quarta-feira, 20 de março de 2013

Aprendizagem organizacional

É uma das muitas abordagens feitas à procura dos melhores caminhos na busca de chegar mais além. SENGE (1990) tinha consciência que a sua teoria necessitava de ser bem estruturada para não ser considerada uma moda e rapidamente abandonada. Para Manuela Teixeira (2008), a análise organizacional deve considerar os contributos das teorias organizacionais que perduram e, também, entender tais teorias nos contextos em que foram geradas. O que é uma OA? Imaginem uma organização em que todos falam e todos ouvem. Imaginem uma organização capaz de aplicar novas teorias, novas técnicas de acompanhar a mudança. Temos que ver a escola não como o espaço em que uns ensinam e outros aprendem, mas como o espaço em que todos aprendem uns com os outros. Toda a aprendizagem começa quando as nossas ideias confortáveis são consideradas inadequadas. Por exemplo, foi confortável, durante muitos anos, a aplicação da Teoria da Reprodução às escolas. Aprender nas organizações significa: - testar continuamente a experiência. Ex.: Darmos a aula, todos os anos, da mesma maneira? Não. É preciso adaptarmo-nos à realidade. - Transformar essa experiência em conhecimento * Acessível a toda a organização * Relevante para a sua finalidade nuclear (o sucesso). Uma Escola Aprendente (EA) é uma escola que: - Reflete sobre o seu próprio trabalho (resultados, métodos e modo); - Avalia o seu próprio trabalho; - Utiliza essa avaliação do trabalho realizado como fonte de conhecimento relevante para todos. A avaliação faz parte integrante de uma EA. O insucesso é um fenómeno plurideterminado. No entanto, faltam critérios novos na caracterização da relação afetiva, emocional que conduz ao insucesso. De facto, quando o aluno não aprende não pode esquecer-se que na relação havia duas pessoas. Sebastião da Gama dizia que dar uma boa aula é “fazer com que os alunos se esqueçam que era melhor estar lá fora”. Motivos para construir uma EA Uma EA é: *Mais inteligente; *Menos burocrática (os objetivos superam as regras); *Menos elitista; *Menos hierárquica e autoritária (continua a haver hierarquia e autoridade); *Mais comunicante; *Mais participativa; *Mais distribuidora de poder entre todos. A escola não pode continuar a gerar insucesso sob pena de se auto extinguir por incapacidade. Quando o aluno não aprende, a culpa não é só dele. Uma EA: *Tem melhores resultados (ela é que conhece os alunos, ela é que dita o sucesso); *Gera equipas dinâmicas (todos envolvidos vamos pôr-nos de acordo, os dirigentes devem dar espaço para fazer coisas novas); *Promove mais diálogo e abertura; *Tem maior capacidade de gerir a mudança. O´BRIEN membro do MIT e da SOL (Society for Organizational Learning) estabelece quatro condições para cooperar com a mudança: 1 – Delegação de poder; 2 – Visão sistémica (é preciso fazer reformas, mas é preciso compreender para onde) Vai-nos ajudar a compreender tudo, vai-nos ajudar a aceitar a mudança, compreender o passado e projetá-lo para o futuro; 3 – Dominar arte da conversação (eliminar mecanismos defensivos); 4 – Não impor ideias, mas arranjar voluntários (visionários que acreditem que é possível).

A ESCOLA e a aprendizagem organizacional

O conceito de aprendizagem organizacional refere-se às organizações que estão em constante processo de aprendizagem, ou seja, às organizações que aprendem. No sentido de perceber este conceito e beneficiar das suas sinergias colocam-se duas questões a que tentaremos responder. A primeira questão é: poderão as organizações aprender a aprender? A segunda será: as escolas, enquanto modelos organizacionais específicos, poderão ser consideradas como organizações que aprendem? Senge (1990) considera que, partindo do pressuposto que a aprendizagem organizacional compreende os princípios e práticas que permitem a absorção do conhecimento nas organizações, as quais estimulam a aprendizagem contínua de seus colaboradores, visando a incorporação de novos conhecimentos nos processos de trabalho, é necessário que as organizações estejam atentas ao processo evolutivo. Tais princípios levam as organizações a adoptarem estratégias, procedimentos e práticas de questionamento da sua actuação. Esse posicionamento conduz à implementação de políticas adequadas de administração da informação, avaliação do desempenho, aprendizagem no trabalho e atitudes que estimulem a criatividade e a inovação. O conceito de aprendizagem organizacional surgiu da necessidade que as organizações têm de conquistar vantagens competitivas e de transpor os momentos desfavoráveis e/ou as mudanças. Isso é possível através da adaptação, transformação e criação de processos e actividades. Entretanto, os processos melhorados só surgem através da aquisição, partilha, transformação e armazenamento do conhecimento, e consequentemente de novos padrões de raciocínio. O resultado esperado desse processo é uma organização que viva para sempre. E aqui coloca-se a segunda questão e a aplicação destes princípios à escola. Para Senge as organizações que aprendem são instituições onde as pessoas expandem continuadamente a sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam, onde surgem novos e elevados padrões de raciocínio, onde a aspiração colectiva é livre e onde as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo. “As organizações só aprendem através de indivíduos que aprendem”. (Senge, 1990, p. 11). Ou seja, a aprendizagem individual não é suficiente para garantir a aprendizagem do todo organizacional, mas sem um conjunto de aprendizagens individuais não existirá aprendizagem organizacional. A escola que é um espaço de encontro e de produção de conhecimento reúne todas as condições para ser considerada uma organização que aprende. Para que esse objectivo seja alcançado é necessária a existência de pessoas que desejem e sejam capazes de "aprender a aprender". Senge (1990, p.41 e seguintes) procura organizar o processo de aprendizagem individual sugerindo cinco “disciplinas” (disciplines). Ele considera que “disciplina” é um conjunto de práticas de aprendizagem, através das quais a pessoa se modifica, adquirindo novas habilidades, conhecimentos, experiências e níveis de consciência. As cinco disciplinas da aprendizagem organizacional são: domínio pessoal, modelos mentais, visão partilhada, aprendizagem em equipa e pensamento sistémico, que são detalhadas a seguir. O domínio pessoal põe a tónica nos indivíduos e implica continuamente esclarecer e aprofundar a nossa visão pessoal, concentrar as nossas energias, desenvolver a paciência de cada um e percepcionar a realidade de forma objectiva. Como tal, é a pedra de toque essencial para a organização que aprende – o querer acreditando. A capacidade e o comprometimento de uma organização em aprender têm de corresponder às dos seus integrantes. Esta disciplina radica na matriz humanista judaico-cristã. Os modelos mentais são compostos por imagens, histórias e preceitos que o indivíduo utiliza como referência acerca do que as coisas são e como funcionam. Constituem verdadeiros mapas mentais cognitivos que influenciam a forma como cada um de nós vê o mundo e as suas relações. Os modelos mentais de cada indivíduo são nutridos por crenças e valores que se sistematizam desde o nascimento e que se desenvolvem ao longo da vida de cada um. Consoante a maturidade as pessoas passam a reflectir e melhorar continuamente a imagem que têm do mundo, objectivando novos modelos para os seus actos e decisões. O sucesso de algumas equipas de trabalho assenta na existência de crenças e aspirações comuns. As pessoas só passam a empenhar-se em conjunto e de livre vontade quando percebem que cada qual tem um papel importante para alcançar o objectivo comum. A partir daí elas compreendem que o desenvolvimento de inteligência e de habilidades colectivas são maiores do que a soma das inteligências e habilidades individuais. Senge considera que, assim como as visões pessoais são retratos ou imagens que as pessoas têm na mente e no coração, também as visões partilhadas são imagens que pertencem às pessoas que fazem parte de uma organização. A aprendizagem em equipa é a aliança perfeita das aptidões colectivas com o pensamento e com a comunicação no sentido de que as equipas possam desenvolver inteligência e capacidade maiores do que a soma dos talentos individuais. Essas pessoas desenvolvem um sentido de comunidade que premeia a organização e dá coerência às diversas actividades. O pensamento sistémico é a disciplina que integra as outras, fundindo-se num corpo coerente de teoria e prática. De acordo com Senge, se não existir uma orientação sistémica, não há motivação para analisar as “inter-relações” entre as disciplinas. É vital que as cinco disciplinas se desenvolvam como um conjunto. Isso é desafiador, pois é muito mais difícil integrar novas ferramentas do que simplesmente aplicá-las separadamente. Ampliando cada uma das outras disciplinas, o pensamento sistémico lembra-nos continuamente que a soma das partes pode exceder o todo. Mas as recompensas são enormes. É esta quinta disciplina aliada à perspectiva estratégica que permitirá à escola moldar o seu sistema com maior eficácia e agir mais de acordo com as envolventes social e económica. Nota bibliográfica: SENGE, Peter, 11. ed., A Quinta disciplina – arte, teoria e prática da organização de aprendizagem. São Paulo: Best Seller, 1990.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A perspetiva sistémica

