domingo, 9 de outubro de 2011

Com o lixo dos outros podemos nós bem

A maioria das pessoas está abismada.
- Então agora também somos “lixo”?.
Não, não foram as pessoas. As empresas públicas e privadas, que necessitam de pedir empréstimos no estrangeiro, é que foram consideradas pelas “agências de rating” incapazes de cumprir as suas obrigações futuras. Tais agências têm como principal função aconselhar, quem tem dinheiro para investir, qual a melhor e menos arriscada aplicação de capital. No fundo a sua ação corresponde a uma interpretação subjetiva de profissionais, que não acertam sempre, sobre o risco provável de insucesso dos investimentos.
As agências de rating prestariam um serviço precioso às mercearias, de antigamente, que tinham o “livro dos fiados”. Ou seja, o(a) merceeiro(a) só fiava a quem merecia, subjetivamente, a sua confiança. Quando existia vergonha isso era meio caminho andado para a confiança.
- O Beltrano tem um calote na venda! O Sicrano já não paga a renda há meio ano! Que vergonha!
Só que, hoje em dia, os calotes são já uma instituição. Quer dizer que os recebimentos são difíceis e o Homem do Fraque virou frase de chacota. Ficar a dever não é crime´, é crise, é necessidade.
Só que, alguns são mais protegidos que os outros. O rating era-lhes favorável, ainda podiam endividar-se com alguma facilidade. A partir de 7 de Julho de 2011, em Portugal, todas as empresas privadas e a Administração Pública, no seu todo, estão ao nível do “lixo”. Só lhes empresta dinheiro quem não for atento.
- É mentira, é um ultraje. Isto é perseguição!
Há anos que se previa este desfecho. O Euro não pode continuar a valorizar-se face ao dólar. A solução passa por convencer a alemã Merkl que basta de ser teimosa. Só desvalorizando politicamente o Euro, vamos conseguir estancar a sangria. Fala-se das “European Bonds”, títulos de crédito europeus garantidos pela União Europeia, como outra possibilidade.
Não saímos desta crise sozinhos e incólumes. Ou resolvemos isto todos juntos ou, então, não há só saída airosa para quem não deve. Estamos num ponto da civilização em que já não somos donos da totalidade do nosso destino.
A questão é: querem ou não sobreviver?

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