quarta-feira, 20 de março de 2013
A ESCOLA e a aprendizagem organizacional
O conceito de aprendizagem organizacional refere-se às organizações que estão em constante processo de aprendizagem, ou seja, às organizações que aprendem.
No sentido de perceber este conceito e beneficiar das suas sinergias colocam-se duas questões a que tentaremos responder.
A primeira questão é: poderão as organizações aprender a aprender?
A segunda será: as escolas, enquanto modelos organizacionais específicos, poderão ser consideradas como organizações que aprendem?
Senge (1990) considera que, partindo do pressuposto que a aprendizagem organizacional compreende os princípios e práticas que permitem a absorção do conhecimento nas organizações, as quais estimulam a aprendizagem contínua de seus colaboradores, visando a incorporação de novos conhecimentos nos processos de trabalho, é necessário que as organizações estejam atentas ao processo evolutivo. Tais princípios levam as organizações a adoptarem estratégias, procedimentos e práticas de questionamento da sua actuação.
Esse posicionamento conduz à implementação de políticas adequadas de administração da informação, avaliação do desempenho, aprendizagem no trabalho e atitudes que estimulem a criatividade e a inovação.
O conceito de aprendizagem organizacional surgiu da necessidade que as organizações têm de conquistar vantagens competitivas e de transpor os momentos desfavoráveis e/ou as mudanças. Isso é possível através da adaptação, transformação e criação de processos e actividades. Entretanto, os processos melhorados só surgem através da aquisição, partilha, transformação e armazenamento do conhecimento, e consequentemente de novos padrões de raciocínio. O resultado esperado desse processo é uma organização que viva para sempre.
E aqui coloca-se a segunda questão e a aplicação destes princípios à escola.
Para Senge as organizações que aprendem são instituições onde as pessoas expandem continuadamente a sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam, onde surgem novos e elevados padrões de raciocínio, onde a aspiração colectiva é livre e onde as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo.
“As organizações só aprendem através de indivíduos que aprendem”. (Senge, 1990, p. 11). Ou seja, a aprendizagem individual não é suficiente para garantir a aprendizagem do todo organizacional, mas sem um conjunto de aprendizagens individuais não existirá aprendizagem organizacional.
A escola que é um espaço de encontro e de produção de conhecimento reúne todas as condições para ser considerada uma organização que aprende. Para que esse objectivo seja alcançado é necessária a existência de pessoas que desejem e sejam capazes de "aprender a aprender".
Senge (1990, p.41 e seguintes) procura organizar o processo de aprendizagem individual sugerindo cinco “disciplinas” (disciplines). Ele considera que “disciplina” é um conjunto de práticas de aprendizagem, através das quais a pessoa se modifica, adquirindo novas habilidades, conhecimentos, experiências e níveis de consciência. As cinco disciplinas da aprendizagem organizacional são: domínio pessoal, modelos mentais, visão partilhada, aprendizagem em equipa e pensamento sistémico, que são detalhadas a seguir.
O domínio pessoal põe a tónica nos indivíduos e implica continuamente esclarecer e aprofundar a nossa visão pessoal, concentrar as nossas energias, desenvolver a paciência de cada um e percepcionar a realidade de forma objectiva.
Como tal, é a pedra de toque essencial para a organização que aprende – o querer acreditando. A capacidade e o comprometimento de uma organização em aprender têm de corresponder às dos seus integrantes. Esta disciplina radica na matriz humanista judaico-cristã.
Os modelos mentais são compostos por imagens, histórias e preceitos que o indivíduo utiliza como referência acerca do que as coisas são e como funcionam. Constituem verdadeiros mapas mentais cognitivos que influenciam a forma como cada um de nós vê o mundo e as suas relações. Os modelos mentais de cada indivíduo são nutridos por crenças e valores que se sistematizam desde o nascimento e que se desenvolvem ao longo da vida de cada um. Consoante a maturidade as pessoas passam a reflectir e melhorar continuamente a imagem que têm do mundo, objectivando novos modelos para os seus actos e decisões.
O sucesso de algumas equipas de trabalho assenta na existência de crenças e aspirações comuns. As pessoas só passam a empenhar-se em conjunto e de livre vontade quando percebem que cada qual tem um papel importante para alcançar o objectivo comum. A partir daí elas compreendem que o desenvolvimento de inteligência e de habilidades colectivas são maiores do que a soma das inteligências e habilidades individuais. Senge considera que, assim como as visões pessoais são retratos ou imagens que as pessoas têm na mente e no coração, também as visões partilhadas são imagens que pertencem às pessoas que fazem parte de uma organização.
A aprendizagem em equipa é a aliança perfeita das aptidões colectivas com o pensamento e com a comunicação no sentido de que as equipas possam desenvolver inteligência e capacidade maiores do que a soma dos talentos individuais. Essas pessoas desenvolvem um sentido de comunidade que premeia a organização e dá coerência às diversas actividades.
O pensamento sistémico é a disciplina que integra as outras, fundindo-se num corpo coerente de teoria e prática. De acordo com Senge, se não existir uma orientação sistémica, não há motivação para analisar as “inter-relações” entre as disciplinas. É vital que as cinco disciplinas se desenvolvam como um conjunto. Isso é desafiador, pois é muito mais difícil integrar novas ferramentas do que simplesmente aplicá-las separadamente. Ampliando cada uma das outras disciplinas, o pensamento sistémico lembra-nos continuamente que a soma das partes pode exceder o todo. Mas as recompensas são enormes.
É esta quinta disciplina aliada à perspectiva estratégica que permitirá à escola moldar o seu sistema com maior eficácia e agir mais de acordo com as envolventes social e económica.
Nota bibliográfica:
SENGE, Peter, 11. ed., A Quinta disciplina – arte, teoria e prática da organização de aprendizagem. São Paulo: Best Seller, 1990.
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