No livro “The Fifth Discipline”, Peter Senge (1990, p.231) escreve: “A Visão pinta o retrato do que queremos criar. O Pensamento Sistémico revela como criamos o que nós temos atualmente”. Depois, ainda na mesma página, escreve algo muito pouco português: “A Visão torna-se uma força de vida apenas quando as pessoas acreditam verdadeiramente que podem dar forma a seu futuro. O simples fato é que a maioria dos gestores não experiencia o que está a contribuir para a criação da sua realidade atual. Assim, eles não veem como podem contribuir para mudar essa realidade. Os seus problemas são criados por alguém "lá de fora" ou pelo "sistema”. São “ELES” e nunca eu ou nós. É este “Ai Portugal, Portugal! Que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera e outro no fundo do mar! Ai Portugal, Portugal” (Jorge Palma – Acto Contínuo - 1982 ), em que temos de procurar o melhor que nele existe, que deve ser refundado e, sobretudo, liderado com visão e pensamento sistémico.

domingo, 3 de março de 2013

Fundamentos de Educação 8

21/06/2008 TRABALHO: ANÁLISE CRÍTICA E CIENTÍFICA AO LONGO DE TODA A MATÉRIA. Conceito de EDUCAÇÂO: - A dignidade e os direitos do homem; - O ideal da humanidade; - Reconhecimento da mais alta aspiração humana; - Ideal a atingir através do ensino e da educação. Educação não é ensino. Ela implica o desenvolvimento de todas as dimensões do ser humano (vontade, liberdade, sentimento e respeito). A Educação não é uma questão de razão e de inteligência. A questão essencial não é a ciência, é a ética. Saber para quê? Para termos mais coisas? Não. É para sermos melhores. Isso implica uma revolução total. O saber mais não chega. Mais ciência, mais ciência não nos torna melhores como pessoas humanas. Educar não é ensinar. A educação é tudo. É o desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões. Somos todos educadores e educandos. Educação ecossistémica – muito respeito pela casa. Se deixarmos perverter os valores ninguém se entende. PEDAGOGIA = ajudar, empurrar a vida de todos no seu todo. As migrações dos animais ajudam-nos a ser os verdadeiros cidadãos do mundo. O saber, a vida e o amor completam-se, não se excluem ou diminuem uns aos outros. DIMENSÃO AXIOLÓGICA Procurar o ideal da humanidade, a dimensão do EU no SER. O que é a nossa vida neste ciclo de 15 milhões de anos? Nós nem somos, nem estamos, passamos de…para, vamos…O verbo que nos define é o verbo IR de…para… Daí a importância do que está para além do que somos. Comer para trabalhar ou trabalhar para comer? Ter, saber, poder é diferente de ser. Os valores têm hierarquias. Há valores do espírito, valores morais e valores pessoais. Os valores morais são transcendentes, ilimitados e imateriais (verdade, justiça, honestidade, bondade). Os valores pessoais e os valores materiais (os que podem ser objecto de partilha) são limitados. Não podemos orientar a nossa vida para recursos limitados. O BEM E O MAL Vivemos para os valores (os fins alcançados). Tudo o que nos realiza e que nos causa bem-estar é BEM. MAL é tudo aquilo que não nos proporciona o BEM. BEM é tudo aquilo que todos queremos. MAL é o que nos traz o contrário. Agir bem ou agir mal é o nosso livre arbítrio. Uns de nós utilizamos bem a liberdade. Outros não. Podemos orientar as nossas acções ao serviço de cada um de nós. Os EU’s procuram colocar todo o serviço nas suas mãos. São os que não respeitam ninguém (egotistas). Este mundo, assim, é uma selva. Há mais solidariedade entre os bandidos. Educar é procurar ser cidadão, humano, direito e honesto. Os seres humanos são maus quando cada um só pensa em si (egoísmo, egotismo). Mais do que o bem e o mal o que é importante é o comportamento das pessoas. TOMÁS MORO (inglês) – jurista de renome chegou a chanceler de Inglaterra no tempo de Henrique VIII que o prendeu e mandou matar. Para Moro tudo o que era mau acontecia na ilha da Inglaterra. Assim, convidou o grande aventureiro NICLODEU e juntos criaram uma “nova” ilha onde todos seriam felizes. Só que não existia nenhuma ilha assim: UTOPIA. Se considerarmos os étimos de UTOPIA ( U = não, TOPIA = lugar) rapidamente percebemos o significado da palavra. Já que as ilhas não existem vamos planificá-las nós: SOCIALISTAS UTÓPICOS. Os homens têm que ser bons, ou a bem ou a mal. Actualmente, ninguém está contente com a sua sorte. Dois autores reflectiram sobre a sociedade actual e disso resultaram dois livros paradigmáticos: - O admirável Mundo Novo – ALDOUS HUXLEY; A sociedade decidiu acabar com os nascimentos normais. Tudo passou a ser tratado em laboratório. Cada ser humano era programado geneticamente para a tarefa. Todos ficariam contentes com a sua sorte. Dois deles fugiram à normalidade e começaram a dar que fazer e a falar de amor. - O triunfo dos porcos – GEORGE ORWELL. [NICOLAU BENDIEF] As utopias podem realizar-se. Temos que nos prevenir. As utopias e as contra-utopias. No século IX AC ZOROASTRO preocupou-se com a incompatibilidade entre o bem e o mal. Tinham de existir dois deuses: um do bem (ORASD) e outro do mal (ANIMED). No século III AC MANÉS deu origem ao Maniqueísmo. Existem dois deuses que estão permanentemente em guerra. SANTO AGOSTINHO foi, desde jovem, influenciado pelo maniqueísmo. Mais tarde proclamou que a fronteira entre o bem e o mal passa pelo meio de nós todos. Só podemos acabar com esta situação acabando connosco todos. A raiz do bem e do mal é a nossa liberdade. Nós temos liberdade de usar só o bem ou de usar só o mal. Assim, a única maneira de acabar com o mal é acabar com a liberdade humana. Moral da história: o que é que preferimos, acabar com o mal ou continuarmos livres? SÓCRATES defendia que ninguém faz o mal por querer. Todos fazem o mal por ignorância. Não será bem assim porque existe muita sabedoria maldosa. Apesar de tudo, este mundo é o melhor de todos. CHESTERION conta a história de um casal inglês cansado da ilha. Meteram-se num bote e foram à procura de outra ilha. Quando a encontraram, estavam outra vez na Inglaterra. Devemos procurar fazer sempre o bem. Aceitar o que