A situação atual de desconfiança face aos políticos, em Portugal, afigurasse-nos como exemplar do não funcionamento, recorrente, do modelo de liderança que escolhemos para analisar neste artigo.
A orientação do voto para a direita do espectro político é, em nossa opinião, uma resposta intuitiva á falta de autenticidade do líder anterior. Os próprios seguidores do anterior líder sentiram uma espécie de alívio quando deixaram de ter um compromisso com ele.
O “walk the talk” (estou a fazer aquilo que digo que faço) concretizou-se durante muito tempo. O governante, de então, chegou a ter intenções de voto próximas de uma maioria. O que se passou?
Bom. O que se passou é do domínio da LA (Liderança Autêntica).
Sempre houve máscaras e comunicação social em demasia. A autenticidade foi construída com base numa premissa de imagem vendável na comunicação social. Enquanto conseguiu ser apartada da falta de honradez, sobreviveu. Nada de austeridade, muita moda e alguma novidade de comportamentos desportivos. O certo é que, agora, ninguém acredita que aquele líder fosse, verdadeiramente, ele próprio. A partir do momento em que já não foi possível “tapar o Sol com a peneira”, zás! Caiu…
Por outro lado, o contexto organizacional onde evoluímos, que era construído à imagem e semelhança do líder, não era desenvolvido e tão pouco eram positivos os comportamentos dos líderes e seguidores. Vivia-se um período de pouco desenvolvimento pessoal positivo. A corrupção passiva campeava e a figura execrável dos “boys” de então, ainda hoje atormenta os novos governantes.
Durante o “estado de graça” do governante, o seu carisma foi sendo burilado pelo gabinete de propaganda. As pessoas foram tratadas como pessoas, pelo menos em discurso. Fomos sendo confrontados com a desinstalação de grupos de pressão profissional que nos foi, a uns mais do que a outros, motivando. Como se não bastasse, o líder estimulava-nos a colocar questões, desde que não o colocassem em perigo.
No fundo, tal como nas finanças, tudo era virtual e, pior do que isso, tóxico. Não restou pedra sobre pedra. O governante foi embora e já quase nenhum dos seus seguidores se recorda do que foi a sua atividade e a que resultados nos levou. Parece que temos muita vontade de esquecer o que já não nos serve.
Ou seja, a pessoa, que o governante continua a ser, perdeu o brilho e queremos que ela não nos impeça de continuar o nosso caminho.
Melhor do que esta atitude esquizofrénica só tomando PROZAC.
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