domingo, 3 de março de 2013

Fundamentos de Educação 6

24/05/2008 Perante um mundo global e único, depende só de nós a construção do nosso futuro. Face à experiência profunda e universal temos dois caminhos: - Reconhecimento e respeito pela dignidade humana e teremos condições para viver em harmonia e paz rumo à felicidade humana; - Desprezo pela dignidade de todos os elementos da família humana e isso conduzirá à guerra e à destruição. Tudo o que está a acontecer é global. Criar condições é criar o mundo físico para nutrir, alimentar a capacidade de construir uma pessoa. Educar é criar as condições de desenvolvimento da pessoa humana. Dignidade = [DEK DAK] dar e receber. A dignidade humana é algo que todos recebemos e é igual para todos. O Presidente da República tem tanta dignidade como o indigente. O condenado tem tanta dignidade como o papa. Se o condenado for executado continua a ter dignidade humana, ou seja, não deixa de ter os direitos inerentes à dignidade humana. O advento de um mundo de respeito pela dignidade humana é o mundo dos valores que só se consegue pela educação e com fé/compromisso em que venha esse mundo dos valores. A dignidade humana é um ideal comum de todos os povos do mundo (Preâmbulo da DUDH). O ensino faz parte da Educação. O sistema de EI + EA deveria redundar num processo de educação ao longo da vida. A criança dos 0 aos 18 está a crescer em toda a sua amplitude. O adulto dos 18 até ao final da vida já pode abrir o seu próprio caminho. Devem ser criadas condições para que o adulto procure, ele próprio, a maturidade e a autonomia (AUTONOMUS = a lei já nasce de mim). A educação comunitária envolve a solidariedade entre todos nós. A educação ecossistémica envolve todos os componentes (físico, afectivo, intelectual, moral, ético) de toda a família humana. Como educar? Precisamos de uma visão global do ser humano. Pedagogia (crianças) – Andragogia (homens) – Antropagogia (todo o ser humano). A Pedagogia, remontando ao étimo IE*, significa abrir caminho para a vida. Os animais é que controlam o mundo. Atravessam-no de um lado ao outro para procriarem. Tudo isto de crescer tem a ver com a transmissão da vida. Nos seres humanos tudo isto tem a ver com a consciência e liberdade, com a compreensão e as relações humanas. Agora tudo passa pelo amor. Amor primeiro – amor filial – amor dos nossos pais que tudo nos deram e que se deram todos. O amor filial é receber. Nenhum de nós é sem ser amado. GEN = gerar. Educar é apoiar a vida/estimular á vida/é andar com a vida para a frente. No trabalho final deve-se ter em conta: - Educar e saber educar; - Simplicidade e utilidade; - Deve debruçar-se sobre a experiência de educandos e educadores de cada um de nós; - Pegar em tudo o que é educar e saber educar das aulas; - Pôr em confronto/apreciação crítica/análise crítica a experiência e os fundamentos da educação. Andamos a fazer melhor ou pior? O que é que eu posso melhorar nas minhas práticas? - Desde os nossos princípios como filhos até à nossa actualidade. DIMENSÃO GNOSEOLÓGICA DE PEDAGOGIA Falar mais de saber é uma atitude de bom senso intelectual. SAP = saborear. Ver Introdução p.11 e a recensão bibliográfica p.12 sobre a evolução da história. Na escola começamos por estudar a história de Portugal mas, o que é que sabemos da história da China, da Índia ou da América? Sabemos uma história regional. A UNESCO organizou uma História da Humanidade donde foi erradicada a palavra primitivo. Na disciplina vamos distinguir 3 períodos da história mundial para podermos entender o conhecimento/o saber: MITO, FILOSOFIA e REVELAÇÂO. MITO É a primeira fase dos grupos humanos (tribo). A humanidade foi-se libertando da animalidade. Os nómadas foram-se autonomizando. Pelo milénio 10º AC assistiu-se à sedentarização, pelo milénio 1ºAC ocorre a fase final dos mitos. Esta fase de economia de subsistência caracterizada por uma sociedade sem classes, excepto o género e a idade, em que o poder pertence ao