os outros nos fazem de mal. Não no sentido de aceitar o que é mau mas, em nome do supremo valor da liberdade, temos de aceitar o que há de mal. Não aceitar leva à revolta, à destruição do EU e dos outros. Aceitar pertence à educação. Se não aceitarmos estamos à mercê da ventania. Aceitar a manutenção do livre arbítrio implica aceitar todo o bem e todo o mal. Não somos, passamos de e para. Qual é o caminho que devemos trilhar? A formação deve inclinar-se mais para o lado do bem. Na verdade e na mentira criam-se hábitos. Se disser sempre a verdade, a verdade será um hábito. Um hábito é uma sequência de actos. A conjugação de hábitos constrói o carácter. O carácter é a maneira de ser. Um hábito mau será um VÍCIO. Um hábito bom será uma VIRTUDE. (grego) ÉTHOS = hábito, (grego) ÊTHOS = carácter. (latim) AMORAL = não tem consciência da liberdade, (latim) IMORAL = moral negativa, (latim) MORAL = moral positiva, (latim) MORES = hábitos. A ÉTICA é o domínio/sítio dos princípios. A MORAL é o domínio/sítio dos costumes/hábitos/tradições DRAMA Portar-se bem é comportar-se de acordo com as leis (JUS = caminho direito). Tudo o que é direito respeita a justiça. Nos tempos primitivos a justiça era dura (pena de TALIÃO, Código de HAMURÁBI) = olho por olho, dente por dente. Foi evoluindo nas civilizações clássicas. AGAMENON era casado com CLIDMENESTRA que o mandou matar. O filho de ambos matou a mãe. As ERINIAS iam matar o filho. A deusa ATENA parou o processo e surgiram os tribunais. No Conselho de Justiça – dar a cada um o que lhe pertence. Assim nasce o conceito de justiça actual. A economia é uma desgraça. No Livro de Jó diz-se: Deus o deu, Deus o levou, bendito seja Deus, bem haja Deus. No século XIX dá-se a revolução proletária. Surgem no século XX as encíclicas papais que defendem que se deve dar a cada um o que precisa. A vida traz-nos situações raras. Muitas vezes temos que dar o que somos e o que temos. Racionalmente cometemos atitudes estúpidas que são consideradas heroicidades. Valeu a pena? Valeu o sacrifício? Sacrifício = oferecer, dar-se. Sacrilégio = tirar a Deus. A forma mais sublime de amar é darmo-nos. Começamos por receber tudo o que temos e o que somos. Acabamos por nos dar todos. Educação é o percurso que vai do receber tudo até ao dar tudo e darmo-nos todos. No fundo de tudo está o amar. FORMAÇÃO DE EDUCADORES ALDOUS HUXLEY – o pensador das anti-utopias, considera que as utopias funcionam bem até à impossibilidade de as aplicar. Depois da 2ªGM, no “Admirável Mundo Novo”, 2ªEdição, no prefácio, A. H. diz que foi criticado por intelectuais “por ser um deplorável exemplo de crise”. Um monumento aos professores deveria ser construído nas estripadas cidades europeias e japonesas. Na sua base a seguinte frase: “Se andas à procura do monumento, ele é este mas olha à tua volta. Em memória dos professores”. Como é que com tantas chamadas de atenção as guerras continuam a subsistir? [EDGAR FAURE] – “Aprender a ser”. A profissão de ensinar só terá futuro se se adaptar às novas estruturas de ensino. A função de educar ganha cada vez mais importância face ao instruir. A dimensão fundamental não é a do conhecimento. Sabe-se muito porque se ama. Porque se interessa/ama pelo/o ser humano. É fundamental estarmos dispostos a sacrificarmo-nos pelos outros. Na acção educativa não basta cumprir o programa. Esta é só uma das partes da educação. Não basta encher a memória. É dando toda a força à hierarquia dos valores. Educar não é apenas ensinar. O principal é criar condições para que o ser humano cresça em todas as dimensões. Criação endógena. Tudo o que é bom tem de nascer de dentro. Em liberdade. A formação de professores não pode continuar a ser altamente especializada. A educação era educação escolar. Hoje é necessário orientar a liberdade para a prática do bem, no seio da família humana e dignidade inerente. Atenção ao “soft power” da ONU [BANK i MOON]. 191 Estados aceitam posturas básicas sobre a formação moral. Nenhum de nós recebeu onerosamente a dignidade humana. Por isso, devemos respeitar a dignidade dos outros. Recebemos tudo o que temos e tudo o que somos pelo facto de sermos seres humanos. Devemos retribuir uns aos outros aquilo que nos foi atribuído. O acesso ao poder devia ser substituído por acesso ao serviço. (latim) MINISTRO = servente. O grande tema da filosofia: ser isto ou ser aquilo. Filósofo é o que pergunta sobre as coisas. Filosofar é gostar da filosofia. APEIRON = o ilimitado confuso. Tudo se confundia com tudo. Nada se distinguia de nada. O que é tudo isto? O grande problema é isto tudo! Na filosofia podemos utilizar dois grandes métodos para chegar à luz: - MAIÊUTICO = levar os outros a dar à luz as respostas; - IRÓNICO = perguntar, perguntar… PLATÃO perguntou: O que é cada coisa? A resposta que deu foi: a ideia. Para ARISTÓTELES a resposta era: o conceito. Perdemos a visão do todo: o ser. Na nossa vida é fundamental a interacção entre todos os aspectos que a compõem: - Saber crescer fisicamente; - Saber crescer intelectualmente; - Saber crescer moralmente. Dar aos outros o que precisam é bem. A educação é criar condições para que as pessoas se orientem para o bem, no sentido da realização dos valores. Ver [ÁLVARO GOMES – A aula]. EDUCAÇÃO é o processo em que utilizando COISAS (recursos/meios) [criação de condições], se vão transformando as PESSOAS (fins) [desenvolvimento em todas as dimensões] no sentido dos VALORES [plena realização]. TRABALHO: reflexão crítica da experiência pessoal à luz das grandes orientações/matéria que foram sendo abordadas. No trabalho final deve-se ter em conta: - Educar e saber educar; - Simplicidade e utilidade; - Deve debruçar-se sobre a experiência de educandos e educadores de cada um de nós; - Pegar em tudo o que é educar e saber educar das aulas; - Pôr em confronto/apreciação crítica/análise crítica a experiência e os fundamentos da educação. Andamos a fazer melhor ou pior? O que é que eu posso melhorar nas minhas práticas? - Desde os nossos princípios como filhos até à nossa actualidade.

