domingo, 3 de março de 2013

Fundamentos de Educação 3

19/04/2008 A educação: - Vamos procurar perceber o que é a educação; - Vamos recorrer à nossa experiência global e ter em conta a história dos últimos 50 anos. À partida pressupõem-se dois mundos, o dos valores e o corrente. A transição entre eles processa-se através da educação. Essa educação funda-se na EI + EE (1º+2º+3º ciclos) + E. Secundário + E. Superior. A passagem de um mundo para o outro baseia-se na educação. As ciências não nos falam do mundo dos valores. Temos que procurar uma concepção comum de direitos humanos. Só através da fé é que poderemos atingir tal ideal. A perspectiva da estrutura de educação acima apresentada está ultrapassada. A partir de década de 40 do século XX começaram as reformas dos sistemas educativos. Tais reformas tinham, como vimos atrás, 3 objectivos fundamentais: económico, social e cultural. A partir da década de 60 deu-se início à escola de massas [EDGAR FAURE]. O nível de desenvolvimento educativo tornou-se superior ao do desenvolvimento económico. Estas reformas eram do ensino, não eram para criar condições para que as pessoas se desenvolvam (EDUCAÇÃO). A escola deixou de ser de elites e passou a ser de massas. As reformas foram quantitativas – dar mais do mesmo a mais gente. As reformas devem ser qualitativas – mudança. EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA Até ao século XIX não existia EI. Em Portugal só em 1920 é que foi implementada. As crianças eram educadas pelas mães. Quando as mães começam a trabalhar (Rev. Industrial), a própria estrutura social procura resolver o problema e foram criados “armazéns” para ficar com as crianças e contratadas pessoas para as entreter. Depois houve outras pessoas contratadas para as ensinar mas não deu resultado. Rousseau não conheceu os seus próprios filhos mas escreveu muito sobre educação infantil. No entanto, os responsáveis pelos “armazéns” adoptaram Rousseau. Para Platão as ideias são perfeitas, as coisas não. Não há seres humanos perfeitos, a ideia é. A criança nunca foi aceite como ser humano. As crianças eram “coisinhas”. A criança não sabe nada. Não são e não sabem, logo não se conduzem sozinhas. Os adultos têm de ser, ensinar e conduzir as crianças. A criança não é? A criança é como qualquer semente, tem que ser apoiada no seu crescimento. É tudo o que vai ser. Ela é tudo aquilo que poderá vir a ser. A criança não sabe? Sabe tudo. A criança conduz toda agente, ela apropria-se do destino de todos. Passa-se do adultocentrismo para o puerocentrismo. Aparecem os pedagogos. [MARIA MONTESSORI] As deficiências das crianças derivam da vida que as obrigam a fazer. As doenças das crianças, na sua maior parte, derivam da educação. Esta autora defendia a liberdade de actuação das crianças nos “armazéns”. Assiste-se à luta entre a educação velha e a “educação nova” (1920). Ela consistiria em “criar condições de espaço, tempo, clima e ambiente para que a criança se desenvolva em todas as dimensões”. Uma das condições é a orientação. A Psicologia desenvolveu-se na segunda metade do século XIX. Entretanto, surgiu PIAGET, biólogo e filósofo, que investigou como é que se desenvolve a inteligência no ser humano. Foi ele que criou a Psicologia do Desenvolvimento. Estudou a criança e considerou-a tão importante como as outras fases. A infância é uma fase de desenvolvimento rápida e de adaptação ao meio [(ASSIMILAÇÃO e ACOMODAÇÃO) e EQUILÍBRIO]. FREUD também defendeu o equilíbrio. PIAGET definiu fases (medidas estatisticamente): - Sensório-motora (18 meses); - Simbólica-semiótica [passa do sensorial ao mental] (6/7 anos); - Operatividade concreta [juntar, separa, somar e multiplicar] (11/12 anos); - Operatividade abstracta [números de números] (15/16 anos). Em 1930 PIAGET acrescenta um problema. Que educação é que vai ser precisa? A EDUCAÇÃO NOVA. Mas acontece um cataclismo: a EDUCAÇÃO NOVA é confiscada pelos regimes ditatoriais. Só em 1948, com a D.U.D.H., é que as ideias de Piaget se consolidam. Ele próprio foi convidado e fez um comentário: “as crianças necessitam de escolas em que a educação seja aquela que está prevista na DUDH”. Ou seja, seja adoptada a pedagogia da EI. Em 1980 dá-se a 2ª revolução da EI. EDUCAÇÃO DE ADULTOS Há 50 anos quem falasse disto era considerado