quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Mandela para sempre
Mandela, para além de um ser humano fantástico e fora de série, foi um líder autêntico. Nos seus tempos de prisioneiro aprendeu a conhecer-se a si próprio, nas suas limitações, nas suas grandezas e também se aceitou tal como era. Por outro lado, apurou a dimensão moral e ética que já tinha dentro de si via socialização primária e secundária. Desenvolveu capacidades equilibradas de processamento de informação, nunca chegando totalmente a "perder a cabeça", tal como provou nos casos difíceis que teve com Winnie. Finalmente, mas não menos importante, Mandela cultivou, nutriu, mimou e doou o melhor que um ser humano tem para dar: uma relação transparente e empática com os outros.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Papa Francisco
Chegou quando ninguém o previa. A Igreja Católica estava refém de uma grande personalidade que não conseguia interagir com as pessoas como o seu antecessor. Mais, Ratzinger era a imagem de uma organização em cheque. Era o caso dos padres e bispos pedófilos em muitos lugares do mundo. Era a homossexualidade que, sendo proibida, era latente no seio da própria Cúria. E eis que então apareceu Bergoglio. Um simples, mas não simplório, argentino cuja primeira medida foi escolher o nome de um exemplar líder de pessoas: Francisco de Assis.
A partir daí, a capacidade de inspirar e capacitar outros, essência da liderança, tem acompanhado as realizações do Papa Francisco. A sua história é um exemplo de autenticidade. Para ele é preciso que nos conheçamos bem a nós próprios, porque ele já fez algum caminho nesse sentido. Ele acredita que é possível ir mais além.
Por isso, é que, primeiro, devemos estar dispostos a conhecer-mo-nos a nós mesmos no sentido de melhorarmos o nosso crescimento pessoal e, assim, ajudar a consolidar o nosso desenvolvimento como líderes.
Conseguir apenas imitar quem é autêntico é insuficiente para se conseguir ser autêntico. Todos podemos aprender com as experiências dos outros. No entanto, para se ser genuíno há que fazer muito mais do que os imitar. Seguir o exemplo sim, mas é preciso inovar na prática e melhorar o que já foi conseguido.
Ou seja, aquilo que desejamos verdadeiramente para nós acaba por se projetar, através da nossa relação com os outros, naquilo que desejamos também para quem colabora connosco. A intensidade e a qualidade da relação servirão de aceleradores. Se a elas associarmos a confiança, então todo o projeto ganha condições para o sucesso.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Confiantes e humildes
A evolução atual está indelevelmente associada à aprendizagem. As tecnologias de informação, o marketing, a liderança têm que ser aprendidas e apreendidas, logo vai ter que existir alguém que ajude a descobrir o melhor caminho para se proceder a essa aprendizagem. Esse ser, que no Japão é a única pessoa perante a qual o imperador se curva, tem que ter agilidade, eficiência e precisão nos diversos planos que se envolvem no processo ensino-aprendizagem.
Mas existe uma variável crítica naquele processo que influencia o desempenho, a eficácia e a eficiência de todos os intervenientes: a confiança.
A confiança facilita, acelera e solidifica os relacionamentos e isso é determinante na aprendizagem. Sem relação não há formação de saber maior. Aprendemos muito uns com os outros e nunca sabemos mais do que ninguém.
A confiança estabelece a diferença entre um saber desejado e um saber bancário, como Paulo Freire designava o saber que só servia para acumular e não para desenvolver e autonomizar as pessoas. Ter confiança em alguém é acreditar que os outros não se vão aproveitar das nossas fraquezas.
A aprendizagem é importante na medida em que abrir caminho a mais e melhor aprendizagem. Para isso temos de ser humildes e confiantes.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
A amizade em alta
Anos depois vi, revi e encontrei pessoas que me marcaram a vida em tempos diferentes. Após os tempos de memória foi soberbo voltar a perceber que o cérebro de cada um de nós continua em expansão como se algum big bang tivesse ocorrido nas nossas caixas cranianas.
O melhor de tudo foi a sensação de ter acontecido há pouco o último contacto. A conversa, a narrativa, essa mudou e mostrou que o tal big bang ocorreu e estamos diferentes para melhor: continuamos a pensar.
As nossas vidas, em percursos paralelos e, de certa forma, alternativos, cruzaram-se no momento certo de acordo com o nosso mapa astral de relacionamentos. Os dias que se passaram não foram em vão, justificaram a potência do reencontro. Que podemos não nos ver durante mais algum tempo também é hipótese. No entanto, ficou a vontade de nos vermos mais vezes do que ultimamente.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Está tudo inventado
Benjamin Zander esteve há mais de três anos em Portugal (fevereiro de 2010) mas deixou-me “saudades” por aquilo que transmitiu e que não foi, como de costume, entendido pelas nossas elites.
O maestro e orador considerou, na altura, que o mundo pode ser encarado “como uma espiral descendente, ou como como um universo que irradia possibilidade(s)”. No entanto, para que se possa olhar o mundo como uma imensa possibilidade apontou três momentos fundamentais na transformação pela qual, cada um de nós, temos de passar:
Constatar que está tudo inventado (It’s all Invented); Dar uma classificação máxima ao outro (Giving an A) e praticar a regra número seis (Rule Number 6).
A primeira recomendação foi recebida com alguma naturalidade, eram os tempos de começar a pensar “fora da caixa”. Mas o dar classificação máxima ao outro e a regra número seis deixaram quase todos de boca aberta.
Explicou o músico que o número pouco importava, podia ser o dezassete, o que era preciso é que ninguém desse demasiada importância a si próprio. Ou seja, era fundamental que os outros estivessem, de facto, no foco da nossa vida. Quanto a dar a classificação máxima ao outro considerou que isso significava “olhar o outro como um igual”.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Faz todo o sentido.
Não se pode cair naquele estado de torpor que Victor Frankl, um psiquiatra austríaco que esteve preso num campo de morte nazi e escreveu o importante livro “O homem à procura de sentido”, lamentava dizendo: “As pessoas podem ter o suficiente para viver, mas nenhuma vive disso; elas têm os meios, mas não têm o significado.” Uma vida com significado é, para muitos, relativamente fácil e clara de identificar e conseguir, por exemplo a vida familiar. Para outros nunca se colocou como problema, pois vivem totalmente focados nos meios e não no significado da vida. É, por isso, critico transformar os atuais desafios recessivos por oportunidades de compreender e acrescentar sentido ao trabalho e à vida.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Se queres ser líder veste-lhe a pele
Ser um líder não é só ter jeito, estilo ou demonstrar tendência para o ser. O líder tem que mostrar capacidade, inata e/ou aprendida. O líder tem que ser competente e capaz de desenvolver com eficácia as suas tarefas. Mas, fundamentalmente, a liderança é uma forma de comportamento. É uma forma de relação que influencia os outros a seguir determinado caminho no sentido de alcançar objetivos partilhados.
A liderança exige uma relação diádica líder x seguidor baseada na interação e na ética.
Uma relação orientada para a mudança positiva no sentido do bem geral e que nos ultrapassa enquanto seres individuais.
Por isso, quando ouvimos falar de liderança temos que estar atentos pois, normalmente, estamos perante líderes que não percebem a importância da liderança na mobilização dos outros. Como diriam Kouzes e Posner, no prefácio do livro O Desafio da Liderança (2009, p.13), “a abundância de desafios não é problema. É a forma como respondemos aos desafios que conta. Com as respostas que damos aos desafios, podemos agravar seriamente ou melhorar substancialmente o mundo em que vivemos e trabalhamos”.
Sobretudo, a forma como restauramos e sentimos a esperança que nos faz criar um verdadeiro sentido para a vida. De fato, o que precisamos é que alguém nos faça acreditar que somos capazes de mudar o nosso destino, principalmente quando tudo nos parece correr negativamente.
Kozes e Posner (2009, p.15), consideram que o seu livro “foi escrito tanto para reforçar” as capacidades de cada um de nós, como também para nos “levantar a moral”.
É exatamente isso que se pretende neste momento: levantar a moral! Como?
Queremos, definitivamente, quem nos indique não só o caminho mas, sobretudo, nos incuta confiança e nos ajude a ser líderes de nós próprios, ou seja que liberte ou ajude a libertar o líder que existe em cada um de nós.
Queremos que nos sirvam de exemplo e nos mostrem visões possíveis de futuro.
Desejamos que nos tratem como pessoas e que trabalhem com gosto naquilo que fazem.
“Há tanto trabalho extraordinário que precisa de ser feito” (Kouzes e Posner, p.19). Esse trabalho extraordinário, centra-se, em nossa opinião, na definição dos valores que estão na base da nossa atuação enquanto líderes. Valores que, se forem partilhados, contribuirão para definir melhor o objetivo comum.
Evite-se o vazio
A autenticidade é confundida com uma marca de personalidade que se revela nos atos simples da vida. Ou seja, ser autêntico é ser genuíno (Avolio, 2007) e isso, é complexo.
De facto, as personalidades autênticas demonstram-se no exemplo de credibilidade, verdade e liderança que transmitem às outras.
Os personagens autênticos afirmam-se face aos outros pela sua capacidade de resiliência e de encaixe das situações que se vão sucedendo e que exigem força de vontade para serem ultrapassadas.
O estado atual das coisas, das vivências e das práticas, é tendencialmente negativo. A importância conferida e subjacente ao lado material da vida está a conduzir quem não se conhecer a si próprio para o vazio.
domingo, 15 de setembro de 2013
Eu não quero nem mando
"Conheço muitos que não puderam quando deviam, porque não quiseram quando podiam.( F. R. escritor francês - 1494-1553)".
E eu tomaria a ousadia de acrescentar " que há muitos que nunca puderam, quiseram e não deviam".
Não é líder quem quer ou quem pode. É líder aquele que ajuda os outros na perspectiva de cada um se emancipar na realização de um bem maior.
sábado, 14 de setembro de 2013
Te (mor) te
Há dois anos atrás já me preocupava o temor.
O ter medo do que ainda não aconteceu mas pode vir a acontecer se não se tiver medo.
Comparei o temor à pungente morte por inanição .
Morre-se por que não se come e não se come por que se morre.
“Não podemos controlar o que nos acontece na vida, mas podemos sempre controlar o que iremos sentir e fazer quanto àquilo que nos acontece” (Harold Kushner no prefácio ao livro “O Homem em Busca de um Sentido” de Viktor Frankl).
Estará sempre dentro de nós a capacidade de não nos deixarmos corromper. O último a desistir está dentro de cada um nós. RIP (rest in peace).
quarta-feira, 17 de julho de 2013
É preciso acreditar
Deixem-me colocar-vos uma pergunta. Porque é que as pessoas acreditam mais nos colegas do que nos líderes?
A resposta é que, provavelmente, tais líderes, sejam do setor público ou do privado, apesar da sua retórica, não se têm esforçado para construir a confiança com os interessados, incluindo empregados, clientes, admiradores ou comunidades.
Pensavam, erradamente, que não iam precisar da confiança de ninguém para nada. Bastava mandar e pronto! Não sabiam ou não queriam saber que existe uma relação, quase umbilical, entre a confiança e o envolvimento no trabalho, a retenção de talentos e a eficácia organizacional.
Por isso, aos líderes não basta mandar, é preciso que os seguidores acreditem, cedendo a sua vulnerabilidade, nas mãos da competência, da abertura, da fiabilidade e, já agora, na bondade do mando.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Todos os momentos que vivemos são de liderança
Quando escolhemos viver - e isso acontece a partir do momento em que somos projetados, literalmente deixados cair, para o que se passa por aqui - temos que começar logo a liderar a nossa vida. Se no princípio somos apaparicados e lideramos sem esforço, mais tarde vamos ter de o fazer com outra atitude. Isso significa que vamos ter de estar preparados para fazer sacrifícios, ensinar, aprender, permanecer abertos a um feedback honesto e jamais pressupor que podemos fazer tudo sozinhos.
É por isso que, quando escolhemos liderar a nossa vida, a toda a hora, sem com isso ficarmos obsessivos, temos de desenvolver um relacionamento muito especial com os outros. Essa relação está nos antípodas da sintonia permanente. Passa mais pelo conflito construtivo, com criatividade e inovação, e pela confiança, sempre em construção.
Quando escolhemos liderar a nossa vida, estamos a preparar o futuro vivendo um presente autêntico e corajoso.
terça-feira, 2 de julho de 2013
O epitáfio de um ser distante
Veio de nada ser conhecido. Não se deixou conhecer. Vai, novamente, passar despercebido.
Quando virmos, algures, este epitáfio, político, desconheceremos a quem se refere. É aproveitar, enquanto o corpo, político, está quente, para lhe fazermos, na tumba, o que gostaríamos que o cão fizesse. Aliviemos as nossas necessidades de indignação com líquidos já que as vaias vão deixar de fazer sentido.