Fundamentos de Educação 7

07/06/2008 1 - A educação ao longo da vida de cada um de nós não se pode pensar sem ser efectuada em comunidade. A educação de adolescentes (Convenção dos Direitos da Criança art.º 1º) e a educação de adultos deve ser integrada na educação comunitária. Os meus filhos dependem de mim, dependo dos meus colegas e eles dependem de mim. Todos dependemos de todos. É a educação ecossistémica. Educação é contribuir para que as coisas sejam utilizadas para criar condições para que todos os seres humanos se desenvolvam e cresçam dentro de um referencial de valores. 2 – A pedagogia tem de evoluir para a antropagogia. Partindo dos étimos (PAI, PEIDOS = condução das crianças e PU = fazer impelir o rebentar da vida) não pode continuar a ter o sentido antigo da condução das crianças. É preciso compreender o processo da VIDA, não esquecendo os MITOS, as FILOSOFIAS e as REVELAÇÕES. A mentalidade primitiva não permite esquecer o passado, os antepassados, os mitos e os ritos. A mentalidade primitiva privilegia o passado e tudo se resolve com festas (eleições?). Os antepassados existiram? Sim. No seio dos grandes grupos de pessoas e civilizações processou-se a estratificação social, surgiram ideais filosóficos (Confúcio, Lao Tsé, Buda, Mahaira, Zoroastro, 1ºs Filósofos pré-socráticos) e colocou-se a primeira questão ateísta: haverá deuses? Surgiu também a distinção entre o SUJEITO (aquele que pergunta) e o OBJECTO (aquilo sobre o que se pergunta). Do universo a Deus, passando por nós devemos saber tudo o que possa ser importante. Como não temos capacidade de saber tudo, sabemos sempre pouco. Então o melhor é que cada um trate de si. Como é que eu consigo ser, ser… E cá temos o egoísmo, o narcisismo e o egotismo (em grego = autismo). Cada um a abrir o seu caminho = selva. Assim, surge naturalmente a (grego) KALOCAGATIA = EDUCAÇÃO, baseada na PAIDEIA (desenvolvimento da criança no sentido da ARETHÊ = o melhor, o número um, o máximo, o ARISTOS), ou seja, na competitividade. KALOS = belo, CAI = e, AGATÓS = bom, GYMNOS = jovem adolescente, MUSHICÉ = teatro, música, todas as artes. REVELAÇÕES O budismo é uma filosofia, não é uma religião. Aparece no Médio-Oriente. As revelações surgem em culturas ligadas aos povos e não às terras. O Judaísmo é a revelação ao povo de Israel. O Cristianismo é a revelação ao povo de Cristo. O Islamismo é a revelação ao povo do Islão. A cultura reduz-se à revelação. O profeta diz que recebeu uma mensagem da revelação de DEUS. A cultura vem toda das revelações. A ideia de Deus aparece de novo. Deus é um ser absoluto/infinito, tem um saber/conhecer infinito e tem um amor infinito/absoluto. Desaparece a distinção entre objecto e sujeito. Não há base para a competitividade e sim para a solidariedade. O universo inter-subjectivo da família humana é que é importante. Só pode funcionar se nos abrirmos uns aos outros. Depois ou acreditamos ou não acreditamos. Tudo o resto tem de estar ao nosso serviço. O que eu preciso para me movimentar é conhecer os outros. O que ele pensa e o que ele quer. A grandeza do ser humano é ser inviolável do ponto de vista da sua individualidade. EMETE (Amén na liturgia) = rocha. Na Grécia o que é evidente é luminoso. O critério da verdade sobre as coisas é a luz. No entanto, a escola tem que evoluir no sentido da fé. A família humana deve dar mais prioridade àqueles que mais precisam. A diversidade de origens, a riqueza cultural resultante do dinamismo das origens é importante no processo que conduz as pessoas à sua total realização (EDUCAÇÃO). DIMENSÃO AXIOLÓGICA Esta parte da matéria trata do desenvolvimento da pessoa no sentido dos valores. (grego) AXIOS = valor. Temos que nos debruçar sobre os princípios/origens/fontes. Mas nunca podemos deixar de percepcionar os fins/metas/alvos (a última parte do ser de uma coisa/o que é que queres ser quando fores grande? O mais ser a que puder chegar). Colocam-se questões como a de Fernão Capelo Gaivota: as gaivotas voam para comer? Ou comem para voar? O mais forte é o fim último. Valor deriva do (grego) AXIOS e do (latim) VALES, VALERE que significa ter saúde/ força vital/coragem. Todas as coisas são valores de utilidade para… Nós não somos coisas para usar…Não me tratem como objecto…A pessoa é o fim de todos os meios e não o meio para qualquer fim = VALORES PESSOAIS. Verdade, solidariedade, amor = VALORES TRANSCENDENTAIS/ESPIRITUAIS. Há que viver para… Podemos sintetizar tudo no verbo TER: - Ter haveres; - Ter conhecimentos; - Ter poder. Os valores do ser são de natureza qualitativa X Os valores do ter são de natureza quantificável. Os valores do ser são da ordem do ilimitado X Os valores do ter são da ordem do limitado. Os valores do ser são da ordem da participação X Os valores do ter são da ordem da partilha. Conta-se uma história daquela mulher que tinha um filho, um bolo e o seu amor. O filho tinha cem por cento do bolo e do seu amor. A mesma mulher com cinco filhos, um bolo e os seu amor. Os filhos tinham cem por cento do seu amor mas só um quinto do bolo. Ler Capítulo Variações sobre a Utopia.

