domingo, 3 de março de 2013
Fundamentos de Educação 8
21/06/2008
TRABALHO: ANÁLISE CRÍTICA E CIENTÍFICA AO LONGO DE TODA A MATÉRIA.
Conceito de EDUCAÇÂO:
- A dignidade e os direitos do homem;
- O ideal da humanidade;
- Reconhecimento da mais alta aspiração humana;
- Ideal a atingir através do ensino e da educação.
Educação não é ensino. Ela implica o desenvolvimento de todas as dimensões do ser humano (vontade, liberdade, sentimento e respeito).
A Educação não é uma questão de razão e de inteligência. A questão essencial não é a ciência, é a ética.
Saber para quê? Para termos mais coisas? Não. É para sermos melhores. Isso implica uma revolução total. O saber mais não chega. Mais ciência, mais ciência não nos torna melhores como pessoas humanas.
Educar não é ensinar. A educação é tudo. É o desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões.
Somos todos educadores e educandos.
Educação ecossistémica – muito respeito pela casa.
Se deixarmos perverter os valores ninguém se entende.
PEDAGOGIA = ajudar, empurrar a vida de todos no seu todo.
As migrações dos animais ajudam-nos a ser os verdadeiros cidadãos do mundo.
O saber, a vida e o amor completam-se, não se excluem ou diminuem uns aos outros.
DIMENSÃO AXIOLÓGICA
Procurar o ideal da humanidade, a dimensão do EU no SER. O que é a nossa vida neste ciclo de 15 milhões de anos?
Nós nem somos, nem estamos, passamos de…para, vamos…O verbo que nos define é o verbo IR de…para… Daí a importância do que está para além do que somos.
Comer para trabalhar ou trabalhar para comer?
Ter, saber, poder é diferente de ser.
Os valores têm hierarquias. Há valores do espírito, valores morais e valores pessoais.
Os valores morais são transcendentes, ilimitados e imateriais (verdade, justiça, honestidade, bondade). Os valores pessoais e os valores materiais (os que podem ser objecto de partilha) são limitados. Não podemos orientar a nossa vida para recursos limitados.
O BEM E O MAL
Vivemos para os valores (os fins alcançados). Tudo o que nos realiza e que nos causa bem-estar é BEM. MAL é tudo aquilo que não nos proporciona o BEM. BEM é tudo aquilo que todos queremos. MAL é o que nos traz o contrário.
Agir bem ou agir mal é o nosso livre arbítrio. Uns de nós utilizamos bem a liberdade. Outros não.
Podemos orientar as nossas acções ao serviço de cada um de nós. Os EU’s procuram colocar todo o serviço nas suas mãos. São os que não respeitam ninguém (egotistas).
Este mundo, assim, é uma selva. Há mais solidariedade entre os bandidos.
Educar é procurar ser cidadão, humano, direito e honesto.
Os seres humanos são maus quando cada um só pensa em si (egoísmo, egotismo).
Mais do que o bem e o mal o que é importante é o comportamento das pessoas.
TOMÁS MORO (inglês) – jurista de renome chegou a chanceler de Inglaterra no tempo de Henrique VIII que o prendeu e mandou matar. Para Moro tudo o que era mau acontecia na ilha da Inglaterra. Assim, convidou o grande aventureiro NICLODEU e juntos criaram uma “nova” ilha onde todos seriam felizes. Só que não existia nenhuma ilha assim: UTOPIA. Se considerarmos os étimos de UTOPIA ( U = não, TOPIA = lugar) rapidamente percebemos o significado da palavra.
Já que as ilhas não existem vamos planificá-las nós: SOCIALISTAS UTÓPICOS.
Os homens têm que ser bons, ou a bem ou a mal.
Actualmente, ninguém está contente com a sua sorte. Dois autores reflectiram sobre a sociedade actual e disso resultaram dois livros paradigmáticos:
- O admirável Mundo Novo – ALDOUS HUXLEY;
A sociedade decidiu acabar com os nascimentos normais. Tudo passou a ser tratado em laboratório. Cada ser humano era programado geneticamente para a tarefa. Todos ficariam contentes com a sua sorte. Dois deles fugiram à normalidade e começaram a dar que fazer e a falar de amor.