Não nos esqueçamos mais do tempo e do modo em que ele entrou nas nossas vidas e do que nos fez, politicamente.
A avalanche dos austeros
Numa sociedade do conhecimento, o dito não se esconde, partilha-se e dissemina-se.
Quando o conhecimento é, por sua vez, ideológico, então vale quase tudo. Os políticos de todos os quadrantes esmeram-se na sua subordinação e no controlo da sua utilização.
O conhecimento, apesar de ser o principal fator de crescimento e de desenvolvimento das sociedades, é irrepetível e, ainda, não se consegue copiar o conhecimento de ninguém.
Com a atual avalanche dos praticantes da austeridade, vai-se assistir a uma nova, mas sempre mesquinha, apropriação do conhecimento e das suas conclusões.
Como não há dinheiro, não há disseminação do conhecimento. Iremos pagar, com juros, esta falha do modelo dos austeros. Se fosse a primeira...
domingo, 30 de junho de 2013
A coragem de ter medo
A nossa vida é, rotineiramente, uma sucessão de equilíbrios/consensos que nos vão mantendo mas que podem, fatalmente, voltar-se contra nós.
Não assumimos as nossas diferenças porque temos medo que nos coloquem fora do grupo onde assumirmos ser alternativos. O ensino e a aprendizagem da sensibilidade e do direito à diferença estão ausentes dos currículos e das práticas das escolas. Quase sempre, são encarados como traços de caráter ou de preocupação valorativa de professores envolvidos na transformação positiva das personalidades.
De uma forma geral, treina-se, ensina-se e lidera-se, para a unanimidade. A importância da diferença como fator de desenvolvimento e de progresso é facilmente confundido com concorrência e inimizade. As diferenças são vistas, pelos que mandam, como males a eliminar e, raramente, como possíveis fatores de melhoria.
Assim, não se queixem aqueles que, neste preciso momento, se agarram aos equilíbrios e não refletem no que se passa, verdadeiramente, à sua volta. Enquanto é tempo, assumam as diferenças como fatores positivos e decisivos na solução dos problemas. Aceitem a crise como oportunidade de criar um futuro menos cinzento e mais amigável.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Faz de conta 2
O poeta é um fingidor,,,(Fernando Pessoa)
Quando Pessoa escreveu este poema, ainda os negócios se fechavam com um aperto de mão entre as duas partes. Pessoa foi um viajante no tempo. Estava adiantado à sua geração e só foi entendido pelas gerações seguintes, após trabalho árduo dos que dele não se esqueceram.
O fingimento é um dos elementos da nossa matriz cultural. - Não vi, não aconteceu, não estava presente! Não sei de nada!
Fazer de conta é um estado de normalidade normalmente aceite como normal. Quer dizer, quem é que nunca errou? Quem é que nunca fez de conta que não era nada consigo?
Eu não estou a fazer jogo de costumes ou de valores. Eu estou a assumir que também já fiz de conta e que também fingi. Só que estou a transmitir-vos o resultado do aumento da minha auto-consciência: eu quero mudar, deixar de ser e de fazer o que já fiz de menos correto.
- Mas caro amigo, "errar é humano"!, repete-me a consciência. De facto, até isso está a mudar. A frase feita, com tanto fingimento à mistura, passou a conjugar-se: ERRAR É GASPAR....
terça-feira, 4 de junho de 2013
Prometer é contrair uma dívida
Nestes tempos de swaps, de défices excessivos e de dívidas públicas de três dígitos, é importante não esquecer os valores. Sim, o que vale acima do seu valor material de curto prazo, o valor do intangível referente ao longo/eterno prazo.
Quando se faz uma promessa, por simples que seja, há que a cumprir. Vivemos um tempo de tempos em que as promessas não se cumprem e não acontece nada.
A culpa é do contexto, do mercado ou do clima que estão em permanente inconstância. A culpa nunca é de quem prometeu porque, ou a promessa foi vã, ou já não era para se cumprir.
Tal estado de coisas configura a situação ilustrada no barómetro 2013 da Eldelman Trust no que se relaciona com a opinião sobre os governantes: só 36% são confiáveis. Ainda a partir do mesmo relatório podemos extrair que existe um diferencial enorme (média de 28%) entre a confiança na instituição governo e a confiança nos membros do governo que falam verdade.
Quem prometeu que pague a dívida.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Faz de conta
Algumas pesquisas realçam que os líderes são fundamentais para a construção de confiança nas organizações, e essa confiança na liderança está significativamente relacionada com uma série de atitudes, comportamentos e resultados de desempenho. Na sua meta-análise de amostras independentes, 106 amostras, Dirks e Ferrin, (2002, p. 618) concluíram que a confiança na liderança estava relacionada positivamente com uma variedade de resultados, incluindo o desempenho do trabalho, os comportamentos de cidadania organizacional, o comprometimento organizacional e a satisfação no trabalho, enquanto se relacionava negativamente com a intenção de sair da organização.
Num tempo de desconfiança instalada, em que nem sequer quem tem de dar exemplos o consegue, temos o desempenho "entornado". Alguém responsável se esqueceu que a confiança acelera relacionamentos e negócios. O "momento do investimento" pode ser mais um dos momentos de "faz de conta".
segunda-feira, 27 de maio de 2013
A rico não devas. A pobre não prometas.
O primeiro segredo da confiança é honrar as promessas. A confiança depende das promessas e do seu cumprimento ou daquilo a que os advogados chamam contratos. Poucos percebem que as demonstrações de resultados das empresas consistem em promessas e não em dinheiro. Não há "dinheiro real" quando nos referimos aos lucros e perdas; em vez disso, a base de reflexão são as contas a receber e as contas a pagar as quais são meramente promessas de pagamento pelos bens e serviços já vendidos ou recebidos.
Para construir a confiança também devemos estar dispostos a fazer promessas e esta é a segunda etapa. Um dos mais difíceis desafios de gestão é fazer com que os seguidores usem uma linguagem direcionada para os objetivos. Muitas vezes supomos que se não fizermos promessas nunca teremos que nos preocupar com a sua quebra. Assim podemos esconder-nos atrás do "Vou tentar", em vez de "Eu vou fazer" tentando passar ao lado da responsabilidade através da ambiguidade e da conversa “fiada”.
O terceiro segredo para estabelecer confiança é prometer pouco e realizar mais do que se prometeu. Prometer demais é o outro lado do prometer de menos e ambos são prejudiciais. Negociar antecipadamente é muito mais eficaz na criação e manutenção da confiança do que as desculpas inevitáveis que surgem quando uma promessa não é cumprida. Nós envolvemo-nos demais porque queremos que as outras pessoas gostem de nós, mas a melhor maneira de arruinar um relacionamento é não cumprir as nossas promessas.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Confiança e não só
Para construir a confiança entre as pessoas, cada um deve ter credibilidade baseada na honestidade, na sinceridade, respeitando e ganhando o apreço dos outros, na consistência, fazendo o que dizemos que vamos fazer, e na confiança, em nós e nos outros. O que significa ser confiável? Significa olhar para fora, tendo em consideração os outros para além de si mesmo. A credibilidade leva uma vida para construir mas uma simples indiscrição é suficiente para a destruir.
É preciso uma grande liderança e muitos seguidores a acreditar nela para numa organização se promover a confiança. Ela é um dos valores fundamentais mais difíceis de cultivar em qualquer cultura organizacional.
A confiança também responde à pergunta se cada um de nós um é fiável (ou confiável) e/ou crível. Além da honestidade, sinceridade, consistência e confiança, também a competência, o carinho (benevolência), a justiça e a integridade constroem confiabilidade/confiança. A ausência de qualquer um destes pode destruir a confiança. É preciso uma liderança muito reta e preocupada para construir a confiança mútua em qualquer organização.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Começar de novo
Aprender nas organizações significa, ainda, testar continuamente a nossa experiência e transformar essa experiência em conhecimento, acessível a toda a organização e relevante para a consecução dos seus objectivos.
Ou seja, a aprendizagem individual não é suficiente para garantir a aprendizagem do todo organizacional mas sem um conjunto de aprendizagens individuais codificadas não existirá aprendizagem organizacional.
É fundamental que a organização se actualize, se reaprenda para que possa servir melhor a sociedade. Esse objectivo implica a existência de pessoas que desejem e sejam capazes de aprender a aprender. E aprender não é só absorver informação ou muito menos copiar, mas sim perceber, processar e incorporar no pulsar quotidiano da organização os contributos internos e externos à inovação.
Basta
Estamos na hora de dizer basta. As lideranças que nos tentam influenciar já não o conseguem. A sua autenticidade é fraca e não augura nada de bom.
Depois de tanto tempo para aprender, estas lideranças, que só nos fazem sentir órfãos, continuam agarradas ao poder pelo poder. Não há pinta de visão para com a vida dos seguidores. As decisões são puro exercício de estratégias individuais e de manutenção de prerrogativas.
Bom. A inércia mental e, sobretudo, espiritual já cansa de tão recessa, isso mesmo, podre como o pão quente vinte e quatro horas depois de ter sido confecionado. Temos que mudar de ideias e de lideranças de curto prazo. O futuro está inteirinho ligado à visão estratégica, a de longo prazo, e ganha dimensão com líderes autênticos que tenham referenciais de valores que influenciem a vontade dos seguidores.
O futuro é o “back to roots”, o voltar às raízes, à pureza da natureza humana. Não sobrevivemos sozinhos, só bem acompanhados.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Uma mentalidade em cheio
Quando pretendemos fazer as coisas bem e quase tudo dá errado, devemos parar e pensar com cuidado. Quando fazemos o que temos de fazer de acordo com a nossa mente e quase tudo vai mal, temos de parar e verificar a lógica da nossa forma de pensar. Face à realidade, se nós não pararmos e pensarmos, nem sequer verificarmos a forma de pensar, estamos completamente fora das nossas mentes. Isso é o que está a acontecer. Os titulares do poder tem uma mentalidade em cheio e não desistem. Ou será que estamos perante uma agenda escondida?
quarta-feira, 20 de março de 2013
Aprendizagem organizacional
É uma das muitas abordagens feitas à procura dos melhores caminhos na busca de chegar mais além. SENGE (1990) tinha consciência que a sua teoria necessitava de ser bem estruturada para não ser considerada uma moda e rapidamente abandonada.
Para Manuela Teixeira (2008), a análise organizacional deve considerar os contributos das teorias organizacionais que perduram e, também, entender tais teorias nos contextos em que foram geradas.
O que é uma OA?
Imaginem uma organização em que todos falam e todos ouvem.
Imaginem uma organização capaz de aplicar novas teorias, novas técnicas de acompanhar a mudança.
Temos que ver a escola não como o espaço em que uns ensinam e outros aprendem, mas como o espaço em que todos aprendem uns com os outros.
Toda a aprendizagem começa quando as nossas ideias confortáveis são consideradas inadequadas. Por exemplo, foi confortável, durante muitos anos, a aplicação da Teoria da Reprodução às escolas.
Aprender nas organizações significa:
- testar continuamente a experiência. Ex.: Darmos a aula, todos os anos, da mesma maneira? Não. É preciso adaptarmo-nos à realidade.
- Transformar essa experiência em conhecimento
* Acessível a toda a organização
* Relevante para a sua finalidade nuclear (o sucesso).
Uma Escola Aprendente (EA) é uma escola que:
- Reflete sobre o seu próprio trabalho (resultados, métodos e modo);
- Avalia o seu próprio trabalho;
- Utiliza essa avaliação do trabalho realizado como fonte de conhecimento relevante para todos.
A avaliação faz parte integrante de uma EA.
O insucesso é um fenómeno plurideterminado. No entanto, faltam critérios novos na caracterização da relação afetiva, emocional que conduz ao insucesso. De facto, quando o aluno não aprende não pode esquecer-se que na relação havia duas pessoas.
Sebastião da Gama dizia que dar uma boa aula é “fazer com que os alunos se esqueçam que era melhor estar lá fora”.
Motivos para construir uma EA
Uma EA é:
*Mais inteligente;
*Menos burocrática (os objetivos superam as regras);
*Menos elitista;
*Menos hierárquica e autoritária (continua a haver hierarquia e autoridade);
*Mais comunicante;
*Mais participativa;
*Mais distribuidora de poder entre todos.
A escola não pode continuar a gerar insucesso sob pena de se auto extinguir por incapacidade. Quando o aluno não aprende, a culpa não é só dele.