Fundamentos de Educação 6

24/05/2008 Perante um mundo global e único, depende só de nós a construção do nosso futuro. Face à experiência profunda e universal temos dois caminhos: - Reconhecimento e respeito pela dignidade humana e teremos condições para viver em harmonia e paz rumo à felicidade humana; - Desprezo pela dignidade de todos os elementos da família humana e isso conduzirá à guerra e à destruição. Tudo o que está a acontecer é global. Criar condições é criar o mundo físico para nutrir, alimentar a capacidade de construir uma pessoa. Educar é criar as condições de desenvolvimento da pessoa humana. Dignidade = [DEK DAK] dar e receber. A dignidade humana é algo que todos recebemos e é igual para todos. O Presidente da República tem tanta dignidade como o indigente. O condenado tem tanta dignidade como o papa. Se o condenado for executado continua a ter dignidade humana, ou seja, não deixa de ter os direitos inerentes à dignidade humana. O advento de um mundo de respeito pela dignidade humana é o mundo dos valores que só se consegue pela educação e com fé/compromisso em que venha esse mundo dos valores. A dignidade humana é um ideal comum de todos os povos do mundo (Preâmbulo da DUDH). O ensino faz parte da Educação. O sistema de EI + EA deveria redundar num processo de educação ao longo da vida. A criança dos 0 aos 18 está a crescer em toda a sua amplitude. O adulto dos 18 até ao final da vida já pode abrir o seu próprio caminho. Devem ser criadas condições para que o adulto procure, ele próprio, a maturidade e a autonomia (AUTONOMUS = a lei já nasce de mim). A educação comunitária envolve a solidariedade entre todos nós. A educação ecossistémica envolve todos os componentes (físico, afectivo, intelectual, moral, ético) de toda a família humana. Como educar? Precisamos de uma visão global do ser humano. Pedagogia (crianças) – Andragogia (homens) – Antropagogia (todo o ser humano). A Pedagogia, remontando ao étimo IE*, significa abrir caminho para a vida. Os animais é que controlam o mundo. Atravessam-no de um lado ao outro para procriarem. Tudo isto de crescer tem a ver com a transmissão da vida. Nos seres humanos tudo isto tem a ver com a consciência e liberdade, com a compreensão e as relações humanas. Agora tudo passa pelo amor. Amor primeiro – amor filial – amor dos nossos pais que tudo nos deram e que se deram todos. O amor filial é receber. Nenhum de nós é sem ser amado. GEN = gerar. Educar é apoiar a vida/estimular á vida/é andar com a vida para a frente. No trabalho final deve-se ter em conta: - Educar e saber educar; - Simplicidade e utilidade; - Deve debruçar-se sobre a experiência de educandos e educadores de cada um de nós; - Pegar em tudo o que é educar e saber educar das aulas; - Pôr em confronto/apreciação crítica/análise crítica a experiência e os fundamentos da educação. Andamos a fazer melhor ou pior? O que é que eu posso melhorar nas minhas práticas? - Desde os nossos princípios como filhos até à nossa actualidade. DIMENSÃO GNOSEOLÓGICA DE PEDAGOGIA Falar mais de saber é uma atitude de bom senso intelectual. SAP = saborear. Ver Introdução p.11 e a recensão bibliográfica p.12 sobre a evolução da história. Na escola começamos por estudar a história de Portugal mas, o que é que sabemos da história da China, da Índia ou da América? Sabemos uma história regional. A UNESCO organizou uma História da Humanidade donde foi erradicada a palavra primitivo. Na disciplina vamos distinguir 3 períodos da história mundial para podermos entender o conhecimento/o saber: MITO, FILOSOFIA e REVELAÇÂO. MITO É a primeira fase dos grupos humanos (tribo). A humanidade foi-se libertando da animalidade. Os nómadas foram-se autonomizando. Pelo milénio 10º AC assistiu-se à sedentarização, pelo milénio 1ºAC ocorre a fase final dos mitos. Esta fase de economia de subsistência caracterizada por uma sociedade sem classes, excepto o género e a idade, em que o poder pertence ao macho alfa/ ao mais forte/ ao patriarca/ ao chefe. É uma civilização dependente da terra. A cultura é mitológica. [FERNANDO PESSOA] O mito é um nada que é tudo. 3 definições de MITO: - Mentira no sentido da não verdade; - Verdade indirecta (através do que se diz pretende-se dizer outra coisa). Persefona, filha de Meter, vivia no Olimpo. Um dia foi apanhar flores e os deuses das cavernas raptaram-na. Houve guerra. Houve armistício. Persefona ficou a viver na Primavera e Verão com os pais. No Outono e Inverno vivia nas cavernas. - Verdade a 100% (porque corresponde à verdade transmitida pelos antepassados). A mentalidade primitiva abrangia: 1 – O ser; 2 – O conhecer; 3 – O agir. 1 – No princípio existiram os antepassados. Os antepassados eram dotados de MANÁ (força extraordinária que os levava a fazer tudo da forma mais perfeita). Daí o dogma da capacidade dos antepassados que nos ficou sob a forma de talismã, do amuleto (a casa tem maná, o templo tem maná, a aldeia tem maná, a cidade santa). 2 – Como eles fizeram tudo, só nos resta recordar o que eles fizeram. A capacidade de conhecer reside na memória. Conhecer é recordar = MITO. 3 – Agir é repetir o que eles fizeram = RITO. Viver é recordar e repetir. [MIRCEA ELIADE] defende que os mitos e os ritos são mecanismos de muitos de nós. No entanto, [EZÍODO – Livro das Idades], vimos a assistir à degradação da experiência. Quando havia excesso de produção guardava-se para a festa /a orgia. A orgia significava o fim da degradação e o recuperar da perfeição da “idade de ouro”. Recupera-se o tempo original. O tempo é um círculo. O passado é perfeito, o presente é degradado e o futuro não existe. Nesta época existia uma contradição entre a máscara física e a máscara psicológica. Convém lembrar os ídolos – recordar, repetir e imitar. Em termos de educação temos ensino (recordar e repetir). Damos-lhe o protótipo, o arquétipo e repitam. FILOSOFIA (século VII AC) Outras civilizações surgiram que consideraram os antepassados como deuses. Dos mitos avançou-se para as religiões. Os Sumérios e os Egípcios vão nesta linha. Com a escrita os ritos passam a ser leis. Não aparece em todo o planeta. Do Egipto até à China, passando pela Índia, surgiram as civilizações dos grandes espaços e dos grandes rios. Há até uma coincidência entre as ideias que as caracterizam: Confúcio e Lao-Tsé, Buda, Zaratustra e os primeiros filósofos gregos (pré-socráticos). Surgem as filosofias. Os sacerdotes dominavam as leis, a economia e o poder. Eram a classe dominante. Os militares começaram a contestar os desatinos dos sacerdotes e colocam a primeira questão do ateísmo: haverá deuses? A filosofia nasce da procura do conhecimento através do raciocínio das pessoas. Os antepassados não interessam. O que interessa sou eu. Qual é a atitude dos pré-socráticos? O que é tudo isto? DEFINIÇÃO. E porque é tudo isto? CONCEITOS (Sócrates)/IDEIAS (Platão)/NÚMEROS (Pitágoras)/ FORMAS (Aristóteles)/ESSÊNCIAS (Medievais)/IDEIAS (Kant). No princípio era o caos [ANAXIMANDRO]. O que é o universo? O que é o homem? O que é Deus? O ser humano o que é? É o eu que pergunta (SUJEITO). Tudo o resto é OBJECTO. Na evolução do pensamento o sujeito opõe-se ao objecto. Isto gera confusão e é impossível viver. [SARTRE] colocou bem esta questão – Eu sou livre? Mas como é que isto é possível? A tragédia é que cada um é sujeito e os outros são objectos. O egoísmo/o egocentrismo/o egotismo( em grego = autismo)/o narcisismo (forma não violenta de egotismo – só se vê a ele). Deus é o absoluto, o que abarca tudo, o infinito. A filosofia ao considerar o sujeito e o objecto, considera Deus como um erro. [GABRIEL MARCEL – La Teodissé c’est l’ateisme]. O filósofo chega à conclusão de que não sabendo nada, logo vai é tratar de si. A filosofia grega levou a que a educação grega fosse voltada para cada um (PAIDEIA – trata-se de eu crescer; ARETHÉ – esforço por ser o melhor, o campeão).