- O triunfo dos porcos – GEORGE ORWELL.
[NICOLAU BENDIEF] As utopias podem realizar-se. Temos que nos prevenir. As utopias e as contra-utopias.
No século IX AC ZOROASTRO preocupou-se com a incompatibilidade entre o bem e o mal. Tinham de existir dois deuses: um do bem (ORASD) e outro do mal (ANIMED).
No século III AC MANÉS deu origem ao Maniqueísmo. Existem dois deuses que estão permanentemente em guerra.
SANTO AGOSTINHO foi, desde jovem, influenciado pelo maniqueísmo. Mais tarde proclamou que a fronteira entre o bem e o mal passa pelo meio de nós todos. Só podemos acabar com esta situação acabando connosco todos. A raiz do bem e do mal é a nossa liberdade. Nós temos liberdade de usar só o bem ou de usar só o mal. Assim, a única maneira de acabar com o mal é acabar com a liberdade humana.
Moral da história: o que é que preferimos, acabar com o mal ou continuarmos livres?
SÓCRATES defendia que ninguém faz o mal por querer. Todos fazem o mal por ignorância.
Não será bem assim porque existe muita sabedoria maldosa.
Apesar de tudo, este mundo é o melhor de todos.
CHESTERION conta a história de um casal inglês cansado da ilha. Meteram-se num bote e foram à procura de outra ilha. Quando a encontraram, estavam outra vez na Inglaterra.
Devemos procurar fazer sempre o bem. Aceitar o que os outros nos fazem de mal. Não no sentido de aceitar o que é mau mas, em nome do supremo valor da liberdade, temos de aceitar o que há de mal.
Não aceitar leva à revolta, à destruição do EU e dos outros. Aceitar pertence à educação. Se não aceitarmos estamos à mercê da ventania. Aceitar a manutenção do livre arbítrio implica aceitar todo o bem e todo o mal. Não somos, passamos de e para.
Qual é o caminho que devemos trilhar?
A formação deve inclinar-se mais para o lado do bem. Na verdade e na mentira criam-se hábitos. Se disser sempre a verdade, a verdade será um hábito. Um hábito é uma sequência de actos. A conjugação de hábitos constrói o carácter. O carácter é a maneira de ser. Um hábito mau será um VÍCIO. Um hábito bom será uma VIRTUDE.
(grego) ÉTHOS = hábito, (grego) ÊTHOS = carácter.
(latim) AMORAL = não tem consciência da liberdade, (latim) IMORAL = moral negativa, (latim) MORAL = moral positiva, (latim) MORES = hábitos.
A ÉTICA é o domínio/sítio dos princípios. A MORAL é o domínio/sítio dos costumes/hábitos/tradições
DRAMA
Portar-se bem é comportar-se de acordo com as leis (JUS = caminho direito). Tudo o que é direito respeita a justiça.
Nos tempos primitivos a justiça era dura (pena de TALIÃO, Código de HAMURÁBI) = olho por olho, dente por dente. Foi evoluindo nas civilizações clássicas.
AGAMENON era casado com CLIDMENESTRA que o mandou matar. O filho de ambos matou a mãe. As ERINIAS iam matar o filho. A deusa ATENA parou o processo e surgiram os tribunais. No Conselho de Justiça – dar a cada um o que lhe pertence. Assim nasce o conceito de justiça actual.
A economia é uma desgraça. No Livro de Jó diz-se: Deus o deu, Deus o levou, bendito seja Deus, bem haja Deus.
No século XIX dá-se a revolução proletária. Surgem no século XX as encíclicas papais que defendem que se deve dar a cada um o que precisa.
A vida traz-nos situações raras. Muitas vezes temos que dar o que somos e o que temos.
Racionalmente cometemos atitudes estúpidas que são consideradas heroicidades. Valeu a pena? Valeu o sacrifício? Sacrifício = oferecer, dar-se. Sacrilégio = tirar a Deus.
A forma mais sublime de amar é darmo-nos. Começamos por receber tudo o que temos e o que somos. Acabamos por nos dar todos.
