Para mim a Vida não é uma sucessão de apeadeiros de comboio ou paragens de camioneta.
Não vamos daqui acolá para dizermos que já chegámos ao fim da viagem. A viagem física só acaba quando morrermos e, mesmo assim, há quem acredite, eu incluído, em vidas para além da morte.
Após ter lido “The station”, de Robert J. Hastings, fiquei ainda mais convencido que, tal como diz Machado, poeta de língua castelhana, “se hace el camiño al andar”.
O mais importante é, ao longo da viagem, ir construindo pontes, desfrutando dos laços e sorrindo sem azedume. Sei que não é fácil porque vivemos muito perto uns dos outros e, nem sempre, nos respeitamos.
Quando me deparei com o resgate de Portugal pela TROIKA, senti que, mais uma vez, as pessoas iriam considerar tal processo como um sonho e iriam ficar impacientes até que ele acabasse.
Não conseguimos antecipar o final do processo nem temos perspetivas do caminho para lá chegar. No entanto, estamos à espera que nos aconteça menos mal do que aos outros. Nunca pior…
Como afirma Hastings “…Mais tarde ou mais cedo vamos todos perceber que não há estação ou lugar para alcançar de imediato. A verdadeira alegria da vida é a viagem.”
Por outras palavras, é preciso ter calma e desfrutar no caminho da vida. Mesmo que os sacrifícios sejam muitos e estejamos habituados a ter a vida facilitada.
Apesar do desconforto aprendamos com mais esta etapa. Sintamos o sabor dos momentos que passam.
Não queiramos queimar as etapas e preencher o caderno das milhas das viagens supersónicas. Comam mais gelados, nadem mais vezes, observem mais pores-do-sol, riam mais e chorem menos. Enfim a vida é curta e temos de a viver enquanto a possuímos.
Até porque a estação física pode chegar mais depressa do que contamos…
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