macho alfa/ ao mais forte/ ao patriarca/ ao chefe. É uma civilização dependente da terra. A cultura é mitológica. [FERNANDO PESSOA] O mito é um nada que é tudo. 3 definições de MITO: - Mentira no sentido da não verdade; - Verdade indirecta (através do que se diz pretende-se dizer outra coisa). Persefona, filha de Meter, vivia no Olimpo. Um dia foi apanhar flores e os deuses das cavernas raptaram-na. Houve guerra. Houve armistício. Persefona ficou a viver na Primavera e Verão com os pais. No Outono e Inverno vivia nas cavernas. - Verdade a 100% (porque corresponde à verdade transmitida pelos antepassados). A mentalidade primitiva abrangia: 1 – O ser; 2 – O conhecer; 3 – O agir. 1 – No princípio existiram os antepassados. Os antepassados eram dotados de MANÁ (força extraordinária que os levava a fazer tudo da forma mais perfeita). Daí o dogma da capacidade dos antepassados que nos ficou sob a forma de talismã, do amuleto (a casa tem maná, o templo tem maná, a aldeia tem maná, a cidade santa). 2 – Como eles fizeram tudo, só nos resta recordar o que eles fizeram. A capacidade de conhecer reside na memória. Conhecer é recordar = MITO. 3 – Agir é repetir o que eles fizeram = RITO. Viver é recordar e repetir. [MIRCEA ELIADE] defende que os mitos e os ritos são mecanismos de muitos de nós. No entanto, [EZÍODO – Livro das Idades], vimos a assistir à degradação da experiência. Quando havia excesso de produção guardava-se para a festa /a orgia. A orgia significava o fim da degradação e o recuperar da perfeição da “idade de ouro”. Recupera-se o tempo original. O tempo é um círculo. O passado é perfeito, o presente é degradado e o futuro não existe. Nesta época existia uma contradição entre a máscara física e a máscara psicológica. Convém lembrar os ídolos – recordar, repetir e imitar. Em termos de educação temos ensino (recordar e repetir). Damos-lhe o protótipo, o arquétipo e repitam. FILOSOFIA (século VII AC) Outras civilizações surgiram que consideraram os antepassados como deuses. Dos mitos avançou-se para as religiões. Os Sumérios e os Egípcios vão nesta linha. Com a escrita os ritos passam a ser leis. Não aparece em todo o planeta. Do Egipto até à China, passando pela Índia, surgiram as civilizações dos grandes espaços e dos grandes rios. Há até uma coincidência entre as ideias que as caracterizam: Confúcio e Lao-Tsé, Buda, Zaratustra e os primeiros filósofos gregos (pré-socráticos). Surgem as filosofias. Os sacerdotes dominavam as leis, a economia e o poder. Eram a classe dominante. Os militares começaram a contestar os desatinos dos sacerdotes e colocam a primeira questão do ateísmo: haverá deuses? A filosofia nasce da procura do conhecimento através do raciocínio das pessoas. Os antepassados não interessam. O que interessa sou eu. Qual é a atitude dos pré-socráticos? O que é tudo isto? DEFINIÇÃO. E porque é tudo isto? CONCEITOS (Sócrates)/IDEIAS (Platão)/NÚMEROS (Pitágoras)/ FORMAS (Aristóteles)/ESSÊNCIAS (Medievais)/IDEIAS (Kant). No princípio era o caos [ANAXIMANDRO]. O que é o universo? O que é o homem? O que é Deus? O ser humano o que é? É o eu que pergunta (SUJEITO). Tudo o resto é OBJECTO. Na evolução do pensamento o sujeito opõe-se ao objecto. Isto gera confusão e é impossível viver. [SARTRE] colocou bem esta questão – Eu sou livre? Mas como é que isto é possível? A tragédia é que cada um é sujeito e os outros são objectos. O egoísmo/o egocentrismo/o egotismo( em grego = autismo)/o narcisismo (forma não violenta de egotismo – só se vê a ele). Deus é o absoluto, o que abarca tudo, o infinito. A filosofia ao considerar o sujeito e o objecto, considera Deus como um erro. [GABRIEL MARCEL – La Teodissé c’est l’ateisme]. O filósofo chega à conclusão de que não sabendo nada, logo vai é tratar de si. A filosofia grega levou a que a educação grega fosse voltada para cada um (PAIDEIA – trata-se de eu crescer; ARETHÉ – esforço por ser o melhor, o campeão).

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