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10/05/2008 A dignidade humana é o fundamento de todos os valores. O mundo dos valores é a mais alta aspiração do homem. A ONU declarou a sua fé no mundo dos valores. No entanto, a fé, o ideal não é fácil de atingir. O caminho para atingir o ideal é o ensino e a educação. DUDH – A educação é o desenvolvimento global da personalidade humana. A educação ao longo da vida. Convenção dos Direitos das Crianças foi aprovada pela maioria dos países do mundo. Definição da criança como “todo o ser humano menor de 18 anos”. Melhor que se fale de Educação da Adolescência: O tempo: até aos 18 anos; O lugar: na família (os estados ajudam as famílias): Metodologia: orientar e aconselhar os filhos; respeitar as fases de crescimento; Critério fundamental: atender ao máximo interesse, interesse supremo, superior interesse da criança. Educação de adultos: O tempo: dos 18 anos até ao fim; O lugar: o mundo todo/ a universalidade: Metodologia: não é fornecer, é indagar, perceber as necessidades e as aspirações dos adultos. Equipas de trabalho com generalistas e especialistas; Critério fundamental: A universalidade tornou-se o motor da educação de adultos. A realização do ser humano no mundo dos valores. A satisfação das nossas necessidades e das nossas aspirações. A educação ao longo da vida de cada um ou de nós todos? O que existe é a comunidade humana. A DUDH fala da família humana. Justifica-se a Educação Comunitária. A família verdadeira é a comunidade, a comunhão e a comunicação. Somos uma família humana global. OIKOS + LOGIA + SISTEMA + MÉNICO O planeta Terra é a nossa morada mas o Universo é que é o OIKOS. A Ecologia surge na década de 70 do século passado. Existem ecossistemas locais e globais. Ver pp 18-19 do Capítulo I – Todos os recursos, todos os seres humanos, todas as dimensões. Plena realização. QUESTÕES DE PEDAGOGIA A Pedagogia é a Ciência da educação, ou seja, saber educar. Só a partir dos anos 60 é que surgem as ciências da educação. O método utilizado implica ter visão de conjunto (amplitude), visão do processo (longitude) e visão em altitude (profundidade). A palavra Pedagogia, não no sentido logos (verbo) como sinal de realidade que representa alguma coisa (na prosa é assim). Também não no sentido parabolé (parábola) como símbolo mais subtil (poesia). Mas no sentido etimológico (étimo = nome verdadeiro/originário/natural das coisas = o que significava nas origens/raízes). (grego) Pais, Paidos = criança + (grego) Agogia = orientação, arrastamento, condução = orientação, condução da criança Todas as ciências, a partir do século XIX – Positivismo, foram reduzidas a ciências experimentais, baseadas na experiência e na lógica da razão. Assim a ciência foi-se subdividindo em várias. Conduziu à especialização e aos compartimentos estanques. Ver pp. 9-16 e as especializações da história. Ver pp. 21-29 – [A realização do ser humano]. EDGAR MORIN e o pensamento complexo. Como é que se desenvolveu o estudo da GEO = terra: - Geografia – estudo descritivo da Terra; - Geometria – estudo das formas/divisões da Terra; - Geologia – estudo da constituição da terra; - … (não se chega ao arrastamento da terra). Como é que se desenvolveu o estudo da criança? Avançou-se directamente para a Pedagogia. A educação hoje já não é só de crianças, ela hoje é a Educação ao longo da vida (ELV). Logo a Pedagogia deixou de ter sentido. ANDRAGOGIA = condução do homem. (Grego) Aner, Andros = homem varão. ANTROPAGOGIA = condução do ser humano. COMUNITAGOGIA = condução da comunidade. Não tem interesse andar a mudar frequentemente de designação. Não há problema se remontarmos mais no étimo de pedagogia. IE* (bh=f) BHEU – BHU = crescer. (grego) phuio, phuisis = física, fisiologia, fitologia, futuro. Mas abramos o leque de hipóteses, alarguemos o contexto. IE* Pu = pequeno rebento de planta, pequena cria de animal. (grego) pais, peidos = “ + (grego) agem (acompanhar, bater). (latim) puer, pueri. Vamos pegar nas plantas. Ou no mundo físico. Ver (pp. 21-29, o.c.). O nosso OIKOS é o universo todo. A unidade de medida é o ano-luz. O tempo conta-se pelo Big-bang. A vida apareceu há 4000 milhões de anos, fundamentalmente sob a forma de vírus e bactérias. Não nos esqueçamos que os animais são os verdadeiros cidadãos do mundo. As migrações das aves e dos salmões. A epopeia da vida para perpetuar a espécie. (Latim) Pullulus que originou (Castelhano) Pollo e o (Francês) Poule e as palavras portuguesas poleiros e pusilânime. Se olharmos para o étimo rebento da Pedagogia temos a Pedagogia actual. Se considerarmos o étimo pequeno acolhemos a pedagogia tradicional.

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26/04/2008 Mundo dos valores Edu Infância + Edu Escolar Mundo das pessoas EDUCAÇÃO Edu Infância + Edu Escolar + Edu Adultos Mundo das coisas ELV = Edu adolescentes + Edu Adultos Educação Escolar é mais instrução que educação. Os políticos tratam estes temas mas nada como os teóricos. PAULO FREIRE (1970) começa os seus estudos e experiências no nordeste brasileiro. Para ele o ser humano é livre, consciente e imperfeito/inconcluso. Desumanização Humanização. Há duas classes de revolução: - A violenta (inverter a situação); - A pacífica (humana, cultural e pedagógica). Todos os violentos são reaccionários porque querem obter resultados à força (contra a natureza humana que passa pela liberdade). Todos os violentos são sectários, não procuram a resolução dos problemas de todos, só os da sua clique. Estão fechados na sua verdade. São sedentos de poder. Há que distinguir dos radicais, que são aqueles que querem chegar até às últimas consequências da mudança: acabar com os opressores e os oprimidos. Todos nos libertamos em conjunto. “Um dia, queira Deus, que a omelete vire. Os pobres comerão o pão e os ricos comerão merda”. (Ciganito cantador] PAULO FREIRE distingue: - A pedagogia bancária (dos violentos); - A pedagogia problematizadora. Na primeira há professores com o banco de dados para ensinar os alunos. Na segunda não há professores nem alunos. A pedagogia problematizadora opera com a ação conscientizadora e com o diálogo. Ela é anti dialógica. Precisamos avançar com a REVOLUÇÃO PEDAGÓGICA. Num grupo de diálogo (não mais de 15 elementos) o analfabeto inicia o seu processo de conscientização a partir de palavras geradoras (palavras que mexem com todas as pessoas) para iniciar a soletração. PAULO FREIRE pretendia a alfabetização funcional e a conscientização do mundo que o rodeia e chegar ao universo intersubjectivo que cria com os outros. OBJECTO SUJEITO. Passam a não ouvir somente o que os outros pares lhe dizem e passam a ter uma palavra. O adulto torna-se sujeito de igual valor. O adulto torna-se actor, coautor e autor. A educação de adultos é a outra parte do sistema educativo. A educação é um processo que se opera no sentido de criar condições para que o processo de desenvolvimento humano desde o nascimento até à morte aconteça. Em 1989 foi assinada a Convenção sobre os Direitos da Criança. Numa convenção os estados-partes acordam sobre aquilo em que há consenso. 181 Estados aprovaram por unanimidade. 155 Estados apresentaram projecto de aplicação. O lugar fundamental é a família. A escola é complementar. O hospital é complementar. O adulto é aquele que já é crescido, MAGISTER (mestre) = o mais. A nossa língua deriva do Indo-Europeu que abrange línguas desde a Península Ibérica até ao BanglaDesh com excepção do Húngaro (Magiar), do Estónio (Finlandês) e o Basco. IE* AL, OL = alimentar, crescer. Aluno = escravo que era alimentado em casa. ADOLESCÊRE = crescer [ADOLESCO, ADOLESCENS, ADOLESCÊRE, ADULTUM] O “coco” em adolescêre deveria ser concavo e obriga à acentuação da sílaba anterior. Segundo Ribeiro Dias a educação de adolescentes deveria juntar a educação de todos até aos 18 anos. O objectivo da escola e dos professores é ensinar a criança a saber ser. EDUCA, EDUCES, EDUCI, EDUCERE = conduzir (não é este o étimo de educação). EDÛCO, EDUCAS, EDUCARE = alimentar, nutrir. A educação é então criar condições para que a criança se desenvolva e cresça. O dicionário HOUAISS lembra a similitude entre educação e alimentação.