Educação é o percurso que vai do receber tudo até ao dar tudo e darmo-nos todos. No fundo de tudo está o amar.
FORMAÇÃO DE EDUCADORES
ALDOUS HUXLEY – o pensador das anti-utopias, considera que as utopias funcionam bem até à impossibilidade de as aplicar. Depois da 2ªGM, no “Admirável Mundo Novo”, 2ªEdição, no prefácio, A. H. diz que foi criticado por intelectuais “por ser um deplorável exemplo de crise”.
Um monumento aos professores deveria ser construído nas estripadas cidades europeias e japonesas. Na sua base a seguinte frase: “Se andas à procura do monumento, ele é este mas olha à tua volta. Em memória dos professores”.
Como é que com tantas chamadas de atenção as guerras continuam a subsistir?
[EDGAR FAURE] – “Aprender a ser”. A profissão de ensinar só terá futuro se se adaptar às novas estruturas de ensino.
A função de educar ganha cada vez mais importância face ao instruir. A dimensão fundamental não é a do conhecimento. Sabe-se muito porque se ama. Porque se interessa/ama pelo/o ser humano. É fundamental estarmos dispostos a sacrificarmo-nos pelos outros.
Na acção educativa não basta cumprir o programa. Esta é só uma das partes da educação. Não basta encher a memória. É dando toda a força à hierarquia dos valores.
Educar não é apenas ensinar. O principal é criar condições para que o ser humano cresça em todas as dimensões. Criação endógena. Tudo o que é bom tem de nascer de dentro. Em liberdade.
A formação de professores não pode continuar a ser altamente especializada. A educação era educação escolar. Hoje é necessário orientar a liberdade para a prática do bem, no seio da família humana e dignidade inerente.
Atenção ao “soft power” da ONU [BANK i MOON]. 191 Estados aceitam posturas básicas sobre a formação moral.
Nenhum de nós recebeu onerosamente a dignidade humana. Por isso, devemos respeitar a dignidade dos outros. Recebemos tudo o que temos e tudo o que somos pelo facto de sermos seres humanos. Devemos retribuir uns aos outros aquilo que nos foi atribuído.
O acesso ao poder devia ser substituído por acesso ao serviço. (latim) MINISTRO = servente.
O grande tema da filosofia: ser isto ou ser aquilo. Filósofo é o que pergunta sobre as coisas. Filosofar é gostar da filosofia.
APEIRON = o ilimitado confuso. Tudo se confundia com tudo. Nada se distinguia de nada.
O que é tudo isto? O grande problema é isto tudo!
Na filosofia podemos utilizar dois grandes métodos para chegar à luz:
- MAIÊUTICO = levar os outros a dar à luz as respostas;
- IRÓNICO = perguntar, perguntar…
PLATÃO perguntou: O que é cada coisa? A resposta que deu foi: a ideia. Para ARISTÓTELES a resposta era: o conceito.
Perdemos a visão do todo: o ser.
Na nossa vida é fundamental a interacção entre todos os aspectos que a compõem:
- Saber crescer fisicamente; - Saber crescer intelectualmente; - Saber crescer moralmente.
Dar aos outros o que precisam é bem. A educação é criar condições para que as pessoas se orientem para o bem, no sentido da realização dos valores. Ver [ÁLVARO GOMES – A aula].
EDUCAÇÃO é o processo em que utilizando COISAS (recursos/meios) [criação de condições], se vão transformando as PESSOAS (fins) [desenvolvimento em todas as dimensões] no sentido dos VALORES [plena realização].
TRABALHO: reflexão crítica da experiência pessoal à luz das grandes orientações/matéria que foram sendo abordadas.
No trabalho final deve-se ter em conta:
- Educar e saber educar;
- Simplicidade e utilidade;
- Deve debruçar-se sobre a experiência de educandos e educadores de cada um de nós;
- Pegar em tudo o que é educar e saber educar das aulas;
- Pôr em confronto/apreciação crítica/análise crítica a experiência e os fundamentos da educação. Andamos a fazer melhor ou pior? O que é que eu posso melhorar nas minhas práticas?
- Desde os nossos princípios como filhos até à nossa actualidade.
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