Uma EA:
*Tem melhores resultados (ela é que conhece os alunos, ela é que dita o sucesso);
*Gera equipas dinâmicas (todos envolvidos vamos pôr-nos de acordo, os dirigentes devem dar espaço para fazer coisas novas);
*Promove mais diálogo e abertura;
*Tem maior capacidade de gerir a mudança.
O´BRIEN membro do MIT e da SOL (Society for Organizational Learning) estabelece quatro condições para cooperar com a mudança:
1 – Delegação de poder;
2 – Visão sistémica (é preciso fazer reformas, mas é preciso compreender para onde)
Vai-nos ajudar a compreender tudo, vai-nos ajudar a aceitar a mudança, compreender o passado e projetá-lo para o futuro;
3 – Dominar arte da conversação (eliminar mecanismos defensivos);
4 – Não impor ideias, mas arranjar voluntários (visionários que acreditem que é possível).
A ESCOLA e a aprendizagem organizacional
O conceito de aprendizagem organizacional refere-se às organizações que estão em constante processo de aprendizagem, ou seja, às organizações que aprendem.
No sentido de perceber este conceito e beneficiar das suas sinergias colocam-se duas questões a que tentaremos responder.
A primeira questão é: poderão as organizações aprender a aprender?
A segunda será: as escolas, enquanto modelos organizacionais específicos, poderão ser consideradas como organizações que aprendem?
Senge (1990) considera que, partindo do pressuposto que a aprendizagem organizacional compreende os princípios e práticas que permitem a absorção do conhecimento nas organizações, as quais estimulam a aprendizagem contínua de seus colaboradores, visando a incorporação de novos conhecimentos nos processos de trabalho, é necessário que as organizações estejam atentas ao processo evolutivo. Tais princípios levam as organizações a adoptarem estratégias, procedimentos e práticas de questionamento da sua actuação.
Esse posicionamento conduz à implementação de políticas adequadas de administração da informação, avaliação do desempenho, aprendizagem no trabalho e atitudes que estimulem a criatividade e a inovação.
O conceito de aprendizagem organizacional surgiu da necessidade que as organizações têm de conquistar vantagens competitivas e de transpor os momentos desfavoráveis e/ou as mudanças. Isso é possível através da adaptação, transformação e criação de processos e actividades. Entretanto, os processos melhorados só surgem através da aquisição, partilha, transformação e armazenamento do conhecimento, e consequentemente de novos padrões de raciocínio. O resultado esperado desse processo é uma organização que viva para sempre.
E aqui coloca-se a segunda questão e a aplicação destes princípios à escola.
Para Senge as organizações que aprendem são instituições onde as pessoas expandem continuadamente a sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam, onde surgem novos e elevados padrões de raciocínio, onde a aspiração colectiva é livre e onde as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo.
“As organizações só aprendem através de indivíduos que aprendem”. (Senge, 1990, p. 11). Ou seja, a aprendizagem individual não é suficiente para garantir a aprendizagem do todo organizacional, mas sem um conjunto de aprendizagens individuais não existirá aprendizagem organizacional.
A escola que é um espaço de encontro e de produção de conhecimento reúne todas as condições para ser considerada uma organização que aprende. Para que esse objectivo seja alcançado é necessária a existência de pessoas que desejem e sejam capazes de "aprender a aprender".
Senge (1990, p.41 e seguintes) procura organizar o processo de aprendizagem individual sugerindo cinco “disciplinas” (disciplines). Ele considera que “disciplina” é um conjunto de práticas de aprendizagem, através das quais a pessoa se modifica, adquirindo novas habilidades, conhecimentos, experiências e níveis de consciência. As cinco disciplinas da aprendizagem organizacional são: domínio pessoal, modelos mentais, visão partilhada, aprendizagem em equipa e pensamento sistémico, que são detalhadas a seguir.
O domínio pessoal põe a tónica nos indivíduos e implica continuamente esclarecer e aprofundar a nossa visão pessoal, concentrar as nossas energias, desenvolver a paciência de cada um e percepcionar a realidade de forma objectiva.
Como tal, é a pedra de toque essencial para a organização que aprende – o querer acreditando. A capacidade e o comprometimento de uma organização em aprender têm de corresponder às dos seus integrantes. Esta disciplina radica na matriz humanista judaico-cristã.
Os modelos mentais são compostos por imagens, histórias e preceitos que o indivíduo utiliza como referência acerca do que as coisas são e como funcionam. Constituem verdadeiros mapas mentais cognitivos que influenciam a forma como cada um de nós vê o mundo e as suas relações. Os modelos mentais de cada indivíduo são nutridos por crenças e valores que se sistematizam desde o nascimento e que se desenvolvem ao longo da vida de cada um. Consoante a maturidade as pessoas passam a reflectir e melhorar continuamente a imagem que têm do mundo, objectivando novos modelos para os seus actos e decisões.
O sucesso de algumas equipas de trabalho assenta na existência de crenças e aspirações comuns. As pessoas só passam a empenhar-se em conjunto e de livre vontade quando percebem que cada qual tem um papel importante para alcançar o objectivo comum. A partir daí elas compreendem que o desenvolvimento de inteligência e de habilidades colectivas são maiores do que a soma das inteligências e habilidades individuais. Senge considera que, assim como as visões pessoais são retratos ou imagens que as pessoas têm na mente e no coração, também as visões partilhadas são imagens que pertencem às pessoas que fazem parte de uma organização.
A aprendizagem em equipa é a aliança perfeita das aptidões colectivas com o pensamento e com a comunicação no sentido de que as equipas possam desenvolver inteligência e capacidade maiores do que a soma dos talentos individuais. Essas pessoas desenvolvem um sentido de comunidade que premeia a organização e dá coerência às diversas actividades.
O pensamento sistémico é a disciplina que integra as outras, fundindo-se num corpo coerente de teoria e prática. De acordo com Senge, se não existir uma orientação sistémica, não há motivação para analisar as “inter-relações” entre as disciplinas. É vital que as cinco disciplinas se desenvolvam como um conjunto. Isso é desafiador, pois é muito mais difícil integrar novas ferramentas do que simplesmente aplicá-las separadamente. Ampliando cada uma das outras disciplinas, o pensamento sistémico lembra-nos continuamente que a soma das partes pode exceder o todo. Mas as recompensas são enormes.
É esta quinta disciplina aliada à perspectiva estratégica que permitirá à escola moldar o seu sistema com maior eficácia e agir mais de acordo com as envolventes social e económica.
Nota bibliográfica:
SENGE, Peter, 11. ed., A Quinta disciplina – arte, teoria e prática da organização de aprendizagem. São Paulo: Best Seller, 1990.
segunda-feira, 11 de março de 2013
A perspetiva sistémica
No livro “The Fifth Discipline”, Peter Senge (1990, p.231) escreve: “A Visão pinta o retrato do que queremos criar. O Pensamento Sistémico revela como criamos o que nós temos atualmente”.
Depois, ainda na mesma página, escreve algo muito pouco português: “A Visão torna-se uma força de vida apenas quando as pessoas acreditam verdadeiramente que podem dar forma a seu futuro. O simples fato é que a maioria dos gestores não experiencia o que está a contribuir para a criação da sua realidade atual. Assim, eles não veem como podem contribuir para mudar essa realidade. Os seus problemas são criados por alguém "lá de fora" ou pelo "sistema”. São “ELES” e nunca eu ou nós.
É este “Ai Portugal, Portugal! Que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera e outro no fundo do mar! Ai Portugal, Portugal” (Jorge Palma – Acto Contínuo - 1982 ), em que temos de procurar o melhor que nele existe, que deve ser refundado e, sobretudo, liderado com visão e pensamento sistémico.
domingo, 3 de março de 2013
Fundamentos de Educação 8
21/06/2008
TRABALHO: ANÁLISE CRÍTICA E CIENTÍFICA AO LONGO DE TODA A MATÉRIA.
Conceito de EDUCAÇÂO:
- A dignidade e os direitos do homem;
- O ideal da humanidade;
- Reconhecimento da mais alta aspiração humana;
- Ideal a atingir através do ensino e da educação.
Educação não é ensino. Ela implica o desenvolvimento de todas as dimensões do ser humano (vontade, liberdade, sentimento e respeito).
A Educação não é uma questão de razão e de inteligência. A questão essencial não é a ciência, é a ética.
Saber para quê? Para termos mais coisas? Não. É para sermos melhores. Isso implica uma revolução total. O saber mais não chega. Mais ciência, mais ciência não nos torna melhores como pessoas humanas.
Educar não é ensinar. A educação é tudo. É o desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões.
Somos todos educadores e educandos.
Educação ecossistémica – muito respeito pela casa.
Se deixarmos perverter os valores ninguém se entende.
PEDAGOGIA = ajudar, empurrar a vida de todos no seu todo.
As migrações dos animais ajudam-nos a ser os verdadeiros cidadãos do mundo.
O saber, a vida e o amor completam-se, não se excluem ou diminuem uns aos outros.
DIMENSÃO AXIOLÓGICA
Procurar o ideal da humanidade, a dimensão do EU no SER. O que é a nossa vida neste ciclo de 15 milhões de anos?
Nós nem somos, nem estamos, passamos de…para, vamos…O verbo que nos define é o verbo IR de…para… Daí a importância do que está para além do que somos.
Comer para trabalhar ou trabalhar para comer?
Ter, saber, poder é diferente de ser.
Os valores têm hierarquias. Há valores do espírito, valores morais e valores pessoais.
Os valores morais são transcendentes, ilimitados e imateriais (verdade, justiça, honestidade, bondade). Os valores pessoais e os valores materiais (os que podem ser objecto de partilha) são limitados. Não podemos orientar a nossa vida para recursos limitados.
O BEM E O MAL
Vivemos para os valores (os fins alcançados). Tudo o que nos realiza e que nos causa bem-estar é BEM. MAL é tudo aquilo que não nos proporciona o BEM. BEM é tudo aquilo que todos queremos. MAL é o que nos traz o contrário.
Agir bem ou agir mal é o nosso livre arbítrio. Uns de nós utilizamos bem a liberdade. Outros não.
Podemos orientar as nossas acções ao serviço de cada um de nós. Os EU’s procuram colocar todo o serviço nas suas mãos. São os que não respeitam ninguém (egotistas).
Este mundo, assim, é uma selva. Há mais solidariedade entre os bandidos.
Educar é procurar ser cidadão, humano, direito e honesto.
Os seres humanos são maus quando cada um só pensa em si (egoísmo, egotismo).
Mais do que o bem e o mal o que é importante é o comportamento das pessoas.
TOMÁS MORO (inglês) – jurista de renome chegou a chanceler de Inglaterra no tempo de Henrique VIII que o prendeu e mandou matar. Para Moro tudo o que era mau acontecia na ilha da Inglaterra. Assim, convidou o grande aventureiro NICLODEU e juntos criaram uma “nova” ilha onde todos seriam felizes. Só que não existia nenhuma ilha assim: UTOPIA. Se considerarmos os étimos de UTOPIA ( U = não, TOPIA = lugar) rapidamente percebemos o significado da palavra.
Já que as ilhas não existem vamos planificá-las nós: SOCIALISTAS UTÓPICOS.
Os homens têm que ser bons, ou a bem ou a mal.
Actualmente, ninguém está contente com a sua sorte. Dois autores reflectiram sobre a sociedade actual e disso resultaram dois livros paradigmáticos:
- O admirável Mundo Novo – ALDOUS HUXLEY;
A sociedade decidiu acabar com os nascimentos normais. Tudo passou a ser tratado em laboratório. Cada ser humano era programado geneticamente para a tarefa. Todos ficariam contentes com a sua sorte. Dois deles fugiram à normalidade e começaram a dar que fazer e a falar de amor.
- O triunfo dos porcos – GEORGE ORWELL.
[NICOLAU BENDIEF] As utopias podem realizar-se. Temos que nos prevenir. As utopias e as contra-utopias.
No século IX AC ZOROASTRO preocupou-se com a incompatibilidade entre o bem e o mal. Tinham de existir dois deuses: um do bem (ORASD) e outro do mal (ANIMED).
No século III AC MANÉS deu origem ao Maniqueísmo. Existem dois deuses que estão permanentemente em guerra.
SANTO AGOSTINHO foi, desde jovem, influenciado pelo maniqueísmo. Mais tarde proclamou que a fronteira entre o bem e o mal passa pelo meio de nós todos. Só podemos acabar com esta situação acabando connosco todos. A raiz do bem e do mal é a nossa liberdade. Nós temos liberdade de usar só o bem ou de usar só o mal. Assim, a única maneira de acabar com o mal é acabar com a liberdade humana.
Moral da história: o que é que preferimos, acabar com o mal ou continuarmos livres?
SÓCRATES defendia que ninguém faz o mal por querer. Todos fazem o mal por ignorância.