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19/04/2008 A educação: - Vamos procurar perceber o que é a educação; - Vamos recorrer à nossa experiência global e ter em conta a história dos últimos 50 anos. À partida pressupõem-se dois mundos, o dos valores e o corrente. A transição entre eles processa-se através da educação. Essa educação funda-se na EI + EE (1º+2º+3º ciclos) + E. Secundário + E. Superior. A passagem de um mundo para o outro baseia-se na educação. As ciências não nos falam do mundo dos valores. Temos que procurar uma concepção comum de direitos humanos. Só através da fé é que poderemos atingir tal ideal. A perspectiva da estrutura de educação acima apresentada está ultrapassada. A partir de década de 40 do século XX começaram as reformas dos sistemas educativos. Tais reformas tinham, como vimos atrás, 3 objectivos fundamentais: económico, social e cultural. A partir da década de 60 deu-se início à escola de massas [EDGAR FAURE]. O nível de desenvolvimento educativo tornou-se superior ao do desenvolvimento económico. Estas reformas eram do ensino, não eram para criar condições para que as pessoas se desenvolvam (EDUCAÇÃO). A escola deixou de ser de elites e passou a ser de massas. As reformas foram quantitativas – dar mais do mesmo a mais gente. As reformas devem ser qualitativas – mudança. EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA Até ao século XIX não existia EI. Em Portugal só em 1920 é que foi implementada. As crianças eram educadas pelas mães. Quando as mães começam a trabalhar (Rev. Industrial), a própria estrutura social procura resolver o problema e foram criados “armazéns” para ficar com as crianças e contratadas pessoas para as entreter. Depois houve outras pessoas contratadas para as ensinar mas não deu resultado. Rousseau não conheceu os seus próprios filhos mas escreveu muito sobre educação infantil. No entanto, os responsáveis pelos “armazéns” adoptaram Rousseau. Para Platão as ideias são perfeitas, as coisas não. Não há seres humanos perfeitos, a ideia é. A criança nunca foi aceite como ser humano. As crianças eram “coisinhas”. A criança não sabe nada. Não são e não sabem, logo não se conduzem sozinhas. Os adultos têm de ser, ensinar e conduzir as crianças. A criança não é? A criança é como qualquer semente, tem que ser apoiada no seu crescimento. É tudo o que vai ser. Ela é tudo aquilo que poderá vir a ser. A criança não sabe? Sabe tudo. A criança conduz toda agente, ela apropria-se do destino de todos. Passa-se do adultocentrismo para o puerocentrismo. Aparecem os pedagogos. [MARIA MONTESSORI] As deficiências das crianças derivam da vida que as obrigam a fazer. As doenças das crianças, na sua maior parte, derivam da educação. Esta autora defendia a liberdade de actuação das crianças nos “armazéns”. Assiste-se à luta entre a educação velha e a “educação nova” (1920). Ela consistiria em “criar condições de espaço, tempo, clima e ambiente para que a criança se desenvolva em todas as dimensões”. Uma das condições é a orientação. A Psicologia desenvolveu-se na segunda metade do século XIX. Entretanto, surgiu PIAGET, biólogo e filósofo, que investigou como é que se desenvolve a inteligência no ser humano. Foi ele que criou a Psicologia do Desenvolvimento. Estudou a criança e considerou-a tão importante como as outras fases. A infância é uma fase de desenvolvimento rápida e de adaptação ao meio [(ASSIMILAÇÃO e ACOMODAÇÃO) e EQUILÍBRIO]. FREUD também defendeu o equilíbrio. PIAGET definiu fases (medidas estatisticamente): - Sensório-motora (18 meses); - Simbólica-semiótica [passa do sensorial ao mental] (6/7 anos); - Operatividade concreta [juntar, separa, somar e multiplicar] (11/12 anos); - Operatividade abstracta [números de números] (15/16 anos). Em 1930 PIAGET acrescenta um problema. Que educação é que vai ser precisa? A EDUCAÇÃO NOVA. Mas acontece um cataclismo: a EDUCAÇÃO NOVA é confiscada pelos regimes ditatoriais. Só em 1948, com a D.U.D.H., é que as ideias de Piaget se consolidam. Ele próprio foi convidado e fez um comentário: “as crianças necessitam de escolas em que a educação seja aquela que está prevista na DUDH”. Ou seja, seja adoptada a pedagogia da EI. Em 1980 dá-se a 2ª revolução da EI. EDUCAÇÃO DE ADULTOS Há 50 anos quem falasse disto era considerado maluco. Há 35 anos a Suécia e a Inglaterra começaram a preocupar-se com a EA. Sempre houve EFA. As pirâmides, as igrejas, as peregrinações e o teatro são a prova, mas não se falava disso. Após a 2ªGM inicia-se um período de utilização massiva das comunicações no espaço, no tempo (aceleração da mudança), na ciência e na técnica. A UNESCO (Educação, Ciência e Cultura) toma consciência dos adultos se encontrarem ultrapassados pelas situações (1949). Realiza-se uma conferência sobre EA. É sugerida a reciclagem/aggiornamento que implicava esforço de actualização profissional. Aparece a formação profissional/formação contínua versus formação inicial. Em 1960 realiza-se a Conferência de Montreal – Canadá constituída por uma maioria de países do 3º Mundo. A EFA é a educação básica = a alfabetização. Em 1960 surgem dois factores civilizacionais incontornáveis: - A conquista do espaço; - A Guerra Fria/energia nuclear = holocausto e destruição nuclear. Nesta época é preciso ter consciência que ou nos salvamos todos ou morremos todos. A Declaração de Montreal dizia que se ia acabar com o analfabetismo em poucos anos. Em 1965 realiza-se a Conferência de Teerão – então capital da Pérsia, hoje Irão. O analfabetismo continuava a existir e transforma-se em analfabetismo regressivo. Era necessária a alfabetização funcional. A AF não estava a conseguir servir aos seres humanos para se libertarem da sua subordinação aos sistemas económicos e aos modos de produção. Em 1972, em Tóquio - Japão dá-se ênfase ao desenvolvimento integrado das populações em função do desenvolvimento integrado de cada ser humano. A educação encaminha-nos para o mundo os valores. Em 1975, em Persépolis, no auge do choque do petróleo aborda-se a AF como acto político de desenvolvimento integrado de todas as dimensões do ser humano de modo a contribuir para o aumento do nível civilizacional. O nível de vida é diferente da qualidade de vida. O crescimento vai depender do desenvolvimento. A utilização da bomba de neutrões erradicava a cultura embora deixando intacta a civilização. Educação de adultos é criar condições para que todo o ser humano adulto se desenvolva em todas as dimensões (física, fisiológica, corporal, mental, artística e moral). Aqui a alfabetização funcional pode ser entendida como a capacidade dos adultos de se movimentarem como pessoas (seres conscientes e livres) nos diferentes sistemas em que se encontrem envolvidos/inseridos. A EA é a de todos nós. Não podemos continuar a pensar na EA como a dos “desgraçados” que não acabaram os cursos. Nos E.U.A. 10% da população é constituída por analfabetos funcionais (pessoas que não conseguem obter mais do que o 5º ano da escolaridade obrigatória). IVAN ILITCH afirma que, em Nova Iorque, é indispensável possuir o 11º ano. Ser-se alfabetizado ultrapassa o sistema escolar. A LITERACIA é a capacidade de utilizar os conhecimentos adquiridos no sistema escolar para resolver os problemas da vida. ALFABETIZAÇÃO = nº de códigos em que se está iniciado = conhecer o alfabeto (código de linguagem escrita) = estar iniciado nos códigos. Somos uns ignorantes porque não sabemos tantos códigos assim. A nossa ignorância é muito elevada face à ciência e devemos assumi-la para progredir no conhecimento. Em 1972 foi tomada a decisão mas, só em 1976 – Nairobi são tomadas as conclusões de considerar a EFA como o conjunto de processos que visa criar condições para que todos os adultos se tornem capazes, eles próprios, de procurarem respostas para as suas necessidades e aspirações. Os objectivos eram: - Tudo aquilo que contribua para o desenvolvimento pessoal; - Tudo aquilo que contribua para o desenvolvimento social; - Tudo aquilo que contribua para a formação cultural. Os métodos eram: - Se todos somos educadores não há distinção entre formandos e formadores. Somos simultaneamente educandos e educadores. Não há quem aprenda nem quem ensine; - Não devemos guardar os segredos; - Temos que nos olhar como iguais. Não pode haver complexos de superioridade; - Temos que atender à sensibilidade dos outros; - Temos que atender à susceptibilidade dos outros; - A avaliação não se rege por critérios correntes (criar um ambiente que continue a existir) = honestidade e transparência da pessoa.

