanto, situação normal na altura, a ONG não dispunha de recursos próprios necessários para suportar os encargos financeiros da operação. Solicitou ajuda ao Governo português, dirigiu as negociações com o país de acolhimento e escolheu a equipa de trabalho: uma professora primária experiente, uma psicóloga, uma actriz com formação superior, um professor de Português, um professor de Ciências Naturais e um professor de Matemática.
Ao longo do tempo de espera realizaram-se várias reuniões preparatórias de modo a que a equipa estivesse preparada e coesa na chegada ao terreno.
O Gabinete para a Cooperação do Ministério dos Negócios Estrangeiros (na altura o Ministro era Medeiros Ferreira) reconhecia o carácter inovador do projecto mas, como se sentia ultrapassado diplomaticamente, hesitava na sua aceitação política e financeira, adiando, sistematicamente, a autorização de partida.
O II Governo Constitucional vacilava, cioso da exclusividade dos contactos com as ex-colónias, na senda da coligação PS-CDS, travando uma iniciativa que se revelou única, pioneira e não repetida, que se saiba, no relacionamento cultural com a África de expressão portuguesa.
Mas, até este governo não durou o tempo necessário para decidir sobre o caso. Ramalho Eanes exonerou o “governo anti-natural” PS/CDS em Julho de 1978, empossou Nobre da Costa como Primeiro-Ministro que, por sua vez, foi substituído em Outubro com a indigitação de Mota Pinto.
Os tempos eram de “consolidação democrática” supervisionada pelo Presidente da República e o MFA/Conselho da Revolução ia perdendo, paulatinamente, o poder derivado do 25 de Abril de 74.
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