Não será bem assim porque existe muita sabedoria maldosa.
Apesar de tudo, este mundo é o melhor de todos.
CHESTERION conta a história de um casal inglês cansado da ilha. Meteram-se num bote e foram à procura de outra ilha. Quando a encontraram, estavam outra vez na Inglaterra.
Devemos procurar fazer sempre o bem. Aceitar o que os outros nos fazem de mal. Não no sentido de aceitar o que é mau mas, em nome do supremo valor da liberdade, temos de aceitar o que há de mal.
Não aceitar leva à revolta, à destruição do EU e dos outros. Aceitar pertence à educação. Se não aceitarmos estamos à mercê da ventania. Aceitar a manutenção do livre arbítrio implica aceitar todo o bem e todo o mal. Não somos, passamos de e para.
Qual é o caminho que devemos trilhar?
A formação deve inclinar-se mais para o lado do bem. Na verdade e na mentira criam-se hábitos. Se disser sempre a verdade, a verdade será um hábito. Um hábito é uma sequência de actos. A conjugação de hábitos constrói o carácter. O carácter é a maneira de ser. Um hábito mau será um VÍCIO. Um hábito bom será uma VIRTUDE.
(grego) ÉTHOS = hábito, (grego) ÊTHOS = carácter.
(latim) AMORAL = não tem consciência da liberdade, (latim) IMORAL = moral negativa, (latim) MORAL = moral positiva, (latim) MORES = hábitos.
A ÉTICA é o domínio/sítio dos princípios. A MORAL é o domínio/sítio dos costumes/hábitos/tradições
DRAMA
Portar-se bem é comportar-se de acordo com as leis (JUS = caminho direito). Tudo o que é direito respeita a justiça.
Nos tempos primitivos a justiça era dura (pena de TALIÃO, Código de HAMURÁBI) = olho por olho, dente por dente. Foi evoluindo nas civilizações clássicas.
AGAMENON era casado com CLIDMENESTRA que o mandou matar. O filho de ambos matou a mãe. As ERINIAS iam matar o filho. A deusa ATENA parou o processo e surgiram os tribunais. No Conselho de Justiça – dar a cada um o que lhe pertence. Assim nasce o conceito de justiça actual.
A economia é uma desgraça. No Livro de Jó diz-se: Deus o deu, Deus o levou, bendito seja Deus, bem haja Deus.
No século XIX dá-se a revolução proletária. Surgem no século XX as encíclicas papais que defendem que se deve dar a cada um o que precisa.
A vida traz-nos situações raras. Muitas vezes temos que dar o que somos e o que temos.
Racionalmente cometemos atitudes estúpidas que são consideradas heroicidades. Valeu a pena? Valeu o sacrifício? Sacrifício = oferecer, dar-se. Sacrilégio = tirar a Deus.
A forma mais sublime de amar é darmo-nos. Começamos por receber tudo o que temos e o que somos. Acabamos por nos dar todos.
Educação é o percurso que vai do receber tudo até ao dar tudo e darmo-nos todos. No fundo de tudo está o amar.
FORMAÇÃO DE EDUCADORES
ALDOUS HUXLEY – o pensador das anti-utopias, considera que as utopias funcionam bem até à impossibilidade de as aplicar. Depois da 2ªGM, no “Admirável Mundo Novo”, 2ªEdição, no prefácio, A. H. diz que foi criticado por intelectuais “por ser um deplorável exemplo de crise”.
Um monumento aos professores deveria ser construído nas estripadas cidades europeias e japonesas. Na sua base a seguinte frase: “Se andas à procura do monumento, ele é este mas olha à tua volta. Em memória dos professores”.
Como é que com tantas chamadas de atenção as guerras continuam a subsistir?
[EDGAR FAURE] – “Aprender a ser”. A profissão de ensinar só terá futuro se se adaptar às novas estruturas de ensino.
A função de educar ganha cada vez mais importância face ao instruir. A dimensão fundamental não é a do conhecimento. Sabe-se muito porque se ama. Porque se interessa/ama pelo/o ser humano. É fundamental estarmos dispostos a sacrificarmo-nos pelos outros.
Na acção educativa não basta cumprir o programa. Esta é só uma das partes da educação. Não basta encher a memória. É dando toda a força à hierarquia dos valores.
Educar não é apenas ensinar. O principal é criar condições para que o ser humano cresça em todas as dimensões. Criação endógena. Tudo o que é bom tem de nascer de dentro. Em liberdade.
A formação de professores não pode continuar a ser altamente especializada. A educação era educação escolar. Hoje é necessário orientar a liberdade para a prática do bem, no seio da família humana e dignidade inerente.
Atenção ao “soft power” da ONU [BANK i MOON]. 191 Estados aceitam posturas básicas sobre a formação moral.
Nenhum de nós recebeu onerosamente a dignidade humana. Por isso, devemos respeitar a dignidade dos outros. Recebemos tudo o que temos e tudo o que somos pelo facto de sermos seres humanos. Devemos retribuir uns aos outros aquilo que nos foi atribuído.
O acesso ao poder devia ser substituído por acesso ao serviço. (latim) MINISTRO = servente.
O grande tema da filosofia: ser isto ou ser aquilo. Filósofo é o que pergunta sobre as coisas. Filosofar é gostar da filosofia.
APEIRON = o ilimitado confuso. Tudo se confundia com tudo. Nada se distinguia de nada.
O que é tudo isto? O grande problema é isto tudo!
Na filosofia podemos utilizar dois grandes métodos para chegar à luz:
- MAIÊUTICO = levar os outros a dar à luz as respostas;
- IRÓNICO = perguntar, perguntar…
PLATÃO perguntou: O que é cada coisa? A resposta que deu foi: a ideia. Para ARISTÓTELES a resposta era: o conceito.
Perdemos a visão do todo: o ser.
Na nossa vida é fundamental a interacção entre todos os aspectos que a compõem:
- Saber crescer fisicamente; - Saber crescer intelectualmente; - Saber crescer moralmente.
Dar aos outros o que precisam é bem. A educação é criar condições para que as pessoas se orientem para o bem, no sentido da realização dos valores. Ver [ÁLVARO GOMES – A aula].
EDUCAÇÃO é o processo em que utilizando COISAS (recursos/meios) [criação de condições], se vão transformando as PESSOAS (fins) [desenvolvimento em todas as dimensões] no sentido dos VALORES [plena realização].
TRABALHO: reflexão crítica da experiência pessoal à luz das grandes orientações/matéria que foram sendo abordadas.
No trabalho final deve-se ter em conta:
- Educar e saber educar;
- Simplicidade e utilidade;
- Deve debruçar-se sobre a experiência de educandos e educadores de cada um de nós;
- Pegar em tudo o que é educar e saber educar das aulas;
- Pôr em confronto/apreciação crítica/análise crítica a experiência e os fundamentos da educação. Andamos a fazer melhor ou pior? O que é que eu posso melhorar nas minhas práticas?
- Desde os nossos princípios como filhos até à nossa actualidade.
Fundamentos de Educação 7
07/06/2008
1 - A educação ao longo da vida de cada um de nós não se pode pensar sem ser efectuada em comunidade. A educação de adolescentes (Convenção dos Direitos da Criança art.º 1º) e a educação de adultos deve ser integrada na educação comunitária. Os meus filhos dependem de mim, dependo dos meus colegas e eles dependem de mim. Todos dependemos de todos. É a educação ecossistémica.
Educação é contribuir para que as coisas sejam utilizadas para criar condições para que todos os seres humanos se desenvolvam e cresçam dentro de um referencial de valores.
2 – A pedagogia tem de evoluir para a antropagogia. Partindo dos étimos (PAI, PEIDOS = condução das crianças e PU = fazer impelir o rebentar da vida) não pode continuar a ter o sentido antigo da condução das crianças.
É preciso compreender o processo da VIDA, não esquecendo os MITOS, as FILOSOFIAS e as REVELAÇÕES. A mentalidade primitiva não permite esquecer o passado, os antepassados, os mitos e os ritos. A mentalidade primitiva privilegia o passado e tudo se resolve com festas (eleições?). Os antepassados existiram? Sim.
No seio dos grandes grupos de pessoas e civilizações processou-se a estratificação social, surgiram ideais filosóficos (Confúcio, Lao Tsé, Buda, Mahaira, Zoroastro, 1ºs Filósofos pré-socráticos) e colocou-se a primeira questão ateísta: haverá deuses?
Surgiu também a distinção entre o SUJEITO (aquele que pergunta) e o OBJECTO (aquilo sobre o que se pergunta). Do universo a Deus, passando por nós devemos saber tudo o que possa ser importante. Como não temos capacidade de saber tudo, sabemos sempre pouco.
Então o melhor é que cada um trate de si. Como é que eu consigo ser, ser… E cá temos o egoísmo, o narcisismo e o egotismo (em grego = autismo). Cada um a abrir o seu caminho = selva.
Assim, surge naturalmente a (grego) KALOCAGATIA = EDUCAÇÃO, baseada na PAIDEIA (desenvolvimento da criança no sentido da ARETHÊ = o melhor, o número um, o máximo, o ARISTOS), ou seja, na competitividade.
KALOS = belo, CAI = e, AGATÓS = bom, GYMNOS = jovem adolescente, MUSHICÉ = teatro, música, todas as artes.
REVELAÇÕES
O budismo é uma filosofia, não é uma religião. Aparece no Médio-Oriente.
As revelações surgem em culturas ligadas aos povos e não às terras. O Judaísmo é a revelação ao povo de Israel. O Cristianismo é a revelação ao povo de Cristo. O Islamismo é a revelação ao povo do Islão. A cultura reduz-se à revelação. O profeta diz que recebeu uma mensagem da revelação de DEUS.
A cultura vem toda das revelações. A ideia de Deus aparece de novo. Deus é um ser absoluto/infinito, tem um saber/conhecer infinito e tem um amor infinito/absoluto.
Desaparece a distinção entre objecto e sujeito. Não há base para a competitividade e sim para a solidariedade.
O universo inter-subjectivo da família humana é que é importante. Só pode funcionar se nos abrirmos uns aos outros. Depois ou acreditamos ou não acreditamos. Tudo o resto tem de estar ao nosso serviço.
O que eu preciso para me movimentar é conhecer os outros. O que ele pensa e o que ele quer. A grandeza do ser humano é ser inviolável do ponto de vista da sua individualidade.
EMETE (Amén na liturgia) = rocha. Na Grécia o que é evidente é luminoso. O critério da verdade sobre as coisas é a luz.
No entanto, a escola tem que evoluir no sentido da fé. A família humana deve dar mais prioridade àqueles que mais precisam.
A diversidade de origens, a riqueza cultural resultante do dinamismo das origens é importante no processo que conduz as pessoas à sua total realização (EDUCAÇÃO).
DIMENSÃO AXIOLÓGICA
Esta parte da matéria trata do desenvolvimento da pessoa no sentido dos valores.
(grego) AXIOS = valor.
Temos que nos debruçar sobre os princípios/origens/fontes. Mas nunca podemos deixar de percepcionar os fins/metas/alvos (a última parte do ser de uma coisa/o que é que queres ser quando fores grande? O mais ser a que puder chegar).
Colocam-se questões como a de Fernão Capelo Gaivota: as gaivotas voam para comer? Ou comem para voar? O mais forte é o fim último.
Valor deriva do (grego) AXIOS e do (latim) VALES, VALERE que significa ter saúde/ força vital/coragem.
Todas as coisas são valores de utilidade para…
Nós não somos coisas para usar…Não me tratem como objecto…A pessoa é o fim de todos os meios e não o meio para qualquer fim = VALORES PESSOAIS.
Verdade, solidariedade, amor = VALORES TRANSCENDENTAIS/ESPIRITUAIS.
Há que viver para…
Podemos sintetizar tudo no verbo TER:
- Ter haveres;
- Ter conhecimentos;
- Ter poder.
Os valores do ser são de natureza qualitativa X Os valores do ter são de natureza quantificável.
Os valores do ser são da ordem do ilimitado X Os valores do ter são da ordem do limitado.
Os valores do ser são da ordem da participação X Os valores do ter são da ordem da partilha.
Conta-se uma história daquela mulher que tinha um filho, um bolo e o seu amor. O filho tinha cem por cento do bolo e do seu amor. A mesma mulher com cinco filhos, um bolo e os seu amor. Os filhos tinham cem por cento do seu amor mas só um quinto do bolo.
Ler Capítulo Variações sobre a Utopia.
Podemos sintetizar tudo no verbo TER:
- Ter haveres;
- Ter conhecimentos;
- Ter poder.
Os valores do ser são de natureza qualitativa X Os valores do ter são de natureza quantificável.