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05/04/2008 O ideal a atingir deve acontecer sem ser pela força do direito nem pelo direito da força. Ele deve ser alcançado pelo ensino e pela educação. Após a 2ª GM encetaram-se profundas reformas dos sistemas educativos. É na Inglaterra e na França que se dão os primeiros passos. Os E.U.A. iniciaram a reforma em 1958 após o lançamento do Sputnic pela U.R.S.S.. Em Portugal só nos anos 60 é que a reforma se iniciou ao nível do sistema escolar. Universidade {séculos XII/XIII – Clérigos}; Liceu {século XVI – Colégios Jesuítas}; Escola Primária {século XVI – países protestantes; século XVII – países católicos; século XIX – Portugal/Marquês de Pombal}; Educação de Infância – século XIX. A reforma do sistema educativo é uma reforma da pirâmide. Uma 1ª preocupação era económica. Nas prioridades da reconstrução do pós-guerra estavam os recursos humanos. A 2ª preocupação era social: a igualdade. A escola primária para todos, o liceu para alguns e a universidade para poucos. A 3ª preocupação era cultural. {EDGAR FAURE} – “Aprender a ser” veiculou a avaliação da situação da educação. Pela primeira vez na história o nível de desenvolvimento educativo ultrapassou o nível de desenvolvimento económico. Isso faz surgir uma nova classe: a juventude. Com ela surge a contestação à sociedade em que ela se insere (Maio de 68). A crise mundial da educação implica a preparação da juventude para mundos que ainda não existem. IVAN ILITCH fala da desescolarização da sociedade. A reforma do sistema educativo era, afinal, a reforma do sistema escolar, do ensino. Preocupava-se com o ensinar sem ir ao fundo do educativo. Era dar mais do mesmo. Foram falsas reformas. Deve-se começar a reformar pela educação de infância e pela educação de adultos.

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Não consegui resistir a publicar as minhas notas pessoais sobre as fabulosas aulas do Professor Doutor Ribeiro Dias no Mestrado em Administração Educacional do Instituto Superior de Educação do Porto, biénio 2007/2009. 29/03/2008 Para que estamos aqui? No século XII existiam poucas divisões de conhecimento, no fundo existiam as Artes, a Teologia, a Medicina e o Direito. Os objectivos do mestrado antigo (1983/84/85): 1 – Aprofundar uma determinada área da licenciatura. Relacionar/articular aprofundadamente uma área da licenciatura com outra área da educação. 2 – Exercitar-mo-nos/treinar-mo-nos na investigação (vestígio - pegada). Habituar-mo-nos a procurar conhecimentos novos. A avaliação terá em conta as classificações das disciplinas. Mas a avaliação da dissertação é que mandará. A dissertação demonstrará a capacidade de investigação. O objectivo vai ser treinar-mo-nos para a investigação. A tese de doutoramento vai ter que apresentar algo de novo. A educação de adultos tem estratégias de ensino – aprendizagem específicas. Todos devemos unir esforços para descobrir soluções para os nossos problemas. Fundamentos de educação (a base, o terreno de apoio): - sector de investigação da razão de ser, da explicação da educação; - regra, norma, lei, direito da educação; - essencial, insubstituível, absolutamente necessário, não pode falhar; - fundamento = princípio intelectual. O que é essencial em educação? Educação confunde-se, a maior parte das vezes, com ensino. Mas será que ensinar é diferente de educar? Os pais são os responsáveis pela educação global. Os educadores são os pais. Os pais estimulam e contribuem para criar condições para o desenvolvimento. Ninguém desenvolve ninguém. As diversas partes do organismo vão-se desenvolvendo. Os pais conhecem a maneira de educar porque amam as crianças ou amam de tal maneira que possam educar? Os pais sabem porque amam ou porque sabem? O saber vem do amar. Educar significa na sua essência NUTRIR. Educar é criar condições para que as crianças se desenvolvam. A educação de uma criança começa 20 anos antes de a criança nascer [Napoleão]. Educar não é dar tudo. Educar é amar. Educar é amar (Ágape), não é amar (Eros). Se o Ministério da Educação gastasse o dinheiro na educação de adultos (dos pais) era muito mais eficaz. {Análise do texto de GILBERT, R.} Para Durkheim é preciso impor à criança tudo o que a sociedade pretende dado que a criança não tem capacidade de aí chegar espontaneamente. E não tem outro destino social senão aquele a que já pertence. A sociedade é tudo. Já Montaigne dizia que não queria cabeças cheias, queria cabeças bem feitas. Educar é criar condições para o ser humano se desenvolver no seu todo [dar a cana para pescar]. Ensinar é parte integrante do educar e integra a transmissão de conhecimentos (encher as cabeças)[dar o peixe], impor/inculcar (mal) as ideias dominantes e criar condições para que se desenvolva a inteligência do ser humano. A educação é a formação de dentro para fora, é criar condições para que se expanda/desabroche a capacidade/personalidade humana. Toda a obra de arte é um acto de formação.

A Serra da Leba

A Serra da Leba
A sombra das luzes