maluco. Há 35 anos a Suécia e a Inglaterra começaram a preocupar-se com a EA. Sempre houve EFA. As pirâmides, as igrejas, as peregrinações e o teatro são a prova, mas não se falava disso. Após a 2ªGM inicia-se um período de utilização massiva das comunicações no espaço, no tempo (aceleração da mudança), na ciência e na técnica. A UNESCO (Educação, Ciência e Cultura) toma consciência dos adultos se encontrarem ultrapassados pelas situações (1949). Realiza-se uma conferência sobre EA. É sugerida a reciclagem/aggiornamento que implicava esforço de actualização profissional. Aparece a formação profissional/formação contínua versus formação inicial. Em 1960 realiza-se a Conferência de Montreal – Canadá constituída por uma maioria de países do 3º Mundo. A EFA é a educação básica = a alfabetização. Em 1960 surgem dois factores civilizacionais incontornáveis: - A conquista do espaço; - A Guerra Fria/energia nuclear = holocausto e destruição nuclear. Nesta época é preciso ter consciência que ou nos salvamos todos ou morremos todos. A Declaração de Montreal dizia que se ia acabar com o analfabetismo em poucos anos. Em 1965 realiza-se a Conferência de Teerão – então capital da Pérsia, hoje Irão. O analfabetismo continuava a existir e transforma-se em analfabetismo regressivo. Era necessária a alfabetização funcional. A AF não estava a conseguir servir aos seres humanos para se libertarem da sua subordinação aos sistemas económicos e aos modos de produção. Em 1972, em Tóquio - Japão dá-se ênfase ao desenvolvimento integrado das populações em função do desenvolvimento integrado de cada ser humano. A educação encaminha-nos para o mundo os valores. Em 1975, em Persépolis, no auge do choque do petróleo aborda-se a AF como acto político de desenvolvimento integrado de todas as dimensões do ser humano de modo a contribuir para o aumento do nível civilizacional. O nível de vida é diferente da qualidade de vida. O crescimento vai depender do desenvolvimento. A utilização da bomba de neutrões erradicava a cultura embora deixando intacta a civilização. Educação de adultos é criar condições para que todo o ser humano adulto se desenvolva em todas as dimensões (física, fisiológica, corporal, mental, artística e moral). Aqui a alfabetização funcional pode ser entendida como a capacidade dos adultos de se movimentarem como pessoas (seres conscientes e livres) nos diferentes sistemas em que se encontrem envolvidos/inseridos. A EA é a de todos nós. Não podemos continuar a pensar na EA como a dos “desgraçados” que não acabaram os cursos. Nos E.U.A. 10% da população é constituída por analfabetos funcionais (pessoas que não conseguem obter mais do que o 5º ano da escolaridade obrigatória). IVAN ILITCH afirma que, em Nova Iorque, é indispensável possuir o 11º ano. Ser-se alfabetizado ultrapassa o sistema escolar. A LITERACIA é a capacidade de utilizar os conhecimentos adquiridos no sistema escolar para resolver os problemas da vida. ALFABETIZAÇÃO = nº de códigos em que se está iniciado = conhecer o alfabeto (código de linguagem escrita) = estar iniciado nos códigos. Somos uns ignorantes porque não sabemos tantos códigos assim. A nossa ignorância é muito elevada face à ciência e devemos assumi-la para progredir no conhecimento. Em 1972 foi tomada a decisão mas, só em 1976 – Nairobi são tomadas as conclusões de considerar a EFA como o conjunto de processos que visa criar condições para que todos os adultos se tornem capazes, eles próprios, de procurarem respostas para as suas necessidades e aspirações. Os objectivos eram: - Tudo aquilo que contribua para o desenvolvimento pessoal; - Tudo aquilo que contribua para o desenvolvimento social; - Tudo aquilo que contribua para a formação cultural. Os métodos eram: - Se todos somos educadores não há distinção entre formandos e formadores. Somos simultaneamente educandos e educadores. Não há quem aprenda nem quem ensine; - Não devemos guardar os segredos; - Temos que nos olhar como iguais. Não pode haver complexos de superioridade; - Temos que atender à sensibilidade dos outros; - Temos que atender à susceptibilidade dos outros; - A avaliação não se rege por critérios correntes (criar um ambiente que continue a existir) = honestidade e transparência da pessoa.

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