Os valores do ser são da ordem do ilimitado X Os valores do ter são da ordem do limitado.
Os valores do ser são da ordem da participação X Os valores do ter são da ordem da partilha.
Conta-se uma história daquela mulher que tinha um filho, um bolo e o seu amor. O filho tinha cem por cento do bolo e do seu amor. A mesma mulher com cinco filhos, um bolo e os seu amor. Os filhos tinham cem por cento do seu amor mas só um quinto do bolo.
Ler Capítulo Variações sobre a Utopia.
Fundamentos de Educação 6
24/05/2008
Perante um mundo global e único, depende só de nós a construção do nosso futuro. Face à experiência profunda e universal temos dois caminhos:
- Reconhecimento e respeito pela dignidade humana e teremos condições para viver em harmonia e paz rumo à felicidade humana;
- Desprezo pela dignidade de todos os elementos da família humana e isso conduzirá à guerra e à destruição.
Tudo o que está a acontecer é global.
Criar condições é criar o mundo físico para nutrir, alimentar a capacidade de construir uma pessoa.
Educar é criar as condições de desenvolvimento da pessoa humana.
Dignidade = [DEK DAK] dar e receber.
A dignidade humana é algo que todos recebemos e é igual para todos. O Presidente da República tem tanta dignidade como o indigente. O condenado tem tanta dignidade como o papa. Se o condenado for executado continua a ter dignidade humana, ou seja, não deixa de ter os direitos inerentes à dignidade humana.
O advento de um mundo de respeito pela dignidade humana é o mundo dos valores que só se consegue pela educação e com fé/compromisso em que venha esse mundo dos valores. A dignidade humana é um ideal comum de todos os povos do mundo (Preâmbulo da DUDH).
O ensino faz parte da Educação. O sistema de EI + EA deveria redundar num processo de educação ao longo da vida.
A criança dos 0 aos 18 está a crescer em toda a sua amplitude. O adulto dos 18 até ao final da vida já pode abrir o seu próprio caminho. Devem ser criadas condições para que o adulto procure, ele próprio, a maturidade e a autonomia (AUTONOMUS = a lei já nasce de mim).
A educação comunitária envolve a solidariedade entre todos nós.
A educação ecossistémica envolve todos os componentes (físico, afectivo, intelectual, moral, ético) de toda a família humana.
Como educar?
Precisamos de uma visão global do ser humano. Pedagogia (crianças) – Andragogia (homens) – Antropagogia (todo o ser humano).
A Pedagogia, remontando ao étimo IE*, significa abrir caminho para a vida.
Os animais é que controlam o mundo. Atravessam-no de um lado ao outro para procriarem. Tudo isto de crescer tem a ver com a transmissão da vida.
Nos seres humanos tudo isto tem a ver com a consciência e liberdade, com a compreensão e as relações humanas.
Agora tudo passa pelo amor. Amor primeiro – amor filial – amor dos nossos pais que tudo nos deram e que se deram todos. O amor filial é receber. Nenhum de nós é sem ser amado.
GEN = gerar.
Educar é apoiar a vida/estimular á vida/é andar com a vida para a frente.
No trabalho final deve-se ter em conta:
- Educar e saber educar;
- Simplicidade e utilidade;
- Deve debruçar-se sobre a experiência de educandos e educadores de cada um de nós;
- Pegar em tudo o que é educar e saber educar das aulas;
- Pôr em confronto/apreciação crítica/análise crítica a experiência e os fundamentos da educação. Andamos a fazer melhor ou pior? O que é que eu posso melhorar nas minhas práticas?
- Desde os nossos princípios como filhos até à nossa actualidade.
DIMENSÃO GNOSEOLÓGICA DE PEDAGOGIA
Falar mais de saber é uma atitude de bom senso intelectual.
SAP = saborear.
Ver Introdução p.11 e a recensão bibliográfica p.12 sobre a evolução da história.
Na escola começamos por estudar a história de Portugal mas, o que é que sabemos da história da China, da Índia ou da América? Sabemos uma história regional.
A UNESCO organizou uma História da Humanidade donde foi erradicada a palavra primitivo.
Na disciplina vamos distinguir 3 períodos da história mundial para podermos entender o conhecimento/o saber: MITO, FILOSOFIA e REVELAÇÂO.
MITO
É a primeira fase dos grupos humanos (tribo). A humanidade foi-se libertando da animalidade. Os nómadas foram-se autonomizando. Pelo milénio 10º AC assistiu-se à sedentarização, pelo milénio 1ºAC ocorre a fase final dos mitos.
Esta fase de economia de subsistência caracterizada por uma sociedade sem classes, excepto o género e a idade, em que o poder pertence ao macho alfa/ ao mais forte/ ao patriarca/ ao chefe.
É uma civilização dependente da terra. A cultura é mitológica.
[FERNANDO PESSOA] O mito é um nada que é tudo.
3 definições de MITO:
- Mentira no sentido da não verdade;
- Verdade indirecta (através do que se diz pretende-se dizer outra coisa). Persefona, filha de Meter, vivia no Olimpo. Um dia foi apanhar flores e os deuses das cavernas raptaram-na. Houve guerra. Houve armistício. Persefona ficou a viver na Primavera e Verão com os pais. No Outono e Inverno vivia nas cavernas.
- Verdade a 100% (porque corresponde à verdade transmitida pelos antepassados).
A mentalidade primitiva abrangia:
1 – O ser;
2 – O conhecer;
3 – O agir.
1 – No princípio existiram os antepassados. Os antepassados eram dotados de MANÁ (força extraordinária que os levava a fazer tudo da forma mais perfeita). Daí o dogma da capacidade dos antepassados que nos ficou sob a forma de talismã, do amuleto (a casa tem maná, o templo tem maná, a aldeia tem maná, a cidade santa).
2 – Como eles fizeram tudo, só nos resta recordar o que eles fizeram. A capacidade de conhecer reside na memória. Conhecer é recordar = MITO.
3 – Agir é repetir o que eles fizeram = RITO.
Viver é recordar e repetir. [MIRCEA ELIADE] defende que os mitos e os ritos são mecanismos de muitos de nós.
No entanto, [EZÍODO – Livro das Idades], vimos a assistir à degradação da experiência.
Quando havia excesso de produção guardava-se para a festa /a orgia. A orgia significava o fim da degradação e o recuperar da perfeição da “idade de ouro”. Recupera-se o tempo original.
O tempo é um círculo. O passado é perfeito, o presente é degradado e o futuro não existe.
Nesta época existia uma contradição entre a máscara física e a máscara psicológica. Convém lembrar os ídolos – recordar, repetir e imitar.
Em termos de educação temos ensino (recordar e repetir). Damos-lhe o protótipo, o arquétipo e repitam.
FILOSOFIA (século VII AC)
Outras civilizações surgiram que consideraram os antepassados como deuses. Dos mitos avançou-se para as religiões. Os Sumérios e os Egípcios vão nesta linha. Com a escrita os ritos passam a ser leis.
Não aparece em todo o planeta. Do Egipto até à China, passando pela Índia, surgiram as civilizações dos grandes espaços e dos grandes rios.
Há até uma coincidência entre as ideias que as caracterizam: Confúcio e Lao-Tsé, Buda, Zaratustra e os primeiros filósofos gregos (pré-socráticos). Surgem as filosofias.
Os sacerdotes dominavam as leis, a economia e o poder. Eram a classe dominante.
Os militares começaram a contestar os desatinos dos sacerdotes e colocam a primeira questão do ateísmo: haverá deuses?
A filosofia nasce da procura do conhecimento através do raciocínio das pessoas. Os antepassados não interessam. O que interessa sou eu.
Qual é a atitude dos pré-socráticos?
O que é tudo isto? DEFINIÇÃO.
E porque é tudo isto? CONCEITOS (Sócrates)/IDEIAS (Platão)/NÚMEROS (Pitágoras)/ FORMAS (Aristóteles)/ESSÊNCIAS (Medievais)/IDEIAS (Kant).
No princípio era o caos [ANAXIMANDRO].
O que é o universo? O que é o homem? O que é Deus?
O ser humano o que é? É o eu que pergunta (SUJEITO). Tudo o resto é OBJECTO. Na evolução do pensamento o sujeito opõe-se ao objecto.
Isto gera confusão e é impossível viver. [SARTRE] colocou bem esta questão – Eu sou livre? Mas como é que isto é possível?
A tragédia é que cada um é sujeito e os outros são objectos. O egoísmo/o egocentrismo/o egotismo( em grego = autismo)/o narcisismo (forma não violenta de egotismo – só se vê a ele).
Deus é o absoluto, o que abarca tudo, o infinito. A filosofia ao considerar o sujeito e o objecto, considera Deus como um erro. [GABRIEL MARCEL – La Teodissé c’est l’ateisme].
O filósofo chega à conclusão de que não sabendo nada, logo vai é tratar de si. A filosofia grega levou a que a educação grega fosse voltada para cada um (PAIDEIA – trata-se de eu crescer; ARETHÉ – esforço por ser o melhor, o campeão).
Fundamentos de Educação 5
10/05/2008
A dignidade humana é o fundamento de todos os valores. O mundo dos valores é a mais alta aspiração do homem. A ONU declarou a sua fé no mundo dos valores. No entanto, a fé, o ideal não é fácil de atingir. O caminho para atingir o ideal é o ensino e a educação.
DUDH – A educação é o desenvolvimento global da personalidade humana. A educação ao longo da vida.
Convenção dos Direitos das Crianças foi aprovada pela maioria dos países do mundo. Definição da criança como “todo o ser humano menor de 18 anos”.
Melhor que se fale de Educação da Adolescência:
O tempo: até aos 18 anos;
O lugar: na família (os estados ajudam as famílias):
Metodologia: orientar e aconselhar os filhos; respeitar as fases de crescimento;
Critério fundamental: atender ao máximo interesse, interesse supremo, superior interesse da criança.
Educação de adultos:
O tempo: dos 18 anos até ao fim;
O lugar: o mundo todo/ a universalidade:
Metodologia: não é fornecer, é indagar, perceber as necessidades e as aspirações dos adultos. Equipas de trabalho com generalistas e especialistas;
Critério fundamental: A universalidade tornou-se o motor da educação de adultos. A realização do ser humano no mundo dos valores. A satisfação das nossas necessidades e das nossas aspirações.
A educação ao longo da vida de cada um ou de nós todos?
O que existe é a comunidade humana. A DUDH fala da família humana. Justifica-se a Educação Comunitária. A família verdadeira é a comunidade, a comunhão e a comunicação. Somos uma família humana global.
OIKOS + LOGIA + SISTEMA + MÉNICO O planeta Terra é a nossa morada mas o Universo é que é o OIKOS. A Ecologia surge na década de 70 do século passado. Existem ecossistemas locais e globais.
Ver pp 18-19 do Capítulo I – Todos os recursos, todos os seres humanos, todas as dimensões. Plena realização.
QUESTÕES DE PEDAGOGIA
A Pedagogia é a Ciência da educação, ou seja, saber educar. Só a partir dos anos 60 é que surgem as ciências da educação.
O método utilizado implica ter visão de conjunto (amplitude), visão do processo (longitude) e visão em altitude (profundidade).
A palavra Pedagogia, não no sentido logos (verbo) como sinal de realidade que representa alguma coisa (na prosa é assim). Também não no sentido parabolé (parábola) como símbolo mais subtil (poesia). Mas no sentido etimológico (étimo = nome verdadeiro/originário/natural das coisas = o que significava nas origens/raízes).
(grego) Pais, Paidos = criança + (grego) Agogia = orientação, arrastamento, condução = orientação, condução da criança
Todas as ciências, a partir do século XIX – Positivismo, foram reduzidas a ciências experimentais, baseadas na experiência e na lógica da razão. Assim a ciência foi-se subdividindo em várias. Conduziu à especialização e aos compartimentos estanques.
Ver pp. 9-16 e as especializações da história. Ver pp. 21-29 – [A realização do ser humano].
EDGAR MORIN e o pensamento complexo.
Como é que se desenvolveu o estudo da GEO = terra:
- Geografia – estudo descritivo da Terra; - Geometria – estudo das formas/divisões da Terra;
- Geologia – estudo da constituição da terra; - … (não se chega ao arrastamento da terra).
Como é que se desenvolveu o estudo da criança? Avançou-se directamente para a Pedagogia.
A educação hoje já não é só de crianças, ela hoje é a Educação ao longo da vida (ELV). Logo a Pedagogia deixou de ter sentido. ANDRAGOGIA = condução do homem. (Grego) Aner, Andros = homem varão. ANTROPAGOGIA = condução do ser humano. COMUNITAGOGIA = condução da comunidade.
Não tem interesse andar a mudar frequentemente de designação. Não há problema se remontarmos mais no étimo de pedagogia.
IE* (bh=f) BHEU – BHU = crescer. (grego) phuio, phuisis = física, fisiologia, fitologia, futuro.
Mas abramos o leque de hipóteses, alarguemos o contexto.
IE* Pu = pequeno rebento de planta, pequena cria de animal.
(grego) pais, peidos = “ + (grego) agem (acompanhar, bater).
(latim) puer, pueri.
Vamos pegar nas plantas. Ou no mundo físico. Ver (pp. 21-29, o.c.).
O nosso OIKOS é o universo todo. A unidade de medida é o ano-luz. O tempo conta-se pelo Big-bang. A vida apareceu há 4000 milhões de anos, fundamentalmente sob a forma de vírus e bactérias. Não nos esqueçamos que os animais são os verdadeiros cidadãos do mundo. As migrações das aves e dos salmões. A epopeia da vida para perpetuar a espécie.
(Latim) Pullulus que originou (Castelhano) Pollo e o (Francês) Poule e as palavras portuguesas poleiros e pusilânime.
Se olharmos para o étimo rebento da Pedagogia temos a Pedagogia actual. Se considerarmos o étimo pequeno acolhemos a pedagogia tradicional.
Fundamentos de Educação 4
26/04/2008
Mundo dos valores Edu Infância + Edu Escolar
Mundo das pessoas EDUCAÇÃO Edu Infância + Edu Escolar + Edu Adultos
Mundo das coisas ELV = Edu adolescentes + Edu Adultos
Educação Escolar é mais instrução que educação.
Os políticos tratam estes temas mas nada como os teóricos.
PAULO FREIRE (1970) começa os seus estudos e experiências no nordeste brasileiro. Para ele o ser humano é livre, consciente e imperfeito/inconcluso.
Desumanização Humanização.
Há duas classes de revolução:
- A violenta (inverter a situação);
- A pacífica (humana, cultural e pedagógica).
Todos os violentos são reaccionários porque querem obter resultados à força (contra a natureza humana que passa pela liberdade).
Todos os violentos são sectários, não procuram a resolução dos problemas de todos, só os da sua clique. Estão fechados na sua verdade. São sedentos de poder.
Há que distinguir dos radicais, que são aqueles que querem chegar até às últimas consequências da mudança: acabar com os opressores e os oprimidos. Todos nos libertamos em conjunto.
“Um dia, queira Deus, que a omelete vire. Os pobres comerão o pão e os ricos comerão merda”. (Ciganito cantador]
PAULO FREIRE distingue:
- A pedagogia bancária (dos violentos);
- A pedagogia problematizadora.
Na primeira há professores com o banco de dados para ensinar os alunos. Na segunda não há professores nem alunos.
A pedagogia problematizadora opera com a ação conscientizadora e com o diálogo. Ela é anti dialógica.
Precisamos avançar com a REVOLUÇÃO PEDAGÓGICA.
Num grupo de diálogo (não mais de 15 elementos) o analfabeto inicia o seu processo de conscientização a partir de palavras geradoras (palavras que mexem com todas as pessoas) para iniciar a soletração.
PAULO FREIRE pretendia a alfabetização funcional e a conscientização do mundo que o rodeia e chegar ao universo intersubjectivo que cria com os outros.
OBJECTO SUJEITO.
Passam a não ouvir somente o que os outros pares lhe dizem e passam a ter uma palavra.
O adulto torna-se sujeito de igual valor.
O adulto torna-se actor, coautor e autor.
A educação de adultos é a outra parte do sistema educativo. A educação é um processo que se opera no sentido de criar condições para que o processo de desenvolvimento humano desde o nascimento até à morte aconteça.
Em 1989 foi assinada a Convenção sobre os Direitos da Criança.
Numa convenção os estados-partes acordam sobre aquilo em que há consenso. 181 Estados aprovaram por unanimidade. 155 Estados apresentaram projecto de aplicação.
O lugar fundamental é a família. A escola é complementar. O hospital é complementar.
O adulto é aquele que já é crescido, MAGISTER (mestre) = o mais.
A nossa língua deriva do Indo-Europeu que abrange línguas desde a Península Ibérica até ao BanglaDesh com excepção do Húngaro (Magiar), do Estónio (Finlandês) e o Basco.
IE* AL, OL = alimentar, crescer.
Aluno = escravo que era alimentado em casa.
ADOLESCÊRE = crescer [ADOLESCO, ADOLESCENS, ADOLESCÊRE, ADULTUM]
O “coco” em adolescêre deveria ser concavo e obriga à acentuação da sílaba anterior.
Segundo Ribeiro Dias a educação de adolescentes deveria juntar a educação de todos até aos 18 anos.
O objectivo da escola e dos professores é ensinar a criança a saber ser.
EDUCA, EDUCES, EDUCI, EDUCERE = conduzir (não é este o étimo de educação).
EDÛCO, EDUCAS, EDUCARE = alimentar, nutrir.
A educação é então criar condições para que a criança se desenvolva e cresça.
O dicionário HOUAISS lembra a similitude entre educação e alimentação.
Fundamentos de Educação 3
19/04/2008
A educação:
- Vamos procurar perceber o que é a educação;
- Vamos recorrer à nossa experiência global e ter em conta a história dos últimos 50 anos.
À partida pressupõem-se dois mundos, o dos valores e o corrente. A transição entre eles processa-se através da educação. Essa educação funda-se na EI + EE (1º+2º+3º ciclos) + E. Secundário + E. Superior.
A passagem de um mundo para o outro baseia-se na educação.
As ciências não nos falam do mundo dos valores.
Temos que procurar uma concepção comum de direitos humanos. Só através da fé é que poderemos atingir tal ideal.
A perspectiva da estrutura de educação acima apresentada está ultrapassada.
A partir de década de 40 do século XX começaram as reformas dos sistemas educativos. Tais reformas tinham, como vimos atrás, 3 objectivos fundamentais: económico, social e cultural.
A partir da década de 60 deu-se início à escola de massas [EDGAR FAURE].
O nível de desenvolvimento educativo tornou-se superior ao do desenvolvimento económico.
Estas reformas eram do ensino, não eram para criar condições para que as pessoas se desenvolvam (EDUCAÇÃO).
A escola deixou de ser de elites e passou a ser de massas. As reformas foram quantitativas – dar mais do mesmo a mais gente. As reformas devem ser qualitativas – mudança.
EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA
Até ao século XIX não existia EI. Em Portugal só em 1920 é que foi implementada.
As crianças eram educadas pelas mães. Quando as mães começam a trabalhar (Rev. Industrial), a própria estrutura social procura resolver o problema e foram criados “armazéns” para ficar com as crianças e contratadas pessoas para as entreter. Depois houve outras pessoas contratadas para as ensinar mas não deu resultado.
Rousseau não conheceu os seus próprios filhos mas escreveu muito sobre educação infantil. No entanto, os responsáveis pelos “armazéns” adoptaram Rousseau.
Para Platão as ideias são perfeitas, as coisas não. Não há seres humanos perfeitos, a ideia é.
A criança nunca foi aceite como ser humano. As crianças eram “coisinhas”. A criança não sabe nada. Não são e não sabem, logo não se conduzem sozinhas.
Os adultos têm de ser, ensinar e conduzir as crianças.
A criança não é? A criança é como qualquer semente, tem que ser apoiada no seu crescimento. É tudo o que vai ser. Ela é tudo aquilo que poderá vir a ser.
A criança não sabe? Sabe tudo. A criança conduz toda agente, ela apropria-se do destino de todos. Passa-se do adultocentrismo para o puerocentrismo.
Aparecem os pedagogos.
[MARIA MONTESSORI] As deficiências das crianças derivam da vida que as obrigam a fazer. As doenças das crianças, na sua maior parte, derivam da educação. Esta autora defendia a liberdade de actuação das crianças nos “armazéns”.
Assiste-se à luta entre a educação velha e a “educação nova” (1920). Ela consistiria em “criar condições de espaço, tempo, clima e ambiente para que a criança se desenvolva em todas as dimensões”. Uma das condições é a orientação.
A Psicologia desenvolveu-se na segunda metade do século XIX. Entretanto, surgiu PIAGET, biólogo e filósofo, que investigou como é que se desenvolve a inteligência no ser humano. Foi ele que criou a Psicologia do Desenvolvimento.
Estudou a criança e considerou-a tão importante como as outras fases. A infância é uma fase de desenvolvimento rápida e de adaptação ao meio [(ASSIMILAÇÃO e ACOMODAÇÃO) e EQUILÍBRIO].
FREUD também defendeu o equilíbrio.
PIAGET definiu fases (medidas estatisticamente):
- Sensório-motora (18 meses);
- Simbólica-semiótica [passa do sensorial ao mental] (6/7 anos);
- Operatividade concreta [juntar, separa, somar e multiplicar] (11/12 anos);
- Operatividade abstracta [números de números] (15/16 anos).
Em 1930 PIAGET acrescenta um problema. Que educação é que vai ser precisa? A EDUCAÇÃO NOVA. Mas acontece um cataclismo: a EDUCAÇÃO NOVA é confiscada pelos regimes ditatoriais.
Só em 1948, com a D.U.D.H., é que as ideias de Piaget se consolidam. Ele próprio foi convidado e fez um comentário: “as crianças necessitam de escolas em que a educação seja aquela que está prevista na DUDH”. Ou seja, seja adoptada a pedagogia da EI.
Em 1980 dá-se a 2ª revolução da EI.
EDUCAÇÃO DE ADULTOS
Há 50 anos quem falasse disto era considerado maluco.
Há 35 anos a Suécia e a Inglaterra começaram a preocupar-se com a EA.
Sempre houve EFA. As pirâmides, as igrejas, as peregrinações e o teatro são a prova, mas não se falava disso.
Após a 2ªGM inicia-se um período de utilização massiva das comunicações no espaço, no tempo (aceleração da mudança), na ciência e na técnica.
A UNESCO (Educação, Ciência e Cultura) toma consciência dos adultos se encontrarem ultrapassados pelas situações (1949). Realiza-se uma conferência sobre EA.
É sugerida a reciclagem/aggiornamento que implicava esforço de actualização profissional. Aparece a formação profissional/formação contínua versus formação inicial.
Em 1960 realiza-se a Conferência de Montreal – Canadá constituída por uma maioria de países do 3º Mundo.
A EFA é a educação básica = a alfabetização.
Em 1960 surgem dois factores civilizacionais incontornáveis:
- A conquista do espaço;
- A Guerra Fria/energia nuclear = holocausto e destruição nuclear.
Nesta época é preciso ter consciência que ou nos salvamos todos ou morremos todos.
A Declaração de Montreal dizia que se ia acabar com o analfabetismo em poucos anos.
Em 1965 realiza-se a Conferência de Teerão – então capital da Pérsia, hoje Irão.
O analfabetismo continuava a existir e transforma-se em analfabetismo regressivo.
Era necessária a alfabetização funcional. A AF não estava a conseguir servir aos seres humanos para se libertarem da sua subordinação aos sistemas económicos e aos modos de produção.
Em 1972, em Tóquio - Japão dá-se ênfase ao desenvolvimento integrado das populações em função do desenvolvimento integrado de cada ser humano.
A educação encaminha-nos para o mundo os valores.
Em 1975, em Persépolis, no auge do choque do petróleo aborda-se a AF como acto político de desenvolvimento integrado de todas as dimensões do ser humano de modo a contribuir para o aumento do nível civilizacional. O nível de vida é diferente da qualidade de vida.
O crescimento vai depender do desenvolvimento.
A utilização da bomba de neutrões erradicava a cultura embora deixando intacta a civilização.
Educação de adultos é criar condições para que todo o ser humano adulto se desenvolva em todas as dimensões (física, fisiológica, corporal, mental, artística e moral). Aqui a alfabetização funcional pode ser entendida como a capacidade dos adultos de se movimentarem como pessoas (seres conscientes e livres) nos diferentes sistemas em que se encontrem envolvidos/inseridos.
A EA é a de todos nós. Não podemos continuar a pensar na EA como a dos “desgraçados” que não acabaram os cursos.
Nos E.U.A. 10% da população é constituída por analfabetos funcionais (pessoas que não conseguem obter mais do que o 5º ano da escolaridade obrigatória).
IVAN ILITCH afirma que, em Nova Iorque, é indispensável possuir o 11º ano.
Ser-se alfabetizado ultrapassa o sistema escolar. A LITERACIA é a capacidade de utilizar os conhecimentos adquiridos no sistema escolar para resolver os problemas da vida.
ALFABETIZAÇÃO = nº de códigos em que se está iniciado = conhecer o alfabeto (código de linguagem escrita) = estar iniciado nos códigos.
Somos uns ignorantes porque não sabemos tantos códigos assim. A nossa ignorância é muito elevada face à ciência e devemos assumi-la para progredir no conhecimento.
Em 1972 foi tomada a decisão mas, só em 1976 – Nairobi são tomadas as conclusões de considerar a EFA como o conjunto de processos que visa criar condições para que todos os adultos se tornem capazes, eles próprios, de procurarem respostas para as suas necessidades e aspirações.
Os objectivos eram:
- Tudo aquilo que contribua para o desenvolvimento pessoal;
- Tudo aquilo que contribua para o desenvolvimento social;
- Tudo aquilo que contribua para a formação cultural.
Os métodos eram:
- Se todos somos educadores não há distinção entre formandos e formadores. Somos simultaneamente educandos e educadores. Não há quem aprenda nem quem ensine;
- Não devemos guardar os segredos;
- Temos que nos olhar como iguais. Não pode haver complexos de superioridade;
- Temos que atender à sensibilidade dos outros;
- Temos que atender à susceptibilidade dos outros;
- A avaliação não se rege por critérios correntes (criar um ambiente que continue a existir) = honestidade e transparência da pessoa.
Fundamentos de Educação 2
05/04/2008
O ideal a atingir deve acontecer sem ser pela força do direito nem pelo direito da força. Ele deve ser alcançado pelo ensino e pela educação.
Após a 2ª GM encetaram-se profundas reformas dos sistemas educativos. É na Inglaterra e na França que se dão os primeiros passos. Os E.U.A. iniciaram a reforma em 1958 após o lançamento do Sputnic pela U.R.S.S..
Em Portugal só nos anos 60 é que a reforma se iniciou ao nível do sistema escolar.
Universidade {séculos XII/XIII – Clérigos};
Liceu {século XVI – Colégios Jesuítas};
Escola Primária {século XVI – países protestantes; século XVII – países católicos; século XIX – Portugal/Marquês de Pombal};
Educação de Infância – século XIX.
A reforma do sistema educativo é uma reforma da pirâmide.
Uma 1ª preocupação era económica. Nas prioridades da reconstrução do pós-guerra estavam os recursos humanos.
A 2ª preocupação era social: a igualdade. A escola primária para todos, o liceu para alguns e a universidade para poucos.
A 3ª preocupação era cultural.
{EDGAR FAURE} – “Aprender a ser” veiculou a avaliação da situação da educação. Pela primeira vez na história o nível de desenvolvimento educativo ultrapassou o nível de desenvolvimento económico. Isso faz surgir uma nova classe: a juventude. Com ela surge a contestação à sociedade em que ela se insere (Maio de 68).
A crise mundial da educação implica a preparação da juventude para mundos que ainda não existem.
IVAN ILITCH fala da desescolarização da sociedade.
A reforma do sistema educativo era, afinal, a reforma do sistema escolar, do ensino. Preocupava-se com o ensinar sem ir ao fundo do educativo. Era dar mais do mesmo.
Foram falsas reformas. Deve-se começar a reformar pela educação de infância e pela educação de adultos.
Fundamentos de Educação 1
Não consegui resistir a publicar as minhas notas pessoais sobre as fabulosas aulas do Professor Doutor Ribeiro Dias no Mestrado em Administração Educacional do Instituto Superior de Educação do Porto, biénio 2007/2009.
29/03/2008
Para que estamos aqui?
No século XII existiam poucas divisões de conhecimento, no fundo existiam as Artes, a Teologia, a Medicina e o Direito.
Os objectivos do mestrado antigo (1983/84/85):
1 – Aprofundar uma determinada área da licenciatura. Relacionar/articular aprofundadamente uma área da licenciatura com outra área da educação.
2 – Exercitar-mo-nos/treinar-mo-nos na investigação (vestígio - pegada). Habituar-mo-nos a procurar conhecimentos novos.
A avaliação terá em conta as classificações das disciplinas. Mas a avaliação da dissertação é que mandará. A dissertação demonstrará a capacidade de investigação. O objectivo vai ser treinar-mo-nos para a investigação.
A tese de doutoramento vai ter que apresentar algo de novo.
A educação de adultos tem estratégias de ensino – aprendizagem específicas. Todos devemos unir esforços para descobrir soluções para os nossos problemas.
Fundamentos de educação (a base, o terreno de apoio):
- sector de investigação da razão de ser, da explicação da educação;
- regra, norma, lei, direito da educação;
- essencial, insubstituível, absolutamente necessário, não pode falhar;
- fundamento = princípio intelectual.
O que é essencial em educação?
Educação confunde-se, a maior parte das vezes, com ensino.
Mas será que ensinar é diferente de educar?
Os pais são os responsáveis pela educação global. Os educadores são os pais. Os pais estimulam e contribuem para criar condições para o desenvolvimento.
Ninguém desenvolve ninguém.
As diversas partes do organismo vão-se desenvolvendo.
Os pais conhecem a maneira de educar porque amam as crianças ou amam de tal maneira que possam educar?
Os pais sabem porque amam ou porque sabem?
O saber vem do amar.
Educar significa na sua essência NUTRIR. Educar é criar condições para que as crianças se desenvolvam.
A educação de uma criança começa 20 anos antes de a criança nascer [Napoleão].
Educar não é dar tudo. Educar é amar. Educar é amar (Ágape), não é amar (Eros).
Se o Ministério da Educação gastasse o dinheiro na educação de adultos (dos pais) era muito mais eficaz.
{Análise do texto de GILBERT, R.}
Para Durkheim é preciso impor à criança tudo o que a sociedade pretende dado que a criança não tem capacidade de aí chegar espontaneamente. E não tem outro destino social senão aquele a que já pertence. A sociedade é tudo.
Já Montaigne dizia que não queria cabeças cheias, queria cabeças bem feitas.
Educar é criar condições para o ser humano se desenvolver no seu todo [dar a cana para pescar].
Ensinar é parte integrante do educar e integra a transmissão de conhecimentos (encher as cabeças)[dar o peixe], impor/inculcar (mal) as ideias dominantes e criar condições para que se desenvolva a inteligência do ser humano.
A educação é a formação de dentro para fora, é criar condições para que se expanda/desabroche a capacidade/personalidade humana.
Toda a obra de arte é um acto de formação.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Barcelos, Portugal 2013 Capital Europeia das Ideias
Barcelos, Portugal 2013
Capital Europeia das Ideias
Nas situações de desconfiança e de desalento, a imaginação e a criatividade tornam-se cúmplices no processo de mudança que a humanidade ansiosamente espera.
Temos que entrever o futuro em bases que ainda estão por definir mas que podemos pensar, parando o tempo suficiente para partilhar uma ideia: projetar um mundo no qual nos sintamos bem uns com os outros.
É possível encontrar pessoas felizes com poucos recursos disponíveis. Nós, que somos seres humanos, estamos a viver uma fase de sermos “teres humanos”. Os bens materiais são dívidas para com o nosso equilíbrio. Temos querido o que nos ultrapassa e desejado o que os outros têm.
O equilíbrio continua a estar na natureza e há muito que a abandonámos como fonte de sabedoria. Virámo-nos para a nossa pequena e egótica dimensão pessoal, mantendo-nos, assim mesmo, com o instinto de sobrevivência adormecido.
As dúvidas são poucas. Temos que mudar de vida, de líderanças e de consciência. O que for preciso para nós tem de ser pensado em conjunto. Pensar a verdadeira democracia, a de cada um dentro de si próprio para poder respeitar a dos outros.
Daí a Capital Europeia das Ideias, que nunca chega tarde e pode servir a quem o desejar.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Frases de autor
Para liderar pessoas, caminhe-se ao lado delas. Quanto melhores os líderes forem, menos as pessoas se apercebem da sua existência. O melhor do próximo, é honrado e louvado pelas pessoas; o próximo que as pessoas temem é o próximo que as pessoas odeiam. Quando o trabalho dos melhores líderes está feito, as pessoas dizem "fomos nós mesmos que fizemos isso " Lao-tsu.
"O sucesso de uma intervenção depende da condição interior do(a) interveniente. A nossa eficácia como líderes depende não só do que fazemos e como fazemos, mas também do lugar onde operamos, tanto individual como coletivamente." Bill O Brien.
"Nunca duvidem que um pequeno grupo de pessoas reflexivas e comprometidas pode mudar o mundo. Na verdade, são as únicas coisas que já têm." Margaret Mead.
"Liderança é comunicar às pessoas tão claramente o seu valor e potencial que elas conseguem vê-lo em si próprias." Stephen Covey.
"Devemos tornar-nos a mudança que procuramos no mundo." Gandhi.
"Ouvir bem é tão poderoso enquanto meio de comunicação e influência como falar bem." John Marshall.
"Outra Terra não só é possível, ela está aí a chegar. Num dia calmo, pode-se ouvir a sua respiração." Arundhati Roy.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Os nossos princípios
“A clareza dos valores pessoais tem muita relação com os sentimentos de motivação, criatividade e comprometimento com o ambiente de trabalho. Quando conhecemos claramente nossos valores pessoais, sentimo-nos capacitados, prontos e preparados para agir. Prontos para ser líderes.” (Kouzes e Posner, 2007, p.80)
Neste tempo de incerteza, em que as escolhas significativas fazem ainda mais sentido, colaborar na construção de lideranças com valores faz parte da nossa história de vida. Se continuarmos a assobiar para o lado e a deixar que sejam os outros a escrever as nossas histórias, só restará a pegada ambiental ilustradora da nossa ineficácia como seres cósmicos.
Daí que, estando conscientes da sua importância, elencamos, em seguida, um conjunto de valores pessoais regeneradores da liderança pessoal:
*Liberdade com Responsabilidade
Somos livres para tomar as nossas próprias decisões e somos responsáveis por tudo o que escolhemos e pela vida que levamos. Apesar de sermos influenciáveis a última vontade é sempre nossa. Somos líderes de nós próprios.
*Consciência pessoal do poder/Empowerment
O poder está nas pessoas e isso tem que ser conscientizado, como dizia Paulo Freire. Ou seja, interiorizado e utilizado no próprio benefício das pessoas. A liderança deve capacitar e não gerar a dependência das pessoas.
*Aprendizagem e Inovação
Experimentar o novo, questionando-nos sempre e procurando aprender com os outros em tudo o que fazemos. Decidir com atitude apreciativa e valorizar os erros, evoluindo com eles. A liderança deve ter um sentido.
*Relações Profundas
Viver as nossas relações com amor, verdade, confiança, cuidado e respeito. Procurar fazer o que acreditamos e falar o que pensamos aumenta a capacidade do líder que existe em nós.
*Abertura e Partilha
Aquilo que fazemos é o que somos e é do domínio público. A informação e o conhecimento são livres, não temos propriedade sobre eles. Dar-se a conhecer aos outros é essencial em liderança.
Liderança e mudança
A liderança é fundamental na forma de encarar o fenómeno da mudança.
Mas, para liderar melhor, é preciso valorizar e incorporar os sinais da mudança, saber comunicar a visão sobre a mudança e, não menos importante, agir eficazmente no sentido de mudar.
Para tal o líder tem de ter uma presença autêntica. Todos nós, para estarmos vivos, precisamos de ter uma presença notada pelos outros – é essa a essência psicológica do ser humano. Essa presença só será autêntica se nos conhecermos bem a nós próprios (Auto consciência). Esse conhecimento não é um estado final, mas sim uma viagem que dura a vida inteira com diversos momentos de reflexão, introspeção e inflexão - individuação. Se partilharmos a nossa procura de conhecimento, os nossos sonhos e aspirações com os outros, vão ser mais nítidas as características importantes que os seguidores querem dos seus líderes: credibilidade, genuinidade e autenticidade.
O líder será aquele que, conhecendo-se a si próprio e aos outros, consegue expandir a sensação de bem-estar e de confiança no mundo que nos rodeia através da comunicação de uma visão empolgante da mudança. Para isso necessita possuir capacidades de comunicação e de relacionamento humano, desenvolvendo a inteligência emocional, aprendendo a apreciar e valorizar os diferentes posicionamentos e coordenando projetos e tarefas complexas. Tal visão partilhada favorece a permanente construção de uma cultura organizacional criativa e comprometida.
Agir é fundamental no empreendedorismo. Não podemos ficar à espera que os outros façam o que queremos fazer. Uma ação efetiva implica presença autêntica e comunicação hábil. Num momento de processo constante de mudança e adaptação precisa-se mais do que seguir os passos das teorias da mudança mais recentes. O líder tem de criar uma cultura de compromisso que inspire o pleno envolvimento e a responsabilidade incondicional dos indivíduos e equipas. Para além disso, deve agir de forma inteligente, estratégica e compassiva, sem paternalismos. As organizações lideradas desta maneira encaram melhor a mudança, são resilientes, adaptativas e povoadas por pessoas entusiasmadas e comprometidas.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
O medo, a mudança e a esperança
A Burocracia Mecânica, designação proposta por Mintzberg, há muito tempo que é uma forma obsoleta de pensar e fazer a gestão. A grande maioria de nós já compreendeu, social e economicamente, quais são as suas ameaças, fraquezas e mau funcionamento. Então, temos de refletir, propor e praticar novas formas de construir a atenção para com o ser humano, numa atitude de sustentável e aceitável mudança desse status quo.
Podemos considerar que os sistemas de comando e controle refletem, como foi anteriormente afirmado pela teoria clássica da administração, uma desconfiança profunda face ao compromisso e à competência dos funcionários.
Eles também tendem a exagerar os acontecimentos negativos, assim, as sanções surgem como uma maneira de forçar a conformidade e a ordem. Talvez seja por isso que muitas organizações estejam cheias de funcionários ansiosos que estão hesitantes em tomar a iniciativa ou em confiar no seu próprio julgamento.
A adaptabilidade organizacional, a inovação, a autenticidade e o engajamento dos funcionários só pode acontecer numa cultura de alta confiança, com baixo medo e com significado. Num tal ambiente, a informação é amplamente compartilhada, as opiniões controversas são livremente expressas e aceites, a assunção de riscos é incentivada e o fracasso não é exorcizado. O medo paralisa, cria desconfiança, desmoraliza e limita as pessoas — deve ser expulso dos nossos sistemas de gestão.
A era do “Grande homem”, o todo-sábio, o todo-poderoso líder-como-decisor já dura há bastante tempo. Os líderes devem tornar-se arquitetos sociais esclarecidos — indivíduos que são capazes de co-criar ambientes que engendram uma realização extraordinária e preenchida.
Para fazer essa transição do "comando e controle" para o "motivar e orientar", as organizações precisam desenvolver líderes que acreditem que é fundamental criar o comprometimento e o alinhamento sem recorrer a instrumentos tradicionais de controle burocrático. O Verdadeiro Norte será uma organização repleta de líderes autênticos que com toda a esperança nos elevem a todos.
Já não é suficiente apenas ter um excelente fluxo de caixa. As partes interessadas e os consumidores tornaram-se exigentes e o tempo/dinheiro não é tudo. As organizações resilientes devem ser flexíveis, inovadoras, inspiradoras, significativas e socialmente responsáveis. Isso significa que têm que recriar as bases da liderança de pensamento e das práticas. Os estudiosos e os práticos devem procurar novos princípios em campos tão diversos como a antropologia e a cultura, a biologia e a entropia, o desenho e o Urbanismo, mergulhando nas ciências políticas e na democracia, na ecologia e na economia sustentável, na gestão e no poder.
É definitivamente tempo de mudarmos e de respeitarmos os outros.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
A emoção na liderança
A Inteligência Emocional, conceito associado à liderança por GOLEMAN, BOYATSIS e MCKEE (2002), aponta para um leque de aptidões tais como, identificar, distinguir e utilizar os próprios sentimentos e os dos outros, no sentido de orientar pensamentos e acções. De acordo com CUNHA e REGO (2009, p.240), “a inteligência emocional é uma competência (ou um conjunto de competências) de grande relevância nos vários domínios da vida humana e social” e traduz “a capacidade para conciliar emoções e razão”, ou seja “usar as emoções para facilitar a razão” e também “raciocinar inteligentemente acerca das emoções”.
A liderança depende da relação emocional que se estabelece com os outros. A forma como os líderes gerem os sentimentos, e os conduzem de modo a que o grupo atinja os seus objectivos, depende da inteligência emocional. O líder, seja por posição ou influência, pode estabelecer atitudes de comportamento positivas em relação à forma como gere as emoções e os relacionamentos.
"Os processos de desenvolvimento de lideranças fortes estão focados na aprendizagem emocional e intelectual e constroem-se no trabalho participativo ativo: aprendizagem na ação e no coaching, onde as pessoas usam o que aprenderam para diagnosticar e resolver problemas reais das suas organizações." (Goleman, Boyatzis, & McKee, 2002, p. 234.)
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
The impeccable authentic leadership 3
Authentic Leadership
AL emerged as an important component in the positive leadership studies since its initial conceptualization, in late 1970, until its theoretical maturity as a "root construct of leadership theory” (Gardner, Avolio, & 2005 p. 315). The construct AL was initially proposed by Luthans and Avolio (2003) and was developed by Gardner et al. (2005) and Avolio and Luthans (2006). However, Avolio, Gardner, Walumbwa & May (2004) were the first to propose this as a theoretical model, derived from the positive organizational behavior, in which leaders are deeply aware of how people think and behave, the context in which they operate and are perceived by others, as well as some are aware of values/morals systems, knowledge, perspective and own and others strengths.
In this way, the theoretical model of AL includes not only leader behaviors but also the characteristics of the followers and leaders, such as their levels of psychological capital, suggesting a more integrated approach to study leadership and organizational behavior (Gardner et al., 2005; Luthans, Norman, & Hughes, 2006). Authentic leaders will be those "who know who they are and know what they believe (Avolio, Gardner & Walumbwa, 2005, p. 13). In AL there are four characteristics dimensions that describe leaders’ behavior and allow its recognition as authentic:
When leaders are aware of how their own actions affect those who are around them, being open and transparent to the processes and influences within and outside of their organizations, the followers have a better sense of the organizational goals/challenges. So, measure the AL will be based not only on the followers’ perceptions as well as those of the leaders (Authentic Leadership Questionnaire, Walumbwa et al., 2008.
However, despite this last current of AL be the most publicized of all, there are others that deserve our reference. The origin of the elements of the AL model, according to Gardner and Avolio (2005), flows from the work of Kernis (2003) about the optimal theory of self-esteem, in which he identifies four key elements of authenticity: the self-awareness, unbiased rendering of information, authenticity and relational/authentic behavior action. Ilies, Nahrang & Morgeson (2005) also use the same elements in their model on the eudamonic welfare (happiness) of leaders and followers.
Sparrowe (2005) puts already the frame of self-narrative at the heart of AL. The author suggests that authenticity is not achieved by self-awareness, nor by the values and internal purposes, but by the leader’s narrative process in what others have fundamental importance. This position is close to the Shamir and Eilam (2005) one who base AL on the self-concept of the leader. These authors associate the development of leaders to his life story, insofar as AL lays fundamentally on the relevant senses of leader's life experiences. The life story of the leaders gives followers a broader basis to judge the authenticity of their leader.
In this sense the authors advance with four authentic leaders underlying settings:
Michie and Gooty (2005), in turn, have developed an alternative approach of AL based on the role of emotions in the lead. From the theory of emotions and positive psychology, the authors argue that the self-transcendent values (universal-social justice, fairness and open-mindedness; benevolent-honesty, loyalty and responsibility) and positive emotions towards others (gratitude, compassion, goodwill) are AL fundamental determinants.
Also Yamarino, Dione, Scriesheim & Dansereau (2008) proceeded to the integration with the positive organizational behavior, using a meso and multilevel perspective. So, if we take the AL in terms of multilevel analysis, it promotes various criteria of first level and results of positive organizational behavior (e.g. optimism, self-efficacy of individual leaders and followers) that, in turn, improve several second-level criteria and performance results (e.g. individual results, team and organizational).
In another perspective, Eagly (2005) raises the question that the leaders are asked more than act according to their own values. I.e., getting a relational authenticity and obvious requires that the followers give leaders the legitimacy of promoting a framework of values on behalf of the community.
For Klenke (2004, 2005 and 2007), which proposes an integrated model of contextual elements, cognitive, affective, pro-active and spiritual, spirituality and spiritual identity are at the core of AL.
Also curious is the Douglas, Ferris & Perrewé (2005) approach which places AL at the heart of the role of political qualities of the leader. I.e., the leader who has propensity to exercise political positions has greater ability to inspire trust and authenticity as mechanisms which cause the motivation, commitment and productivity of the follower. In a next line of thought, Chan, Hannah & Gardner (2005) argue that the AL can constitute a multiplier of leaders, building the foundation of a virtuous cycle of performance and learning for leaders, followers and organizations. The authors emphasize the power of example as AL enhancer element.
Finally, we resist not talking about that current which considers authenticity is best understood in the context, whether it involves action. In a study by Puente, Crous & Venter (2007), the "engine" of AL are the so-called "trigger events" . The development of AL tends to be catalyzed by "trigger events", hence it is of all recommended that these events have positive force.
PS: if you want to finish the reading of this paper ( The impeccable authentic leadership 4) go to htpp//remodealdreu.blogspot.pt/ .
sábado, 5 de janeiro de 2013
The impeccable authentic leadership 2
The background
The foundation of our writings is in the transformational leadership current (Bass 1985, 1990), through which the leader manages followers to results extraordinary effects. The transformational leadership requires the leader to transmit a positive and powerful vision, in addition to support individual needs of his followers (Walumbwa et al., 2008).
However, in the development of studies on transformational leadership emerged a
paradox: the transformational leader being dishonest. I.e. the transformational leader
had not, necessarily, act in moral and ethics way (Furmanczyk, 2010). As already mentioned, the people felt betrayed and many organizations collapsed for lack of
integrity of their leaders (Smith, Bhindi, Hansen, Riley & Rall, 2008).
Thus, in an increasingly complex and demanding context in terms of patterns of
leadership, emerged a new paradigm focused on people and sustained on trust, fairness,
ethics in guidance for values and compassion: authentic leadership.
Organizational and relational nature
Words that are more associated to AL, while construct which, as we have seen
previously, is related to positive psychology, are: genuine, reliable, likely and hope
engine. All this contributes to the sense of authenticity being essential in these troubled
times, when the environment changes, in which rules, effective previously, collapse and
leaders cannot avoid being transparent (Cameron et al., 2003). AL has been built from
the contributions of both leaders and followers. In fact, as Kets de Vries (2009) said, the
leadership is a team sport. For example, Goffee and Jones (2000 and 2006), based on
experience gained over ten years of consulting in companies of the United States and
Europe, have introduced the idea that the leaders could do nothing without followers.
That is, a relationship in which the followers want:
And if it is difficult to find followers, more complicated is to answer the question: what to do so that the followers choose to follow someone?
Following closely Goffee and Jones (2000 and 2006), the leaders that inspire the followers to follow them, share "four unexpected qualities, we describe:
i) Selectively, show their weaknesses.
Expose a weakness shows that we need the others, which is perfectly normal. Because if leaders do not show weaknesses, followers eventually discover, quickly, some. But watch out for the expose the weaknesses, i.e. you need to be selective in their choice of art showing weakness, because it cannot be critical to the activity that develops (for example, the fact that a school Director not knowing how to deal with disciplinary problems of students).
ii) Bet strongly on their intuition when define the moments and ways of acting.
Leaders should trust their instincts. Goffee and Jones call these leaders "good detectors of situations". This can cause problems because, on the one hand, the anticipation of situations can lead to conflicts and loss of confidence of followers, and by another, because a sensation can interfere with the natural course of things, namely truth. Thus, leaders must, in their own interest, validate their feelings with the help of trusted members of his team.
iii) Manage the relationship with the followers with though empathy.
There are no relationship recipes with followers. Soon, the empathic relationship leader/followers must be strictly that the followers need to develop their work. In other words, the leader cannot bring its followers to "lap". There are times when they have to take risks and there, yes the empathy must be strong.
iv) Clearly reveal their differences.
One of the ways the leaders remain in this condition is to use, clearly, what are unique. A difference only confers advantage if it is known and accepted by others. And this difference need not be grandiose, overwhelming, just that is subtly effective. It is not enough to be competent in what one does, it is necessary to continue to want to do it every time better, every day that passes. Without deviate from the followers are these differences that leaders must communicate them.
Everything Goffee and Jones being proposed must be framed in a challenge that, no recipes included, obliges each of the leaders to be more capable, keeping equal to themselves. "The four qualities of leadership are a first step. All together appeal to leaders to be authentic "(2000, p. 8).
Recent studies carried out in different parts of the world, from China (Walumbwa et al., 2008) to New Zealand (Caza, Bagozzi, Wooley, Levy & Caza, 2010), passing, as is inevitable, by United States (Walumbwa, Luthans, Avey & Oke, 2011), and utilizing the ALQ (Authentic Leadership Questionaire, Walumbwa et al., 2008), show that there is a positive relationship between AL and multivariate psychosocial and organizational, as for example, psychological capital, followers satisfaction at work and with the leader, organizational citizenship behavior, confidence, organizational commitment, involvement and the efficiency at work.
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